Exportações de frutas, legumes e flores atingiram os 2,6 mil milhões de euros em 2025. Espanha é o principal mercado
Os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (sobretudo a laranja), os frutos de casca rija (principalmente a amêndoa), o tomate fresco e a pera destacaram-se nas exportações, que subiram 5% face ao ano anterior.

A tempestade Kristin que varreu o Centro de Portugal em finais de janeiro e as tempestades e inundações que se lhe seguiram deixaram um rasto de destruição na agricultura e, em particular, na fruticultura.
A Lusomorango, uma organização de produtores (OP) de pequenos frutos fundada em 2005 e que se dedica à produção e comércio de pequenos frutos - morango, framboesa, amora e mirtilo - registou um “impacto severo” nas suas explorações agrícolas no concelho de Odemira.
Em consequência, foram destruídas ou seriamente danificadas infraestruturas agrícolas de vários produtores, sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção de pequenos frutos.
O primeiro apuramento dá conta de uma perda entre 50% a 70% da capacidade produtiva dos produtores da Lusomorango.
Esta OP, que agrega cerca de quatro dezenas de produtores associados, já conseguiu contabilizar “prejuízos diretos provisórios já superiores a 10 milhões de euros”, o que vai ter consequências diretas na atividade dos agricultores, no volume das colheitas e, também, nas exportações, já que a grande parte da produção de framboesas, amoras, mirtilos e morangos se destinam aos mercados externos.
Exportações de frutas cresceram 5%
Seja como for, essa contabilidade só vai ter de ser feita em 2026, porque, para já, é hora de quantificar os números das exportações realizadas o ano passado, quer em quantidade, quer em valor.

A associação Portugal Fresh, que agrega 112 sócios que representam cerca de 5000 agricultores, anunciou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, que as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5% em 2025, para 2,6 mil milhões de euros.
Voltando às frutas, legumes e flores, a União Europeia foi o principal destino das exportações deste setor, absorvendo 83,6% do valor, revela a Portugal Fresh.
E o principal cliente externo da produção nacional de frutas, legumes e flores continua a ser a Espanha, que vale 39% do total das exportações em valor. Seguem-se França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).
De acordo com os dados do INE, compilados pela Portugal Fresh, as frutas mais exportadas são, por esta ordem, os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (destaque para a laranja), os frutos de casca rija (destaque para a amêndoa), o tomate fresco e a pera.
"Orgulho para as empresas produtoras"
Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, não podia estar mais orgulhoso.

“O constante crescimento das exportações de frutas, legumes e flores é, sem dúvida, um orgulho para as empresas produtoras e demonstra que o setor agrícola e alimentar nacional é competitivo e apresenta qualidade nos seus produtos”,diz o responsável da Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal.
Agora, “para crescermos é necessário abrir novos mercados com uma diplomacia económica eficaz”, sublinha Gonçalo Andrade, num repto lançado ao Governo.
O presidente da Portugal Fresh lembrou, aliás, “os graves prejuízos” que a depressão Kristin provocou na agricultura, com culturas totalmente destruídas pela força do vento e da água.
Para Gonçalo Andrade não há dúvidas: “Só poderemos continuar a ser competitivos se apoiarmos os produtores nacionais que foram fortemente afetados. Apoiar o setor das frutas, legumes e flores, bem como o setor agroalimentar e florestal em geral, não é apenas uma questão de solidariedade para com os agricultores, é uma decisão estratégica para o país”.
É, pois, preciso “olhar para a economia rural e assegurar que os produtos produzidos no nosso país continuarão a chegar à nossa mesa e aos mercados de exportação”, afirma o presidente da Portugal Fresh.