Dezembro de 2022 foi o oitavo mais quente da Terra nos últimos 143 anos

A NOAA divulgou a análise da temperatura global referente ao mês de dezembro e concluiu que este foi o oitavo dezembro mais quente, desde que se iniciaram os registos em 1880.

Em dezembro de 2022 a temperatura média global de superfície foi a oitava mais elevada para o mês de dezembro.
Em dezembro de 2022 a temperatura média global de superfície foi a oitava mais elevada para o mês de dezembro.

Os Centros Nacionais de Informação Ambiental (NCEI-National Centers for Environmental Information) da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) dos EUA calculam mensalmente a anomalia da temperatura global com base em dados preliminares gerados a partir de observações de temperatura de todo o mundo tanto da superfície da terra como da superfície dos oceanos.

Temperatura no globo em dezembro de 2022

Segundo os cientistas dos Centros Nacionais de Informação Ambiental da NOAA, a temperatura média global da superfície em dezembro foi 0,80 °C acima da média do século XX, que é de 12,2 °C. Dezembro de 2022 foi o 46º dezembro consecutivo e o 455º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século XX.

Anomalias da temperatura da superfície do globo, no mês de dezembro no período de 1880 a 2022. Fonte: NOAA Global Climate Report December 2022
Anomalias da temperatura da superfície do globo, no mês de dezembro no período de 1880 a 2022. Fonte: NOAA Global Climate Report December 2022

O período de janeiro a dezembro também foi caracterizado por condições mais quentes do que a média em grande parte do globo. O ano de 2022 foi o sexto ano mais quente desde que os registos globais começaram em 1880.

Temperatura nos continentes e oceanos

Em África, dezembro de 2022 igualou o ano de 2016 entre os cinco mais quentes de sempre e na América do Sul, onde na maior parte das regiões foram observadas condições mais quentes do que a média, dezembro de 2022 foi o quarto mais quente de todos os registos. A Europa teve o seu 10º mês de dezembro mais quente de que há registo.

A América do Norte e a Ásia tiveram um dezembro mais quente do que a média, embora não se tenha situado entre os vinte mais quentes de que há registo, sendo o mais frio desde 2013. A Oceânia teve o dezembro mais frio em mais de dez países, com a Austrália a registar uma temperatura média, 0,21 °C abaixo da média.

Em relação às temperaturas da superfície dos oceanos, estas foram acima da média em grande parte do Atlântico e do Pacífico norte, oeste e sudoeste e em partes do norte do Oceano Índico.

Globalmente, as temperaturas recordes mais altas de dezembro atingiram cerca de 7,5% da superfície do globo, contudo, menos de 1% da superfície do globo registou temperaturas recordes mais frias.

Anomalias da temperatura média da superfície do globo em dezembro de 2022, em relação ao valor médio no período 1991-2020 (áreas a cinzento representam falta de dados). Fonte: NOAA Global Temp v5.0.0-20230108
Anomalias da temperatura média da superfície do globo em dezembro de 2022, em relação ao valor médio no período 1991-2020 (áreas a cinzento representam falta de dados). Fonte: NOAA Global Temp v5.0.0-20230108

O hemisfério norte teve o seu 10º mês de dezembro mais quente de sempre com 0,99 °C acima da média. Entretanto, o hemisfério sul teve o seu 8º mês de dezembro mais quente com 0,59 °C acima da média.

Gelo no Ártico, Antártida e precipitação à escala global

A extensão de gelo no Ártico foi a 7ª menor extensão para dezembro, enquanto que na Antártida foi a 2ª menor extensão para dezembro.

Dezembro de 2022 viu precipitações acima da média em grande parte do oeste, centro-norte e leste costeiro dos EUA, bem como em partes do Brasil oriental, Europa ocidental, Europa central oriental e Ásia central ocidental, sul do Japão e norte da Oceânia.

É de assinalar, em relação à precipitação, a tempestade severa de neve que atingiu em especial a região de Buffalo e New York nos EUA, provocando a morte de mais de 20 pessoas e as cheias extremas ocorridas nas Filipinas que causaram mais de 50 mortes e mais de 50.000 pessoas desalojadas.