O sinal nas praias a que quase ninguém presta atenção (mas que ajuda a evitar agueiros)

A esmagadora maioria das pessoas que vai à praia conhece o significado das bandeiras verde, amarela e vermelha, indicadoras das condições do mar. No entanto, há um sinal nas praias que continua a passar despercebido para os banhistas e que pode salvar vidas!

O espaço existente entre duas bandeiras iguais à desta fotografia é vigiado diretamente pelos nadadores-salvadores, assinalando a zona recomendada para se ir a banhos. Deste modo evitará, também, o perigo de se ver envolvido por um agueiro. Imagem: DR Município de Oeiras.
O espaço existente entre duas bandeiras iguais à desta fotografia é vigiado diretamente pelos nadadores-salvadores, assinalando a zona recomendada para se ir a banhos. Deste modo evitará, também, o perigo de se ver envolvido por um agueiro. Imagem: DR Município de Oeiras.

As duas bandeiras com faixas vermelhas e amarelas colocadas lado a lado nos areais, ao contrário das restantes, não servem para avaliar o estado do mar. Possuem, sim, outra função que passa por assinalar a zona recomendada para entrar na água e manter-se a banhos, tratando-se de uma área escolhida diariamente pelos nadadores-salvadores que oferece melhores condições de segurança aos banhistas.

Entre estas duas bandeiras situa-se o espaço que é vigiado diretamente pelos nadadores-salvadores. Permanecer nesse espaço favorece uma intervenção mais rápida em caso de emergência e, além disso, o risco de entrar sem querer em zonas perigosas é reduzido significativamente.

A localização das bandeiras não é fixa, dado que ao longo do dia as características da praia são alteradas pela maré, pelo vento e pela agitação marítima. Deste modo, os nadadores-salvadores podem ter de mudar o posicionamento da zona de banhos sempre que necessário, tendo em conta a evolução das condições do mar.

Os agueiros, um perigo pouco visível a olho nu

Um dos principais motivos que leva à delimitação de uma área segura é afastar os banhistas dos agueiros, também conhecidos como “rip currents” (em inglês) ou correntes de ressaca. Estes fenómenos são frequentes nas praias oceânicas, como as da costa portuguesa banhada pelo Atlântico, ou até mesmo nas praias marítimas, como as da costa mediterrânea, constituindo uma das maiores causas de acidentes no mar.

Este cartaz adverte para os perigos de um agueiro, também conhecido como corrente de ressaca.
Este cartaz adverte para os perigos de um agueiro, também conhecido como corrente de ressaca.

Os agueiros costumam ser traiçoeiros na medida em que muitas vezes são praticamente invisíveis. Até em dias aparentemente calmos, existe a possibilidade de se formarem canais estreitos de água que escoam rapidamente para o largo, atravessando a zona onde rebentam as ondas. Paradoxalmente, apesar destas zonas parecerem mais convidativas à entrada na água porque apresentam pouca rebentação, é precisamente aí que a corrente pode ser mais forte.

Porém, há sinais que ajudam a identificar este perigo, tais como: faixas estreitas com menos ondas, alterações na cor da água, depressões e irregularidades no areal, zonas onde a espuma e outros detritos são arrastados para o mar e não para a praia. Mesmo assim, nem sempre é fácil reconhecer estes sinais, sendo, por isso, aconselhável seguir as instruções dos nadadores-salvadores e manter-se no espaço seguro, entre as duas bandeiras.

Agueiros: o que são e o que fazer se for apanhado

Um agueiro é como um autêntico “rio” que transporta água da praia para o mar aberto. A velocidade destas correntes pode atingir entre 2 e 3 metros por segundo, superando facilmente a capacidade de nadar da maioria das pessoas, e até mesmo de nadadores experientes.

  • Nunca nade contra a corrente: Um dos maiores erros é tentar regressar diretamente à praia, nadando contra a corrente. O esforço dispendido provoca fadiga rapidamente, podendo originar pânico e aumentar significativamente o risco de afogamento.
  • Manter a calma é prioritário: caso seja arrastado por um agueiro, não nade contra a corrente e opte por nadar paralelamente à linha de costa. Isto acaba por fazer com que se afaste lateralmente da costa. Em muitas ocasiões, devido ao facto das correntes serem estreitas, basta percorrer alguns metros para sair da sua influência. Assim que sentir que está fora da sua alçada, deve então dirigir-se para terra.
  • O que fazer caso não consiga sair da corrente ou estiver demasiado cansado: conserve energia, mantenha-se à tona e indique a sua posição, levantando um braço para solicitar ajuda aos nadadores-salvadores ou a outros banhistas.

Estar prevenido continua a ser a melhor maneira de evitar tragédias. Antes de entrar na água, observe o mar com atenção, informe-se sobre as condições marítimas existentes, respeite os sinais de seguranças e, sempre que possível, opte por frequentar praias vigiadas por nadadores-salvadores.

O mar é belo e cativante, mas é também muito dinâmico, imprevisível e potencialmente perigoso, sendo, por isso, merecedor do nosso máximo respeito.

Saber o significado da sinalização, respeitar os nadadores-salvadores e a área de segurança por eles delimitada, bem como compreender o funcionamento dos agueiros e saber como reagir caso se encontre envolvido num deles constitui um conjunto de regras e recomendações capazes de transformar um dia de praia numa experiência muito mais segura.

Referência da notícia

Miguel Frazão. (2026). Muitos banhistas não reparam nas bandeiras com riscas vermelha e amarela que se colocam aos pares nas praias: conheça o significado.
Oeiras Valley Município de Oeiras. (2019). Saiba o que significa a bandeira com riscas vermelha e amarela nas praias portuguesas.