Hospital de Évora é o primeiro em Portugal a usar IA para detetar cancro do colo do útero
Genius Digital Imager combina algoritmos de inteligência artificial com análise de imagens de alta resolução para identificar lesões pré-cancerosas e cancerosas com elevada eficiência.

O Hospital do Espírito Santo de Évora é a primeira instituição pública do país a utilizar a Inteligência Artificial para aumentar a precisão do rastreio do cancro do colo do útero.
A abordagem reduz o rastreio de dezenas de milhares de objetos a uma única galeria de imagens selecionadas, permitindo uma análise mais célere e rigorosa.
Com o novo modelo, o processo de diagnóstico deixa de depender exclusivamente da observação microscópica manual de lâminas.

Em vez disso, o processo é transferido para um ambiente digital de alta resolução onde a IA de aprendizagem profunda assinala áreas suspeitas que são revistas pelos citotécnicos.
Análises virtuais e diagnósticos assertivos
Sem amostras perdidas ou danificadas, o sistema disponibiliza informação em tempo real, sem custos de transporte, com lâminas digitais transmitidas virtualmente entre laboratórios e com tempo de análise acelerado.
São, portanto, múltiplos os benefícios para médicos e pacientes, como diagnósticos assertivos através da triagem assistida por computador, um fluxo de trabalho mais ágil e uma forte rastreabilidade, dado que todo o processo é monitorizado digitalmente.
Alentejo com o sistema mais avançado do país
O sistema, no entanto, não substitui o olhar clínico, mas aumenta a capacidade de deteção e validação dos profissionais de saúde.
Com o Genius Digital Imager, instalado nas primeiras semanas de março, o rastreio no Alentejo tornou-se num dos mais “avançados e seguros do país”, segundo destacou em comunicado a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), que gere o Hospital do Espírito Santo de Évora.
Carlos Quintana, diretor do Serviço de Anatomia Patológica da ULSAC.
O novo serviço assegura, a partir de agora, o rastreio de toda a região do Alentejo utilizando a genotipagem como teste primário, seguida da citologia nos casos indicados.

A entrada em funcionamento desta ferramenta digital inovadora permite aos profissionais identificarem precocemente situações de maior risco com elevados padrões de qualidade, segurança e rapidez.
Em causa está não somente a modernização de um serviço, mas um rastreio mais consistente e com uma eficácia sem precedentes.
Prevenção é o melhor trunfo para combater a doença
A prevenção, todavia, é a estratégia mais eficaz para combater o cancro do colo do útero. As tecnologias emergentes são grandes aliadas, mas a combinação da vacinação contra o HPV [papilomavírus humano] com o diagnóstico médico continua a ser indispensável para combater a doença, ressalvam os especialistas da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central.

Quase todos os cancros no colo do útero são provocados por infeções causadas pelo Papiloma Vírus Humano, um vírus transmitido sexualmente, mas que pode ser tratado ou evitado.
As Nações Unidas recomendam, por isso, que todas as raparigas com idades entre os 9 e os 14 anos sejam vacinadas e que todas as mulheres façam testes regulares no ginecologista.
Em Portugal, o cancro do colo do útero regista entre 700 e 1000 novos casos anuais, segundo a Liga Portuguesa do Cancro. Trata-se, aliás, de uma das neoplasias ginecológicas mais comuns no país.
A incidência é relativamente alta, com picos nas faixas etárias de 40-45 e 55-65 anos, representando uma causa significativa de mortalidade.