Exportações de frutas, legumes e flores atingiram os 2,6 mil milhões de euros em 2025. Espanha é o principal mercado

Os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (sobretudo a laranja), os frutos de casca rija (principalmente a amêndoa), o tomate fresco e a pera destacaram-se nas exportações, que subiram 5% face ao ano anterior.

A Associação Portugal Fresh, que agrega 112 sócios que representam cerca de 5000 agricultores, anunciou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, que as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5% em 2025, para 2,6 mil milhões de euros.
A Associação Portugal Fresh, que agrega 112 sócios que representam cerca de 5000 agricultores, anunciou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, que as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5% em 2025, para 2,6 mil milhões de euros.

A tempestade Kristin que varreu o Centro de Portugal em finais de janeiro e as tempestades e inundações que se lhe seguiram deixaram um rasto de destruição na agricultura e, em particular, na fruticultura.

A Lusomorango, uma organização de produtores (OP) de pequenos frutos fundada em 2005 e que se dedica à produção e comércio de pequenos frutos - morango, framboesa, amora e mirtilo - registou um “impacto severo” nas suas explorações agrícolas no concelho de Odemira.

Em consequência, foram destruídas ou seriamente danificadas infraestruturas agrícolas de vários produtores, sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção de pequenos frutos.

O primeiro apuramento dá conta de uma perda entre 50% a 70% da capacidade produtiva dos produtores da Lusomorango.

Esta OP, que agrega cerca de quatro dezenas de produtores associados, já conseguiu contabilizar “prejuízos diretos provisórios já superiores a 10 milhões de euros”, o que vai ter consequências diretas na atividade dos agricultores, no volume das colheitas e, também, nas exportações, já que a grande parte da produção de framboesas, amoras, mirtilos e morangos se destinam aos mercados externos.

Exportações de frutas cresceram 5%

Seja como for, essa contabilidade só vai ter de ser feita em 2026, porque, para já, é hora de quantificar os números das exportações realizadas o ano passado, quer em quantidade, quer em valor.

Os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (sobretudo a laranja) e os frutos de casca rija (principalmente a amêndoa) foram dos mais exportados.
Os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (sobretudo a laranja) e os frutos de casca rija (principalmente a amêndoa) foram dos mais exportados.

A associação Portugal Fresh, que agrega 112 sócios que representam cerca de 5000 agricultores, anunciou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, que as exportações de frutas, legumes e flores cresceram 5% em 2025, para 2,6 mil milhões de euros.

Estes números das vendas para o exterior nas frutas, legumes e flores representam “mais um recorde anual” e comparam com outros setores exportadores. Elas valeram mais de duas vezes e meia o valor das exportações dos vinhos, por exemplo, que se ficaram pelos 953,5 milhões de euros em 2025, 1,09% abaixo dos números de 2024 devido às quebras nas vendas para os Estados Unidos da América.

Voltando às frutas, legumes e flores, a União Europeia foi o principal destino das exportações deste setor, absorvendo 83,6% do valor, revela a Portugal Fresh.

E o principal cliente externo da produção nacional de frutas, legumes e flores continua a ser a Espanha, que vale 39% do total das exportações em valor. Seguem-se França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).

De acordo com os dados do INE, compilados pela Portugal Fresh, as frutas mais exportadas são, por esta ordem, os pequenos frutos (com destaque para a framboesa), o tomate preparado ou conservado, os citrinos (destaque para a laranja), os frutos de casca rija (destaque para a amêndoa), o tomate fresco e a pera.

"Orgulho para as empresas produtoras"

Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, não podia estar mais orgulhoso.

O principal cliente externo da produção nacional de frutas, legumes e flores continua a ser a Espanha, que vale 39% do total das exportações em valor. Seguem-se França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).
O principal cliente externo da produção nacional de frutas, legumes e flores continua a ser a Espanha, que vale 39% do total das exportações em valor. Seguem-se França (13%), Países Baixos (9%), Alemanha (8%) e Reino Unido (6%).

“O constante crescimento das exportações de frutas, legumes e flores é, sem dúvida, um orgulho para as empresas produtoras e demonstra que o setor agrícola e alimentar nacional é competitivo e apresenta qualidade nos seus produtos”,diz o responsável da Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal.

“Quando falamos das exportações, importa reforçar a importância do Acordo de Comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul. Esta é uma oportunidade globalmente positiva para o agroalimentar português – principalmente nas frutas – e europeu, já que possibilita o acesso a um mercado de 270 milhões de consumidores”, afirma ainda Gonçalo Andrade. Também o Acordo União Europeia-Índia que “vai permitir às empresas portuguesas exportarem mais, de forma mais simples e barata, para este gigante asiático”, diz o presidente da Portugal Fresh, classificando este mercado asiático como “de extrema importância”.

Agora, “para crescermos é necessário abrir novos mercados com uma diplomacia económica eficaz”, sublinha Gonçalo Andrade, num repto lançado ao Governo.

O presidente da Portugal Fresh lembrou, aliás, “os graves prejuízos” que a depressão Kristin provocou na agricultura, com culturas totalmente destruídas pela força do vento e da água.

Para Gonçalo Andrade não há dúvidas: “Só poderemos continuar a ser competitivos se apoiarmos os produtores nacionais que foram fortemente afetados. Apoiar o setor das frutas, legumes e flores, bem como o setor agroalimentar e florestal em geral, não é apenas uma questão de solidariedade para com os agricultores, é uma decisão estratégica para o país”.

É, pois, preciso “olhar para a economia rural e assegurar que os produtos produzidos no nosso país continuarão a chegar à nossa mesa e aos mercados de exportação”, afirma o presidente da Portugal Fresh.