Plano nacional para proteger insetos polinizadores conta dois milhões de euros até 2027

A estratégia do Ministério do Ambiente acolheu contributos de cientistas, organizações e cidadãos para reforçar a monitorização, a investigação, a sensibilização e a divulgação de boas práticas.

Portugal tem mais de 600 espécies de abelhas polinizadoras, sendo a abelha-do-mel (Apis mellifera L.) a mais comum. Foto: Franco Patrizia via Pixabay
Portugal tem mais de 600 espécies de abelhas polinizadoras, sendo a abelha-do-mel (Apis mellifera L.) a mais comum. Foto: Franco Patrizia via Pixabay

Aumentar a investigação sobre as causas do declínio dos insetos, promover a sua proteção e consciencializar a população portuguesa sobre a importância dos seus serviços ecossistémicos são as principais linhas orientadoras do novo Plano para a Conservação e a Sustentabilidade dos Insetos Polinizadores em Portugal.

O escaravelho-das-flores é um excelente polinizador e pode ser observado em todo o território, especialmente em prados e jardins. Foto: Pixabay
O escaravelho-das-flores é um excelente polinizador e pode ser observado em todo o território, especialmente em prados e jardins. Foto: Pixabay

A estratégia, aprovada esta semana pelo Governo, conta com um financiamento de dois milhões de euros provenientes do Fundo Ambiental. A verba será aplicada nos próximos dois anos com o intuito de desenvolver iniciativas como a monitorização dos polinizadores, o restauro de habitats, a capacitação científica e a divulgação de boas práticas no país.

“Com este plano, reforçamos o conhecimento científico, mobilizamos a sociedade e criamos condições para proteger estas espécies e garantir paisagens mais resilientes para o futuro”
Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho

Desenvolvida no âmbito do projeto PolinizAÇÃO e em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a elaboração do programa, segundo o Ministério do Ambiente e Energia, contou ainda com o contributo de especialistas, de entidades públicas e privadas, de membros da rede poli.net e de cidadãos.

Polinizadores com mais registos de observação em Portugal
  1. Abelha-do-mel (Apis melífera)
  2. Abelhão terrestre (Bombus terrestres)
  3. Jaquetão-das-flores-mediterrânico (Oxythyrea funesta)
  4. Besouro-capuchinho (Heliotautos ruficollis)
  5. Mosca-zangão- europeia (Eristalis tenax)
  6. Borboleta-pequena-da-couve (Pieris rapae)
  7. Mosca-das-flores-comum (Episyrphus balteatus)
  8. Borboleta-da-couve (Pieris brassicae)
  9. Mosca-gafanhoto (Stomorhona lunata)
  10. Mosca-das-flores-alongada (Sphaerophoria scripta)

    Fonte: Projeto PolinizAÇÃO

    Procurando desenvolver um plano abrangente, o programa visa incluir uma elevada densidade de polinizadores, com 746 espécies de abelhas, 148 de borboletas diurnas, cerca de 2.600 borboletas noturnas e ainda 221 espécies de sirfídeos, conhecidos como moscas-das-flores, entre outros grupos.

    As grandes ameaças

    Os polinizadores desempenham um serviço vital para os ecossistemas, assegurando o equilíbrio na natureza, na agricultura e no bem-estar humano.

    Apesar das dimensões reduzidas do território português, em comparação com outros países europeus, Portugal alberga uma elevada diversidade de polinizadores. Imagens: Canva e Creative Commons
    Apesar das dimensões reduzidas do território português, em comparação com outros países europeus, Portugal alberga uma elevada diversidade de polinizadores. Imagens: Canva e Creative Commons

    Embora a sua importância seja amplamente reconhecida, os insetos estão atualmente sujeitos a inúmeras pressões, desde alterações do uso e da ocupação do solo, promovendo a uniformização da paisagem, até invasões biológicas e alterações climáticas.

    Dos himenópteros – vespas, abelhas e formigas – a maior espécie polinizadora de Portugal é a vespa-mamute. Podendo atingir 60 mm, é uma das maiores vespas da Europa e, muitas vezes, confundida com a vespa asiática.

    Estes constrangimentos representam uma séria ameaça à conservação de biodiversidade funcional, bem como à produção sustentável de alimentos cultivados.

    Em Portugal existem mais de mil espécies de insetos polinizadores, entre abelhas, abelhões, vespas, moscas, borboletas e escaravelhos. Se os insetos polinizadores desaparecerem, a maioria das plantas não conseguirá reproduzir-se e acabará também por desaparecer.

    A mosca-das-flores-comum (Episyrphus balteatus) é uma das 221 espécies de sirfídeos observadas em todo o território nacional. Foto: Pixabay
    A mosca-das-flores-comum (Episyrphus balteatus) é uma das 221 espécies de sirfídeos observadas em todo o território nacional. Foto: Pixabay

    Como consequência, os humanos e outros animais deixarão de ter importantes fontes de alimentos (frutos, sementes, entre outros) e os ecossistemas naturais ficarão seriamente fragilizados.

    Sabia que a borboleta-do-medronheiro, que podemos ver a voar entre março e outubro, é uma das maiores borboletas diurnas polinizadoras em Portugal? Com 80 mm é a espécie diurna com maior envergadura da Europa, ocorrendo em quase todo o território português, em especial no Algarve e na área de Lisboa.

    O objetivo do Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores é, como tal, desenvolver uma estratégia nacional que visa reforçar o conhecimento científico e a monitorização das espécies polinizadoras, promover modelos sustentáveis de gestão do território, lançar iniciativas de educação e comunicação e integrar medidas de conservação nas políticas públicas da administração central e regional.

    Referências da notícia

    Aprovado plano de defesa dos polinizadores para proteger biodiversidade. Portugal.gov.pt

    Projeto PolinizAÇÃO - Plano de Ação para os Polinizadores

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