Outro pico de calor em Portugal no dia 22 de julho: "a atmosfera está viciada", avisa a meteorologista Ana Palma

As temperaturas deverão voltar a subir em Portugal na próxima semana, com um novo pico de calor previsto para 22 de julho. O interior será novamente a região mais afetada, enquanto o litoral deverá manter valores mais moderados.

O regresso do calor previsto para a próxima semana resulta da repetição de um padrão atmosférico muito semelhante, uma situação que a meteorologista Ana Palma resume na expressão "a atmosfera está viciada".
O regresso do calor previsto para a próxima semana resulta da repetição de um padrão atmosférico muito semelhante, uma situação que a meteorologista Ana Palma resume na expressão "a atmosfera está viciada".

Depois de alguns dias com temperaturas mais contidas, os modelos meteorológicos apontam para um novo aumento das temperaturas em Portugal por volta de 22 de julho. O aquecimento deverá ser temporário e sentir-se sobretudo no interior do país, refletindo um padrão atmosférico que se tem repetido com frequência nas últimas semanas.

Uma depressão atlântica continua a marcar o estado do tempo

Este comportamento resulta da persistência de uma depressão a oeste da Península Ibérica, cuja posição condiciona a circulação atmosférica sobre o sudoeste da Europa.

Quando permanece mais afastada no Atlântico, favorece o desenvolvimento de uma crista de altas pressões sobre a Península Ibérica, favorecendo a entrada de ar mais quente sobre Portugal. Se, pelo contrário, se deslocar mais para leste, o calor concentra-se sobretudo na metade oriental da Península Ibérica e nos países mediterrânicos, enquanto Portugal fica mais exposto à influência do Atlântico e a temperaturas mais moderadas.

A persistência de uma depressão a oeste da Península Ibérica continua a condicionar a circulação atmosférica. A sua posição favorece o desenvolvimento de uma crista anticiclónica sobre a Península, criando condições para a entrada de ar mais quente em Portugal.
A persistência de uma depressão a oeste da Península Ibérica continua a condicionar a circulação atmosférica. A sua posição favorece o desenvolvimento de uma crista anticiclónica sobre a Península, criando condições para a entrada de ar mais quente em Portugal.

É precisamente esta repetição que ajuda a explicar a expressão "a atmosfera está viciada". Apesar de não corresponder a um conceito científico, descreve de forma simples uma atmosfera que repete um padrão de circulação muito semelhante, originando sucessivos episódios de aquecimento separados por breves períodos mais amenos.

Calor volta a intensificar-se, sobretudo no interior do país

Segundo as previsões mais recentes do ECMWF, as temperaturas deverão subir gradualmente no início da próxima semana, culminando num novo pico de calor previsto para 22 de julho. Se o cenário atualmente previsto se confirmar, esse poderá ser o dia mais quente deste episódio, com máximas próximas dos 40 ºC em alguns locais do Alentejo, da Beira Baixa e do Vale do Tejo, onde se prevê que as temperaturas atinjam os valores mais elevados.

Temperatura prevista às 12 UTC (13h em Portugal continental). O contraste entre o litoral e o interior já deverá ser evidente, antecipando uma tarde de calor intenso, com temperaturas que poderão aproximar-se dos 40 ºC em alguns locais do interior Centro e Sul.
Temperatura prevista às 12 UTC (13h em Portugal continental). O contraste entre o litoral e o interior já deverá ser evidente, antecipando uma tarde de calor intenso, com temperaturas que poderão aproximar-se dos 40 ºC em alguns locais do interior Centro e Sul.

A circulação do vento também contribuirá para acentuar as diferenças de temperatura entre o litoral e o interior. Enquanto nas regiões interiores deverá predominar o vento de leste ou sudeste, favorecendo a entrada de ar mais quente, no litoral continuará a prevalecer o vento de oeste ou noroeste, associado à influência moderadora do Atlântico.

A circulação do vento deverá favorecer a entrada de ar mais quente nas regiões do interior, enquanto no litoral continuará a predominar a influência marítima, contribuindo para temperaturas mais moderadas.
A circulação do vento deverá favorecer a entrada de ar mais quente nas regiões do interior, enquanto no litoral continuará a predominar a influência marítima, contribuindo para temperaturas mais moderadas.

Assim, as máximas deverão manter-se próximas dos 30 ºC na região de Lisboa e inferiores a 30 ºC no litoral Norte, podendo o contraste térmico em relação ao interior ultrapassar os 10 ºC nas horas mais quentes do dia.

Os modelos apontam para um episódio de calor menos intenso e persistente do que o observado no início de julho. Por se tratar de uma previsão de médio prazo, as próximas atualizações dos modelos meteorológicos serão importantes para confirmar a intensidade do aquecimento e a distribuição das temperaturas mais elevadas