Previsão a longo prazo para Portugal: "o verão poderá já ter atingido o seu pico"

Apesar de entrarmos hoje na canícula, período climatologicamente mais quente do ano, as projeções de longo prazo do ECMWF sugerem um enfraquecimento gradual do calor anómalo em Portugal até ao final de agosto.

Depois da intensa onda de calor do início de julho, as projeções de longo prazo do ECMWF apontam para um verão ainda quente e seco em Portugal, mas com uma diminuição gradual do calor anómalo à medida que nos aproximamos do final de agosto, precisamente durante o período de férias de muitos portugueses.
Depois da intensa onda de calor do início de julho, as projeções de longo prazo do ECMWF apontam para um verão ainda quente e seco em Portugal, mas com uma diminuição gradual do calor anómalo à medida que nos aproximamos do final de agosto, precisamente durante o período de férias de muitos portugueses.

Depois da intensa onda de calor que marcou o início de julho, muitos portugueses perguntam-se se o pior do verão ainda está por chegar. Apesar de termos iniciado hoje a canícula, período que decorre habitualmente entre 15 de julho e 15 de agosto e que corresponde, em média, aos dias mais quentes do ano na Península Ibérica, as mais recentes projeções de longo prazo do Centro Europeu de Previsão (ECMWF) sugerem uma tendência diferente.

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O calor deverá continuar, mas sem sinais claros de novas ondas de calor tão intensas como a registada no início deste mês.

Canícula continua, mas com anomalias de temperatura em diminuição

Os mapas semanais de anomalias da temperatura a 2 metros do ECMWF indicam que a semana de 20 a 27 de julho ainda deverá apresentar temperaturas médias entre 1 e 3 °C acima do normal para a época em grande parte de Portugal continental.

O ECMWF prevê que a semana de 20 a 27 de julho apresente temperaturas médias acima do normal em grande parte de Portugal continental, com anomalias positivas entre cerca de 1 e 3 °C.
O ECMWF prevê que a semana de 20 a 27 de julho apresente temperaturas médias acima do normal em grande parte de Portugal continental, com anomalias positivas entre cerca de 1 e 3 °C.

No entanto, à medida que avançamos para agosto, verifica-se uma diminuição gradual destas anomalias. Semana após semana, as cores mais avermelhadas vão perdendo expressão, até que, entre 17 e 24 de agosto, Portugal Continental surge praticamente coberto por tons brancos, sinal de que a temperatura média semanal deverá aproximar-se dos valores climatologicamente normais.

Na segunda quinzena de agosto, as anomalias positivas diminuem significativamente. Os tons brancos sobre Portugal indicam uma temperatura média semanal próxima da normal climatológica.
Na segunda quinzena de agosto, as anomalias positivas diminuem significativamente. Os tons brancos sobre Portugal indicam uma temperatura média semanal próxima da normal climatológica.

Importa, contudo, esclarecer que estes mapas representam a anomalia da temperatura média ao longo de uma semana inteira e não a temperatura prevista para cada dia.

Isto significa que uma semana poderá apresentar uma anomalia próxima da média climatológica e, ainda assim, incluir um ou dois dias muito quentes, compensados por outros mais frescos.

Da mesma forma, uma anomalia positiva não implica necessariamente uma onda de calor persistente, mas sim que, no conjunto dos sete dias, a temperatura média deverá situar-se acima do habitual para a época.

Pouca chuva prevista durante a segunda quinzena de julho

A precipitação continua a apresentar um sinal bastante mais discreto. Ao contrário da temperatura, esta variável possui menor previsibilidade a médio e longo prazo, motivo pelo qual o ECMWF apenas disponibiliza este tipo de projeção até cerca de 25 de julho.

O modelo prevê apenas precipitação fraca e pontual na fachada ocidental e no Norte de Portugal. Grande parte do interior deverá manter-se praticamente sem chuva durante este período.
O modelo prevê apenas precipitação fraca e pontual na fachada ocidental e no Norte de Portugal. Grande parte do interior deverá manter-se praticamente sem chuva durante este período.

O mapa de precipitação acumulada representa toda a chuva prevista desde o início da previsão até à data indicada (desde dia 15 até dia 25 de julho), independentemente de ocorrer num único episódio ou distribuída por vários dias. Assim, permite identificar as regiões com maior probabilidade de acumular precipitação, mas não indica quando essa chuva ocorrerá nem qual será a intensidade de cada episódio.

Neste momento, o modelo aponta para alguns períodos de precipitação fraca ao longo da fachada ocidental e em pontos da região Norte, sobretudo junto à fronteira com Espanha. Os acumulados previstos permanecem baixos, enquanto grande parte do interior deverá continuar praticamente sem precipitação.

Tendência favorável, mas ainda com elevada incerteza

Apesar do sinal relativamente consistente apresentado pelas últimas saídas do ECMWF, importa recordar que as previsões de longo prazo devem ser interpretadas como tendências atmosféricas e não como previsões diárias. A mais de um mês de distância, pequenas alterações na circulação atmosférica podem modificar significativamente a evolução prevista, sobretudo no que diz respeito às temperaturas extremas e à precipitação.

Assim, embora os modelos apontem para um enfraquecimento gradual do calor anómalo até ao final de agosto, será essencial acompanhar as previsões de curto e médio prazo nas próximas semanas, uma vez que estas permitem confirmar, ou ajustar, a evolução inicialmente sugerida pelos modelos de longo alcance.