Chuva em Portugal: a partir de segunda-feira, dia 9, outro rio atmosférico alimentará as chuvas no oeste da Europa

Após Leonardo e a precipitação excecional sobre as bacias do Mondego, Tejo, Sado e Guadiana, mais frentes associadas a tempestades continuarão a chegar a Portugal nos próximos dias: um novo rio atmosférico atingirá a nossa geografia na segunda-feira 9.

Nos próximos dias o guarda-chuva vai continuar a ser necessário em Portugal continental.
Nos próximos dias o guarda-chuva vai continuar a ser necessário em Portugal continental.

De ontem para hoje foram registados valores de pluviosidade impressionante, que se traduziram em cheias e inundações de várias zonas do Centro-Sul do país, com destaque para Alcácer do Sal e para a subida de até cerca de 7 metros do caudal do rio Guadiana. A combinação de uma frente associada à tempestade Leonardo com um rio atmosférico carregado de humidade proveniente das latitudes tropicais foi decisiva.

O que é um rio atmosférico?
Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas na atmosfera que funcionam como verdadeiros “corredores de transporte de vapor de água”, deslocando grandes quantidades de humidade desde as zonas tropicais até às latitudes médias. Quando interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis, podem gerar chuva forte e persistente.

O temporal provocou inúmeros problemas pelo país fora: transbordamentos de vários rios, inundações em zonas urbanas, deslizamentos de terras, entre outros. O mais preocupante é o facto de que a instabilidade meteorológica, por enquanto, não dará tréguas: segundo o modelo europeu, vai continuar a chover abundantemente em Portugal continental nos próximos dias, pelo que o risco de ocorrências como as acima mencionadas irá manter-se bastante elevado.

Solos saturadíssimos de água. O “comboio” de tempestades e frentes persistirá

A chuva está a ser extremamente persistente, ganhando contornos de maior abundância nas zonas geográficas cuja orografia está orientada para os ventos de Oeste/Sudoeste que chegam carregados de vapor de água após percorrerem o Atlântico.

A isto juntam-se os solos saturados que já não conseguem absorver mais água, os rios a transbordar, as albufeiras e barragens no limite (em várias já foram efetuadas manobras de segurança e descargas para evitar males maiores) e o derretimento da neve dos cumes das principais montanhas do Norte e Centro do país.

Em vários distritos do Norte e Centro prevê-se que a precipitação acumulada supere facilmente os 200 mm até ao final de terça-feira, 10 de fevereiro. Poderá ultrapassar, nalguns locais, os 300 mm.
Em vários distritos do Norte e Centro prevê-se que a precipitação acumulada supere facilmente os 200 mm até ao final de terça-feira, 10 de fevereiro. Poderá ultrapassar, nalguns locais, os 300 mm.

Nos próximos dias esta situação pouco mudará. Após Leonardo, os mapas de referência da Meteored continuam a insistir na chegada de mais sistemas frontais muito ativos a Portugal, associados a pelo menos mais uma tempestade.

Até ao final da próxima terça-feira (10) preveem-se acumulados superiores a 200 mm nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e setores ocidentais dos distritos de Vila Real e Viseu. Em algumas zonas, como por exemplo nas zonas do Sever de Vouga e Serra do Arestal - entre Vale de Cambra e Águeda - estes registos poderão superar localmente os 300 mm, trazendo novos problemas.

No final da próxima semana é possível que se dê uma mudança na tendência meteorológica, tendo em conta as últimas atualizações dos principais modelos de previsão (europeu e americano). O anticiclone dos Açores poderá gradualmente estender a sua influência sobre Portugal continental ao subir em latitude, porém a incerteza mantém-se elevada neste horizonte temporal.

Mesmo assim, é preciso ter em conta que a primeira metade da próxima semana será novamente chuvosa em toda a geografia do Continente, segundo o modelo de confiança da Meteored (Europeu).

Um novo rio atmosférico marcará o arranque da próxima semana, especialmente em Portugal continental e Açores

Entre segunda e terça-feira, dias 9 e 10 de fevereiro, um novo rio atmosférico, carregado de ar tropical quente e muito húmido, será impulsionado para o arquipélago dos Açores e Portugal continental devido ao transporte promovido pela circulação da nova tempestade atlântica e ao posicionamento do anticiclone dos Açores. De acordo com os mapas, o rio de humidade atingirá especialmente as regiões Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa e Alto Alentejo, onde contribuirá para a intensificação, eficiência e persistência da chuva.

No início da próxima semana um novo rio atmosférico irá atingir o Sudoeste Europeu.
No início da próxima semana um novo rio atmosférico irá atingir o Sudoeste Europeu.

Com a progressão da tempestade atlântica para leste, o rio de humidade afetará também o sul de França e as Ilhas Britânicas, trazendo chuva intensa. Os valores de precipitação diários previstos para o início da próxima semana não são tão significativos como os dos últimos dias, mas é importante recordar que continuará a chover sobre várias regiões que estão saturadíssimas de água, isto é, num território que já está geralmente fragilizado e vulnerável.

Aqui na Meteored Portugal apelamos ao bom-senso e recomendamos o seguimento dos avisos, conselhos e instruções emitidos pelas autoridades e instituições. Com os solos saturados, rios a transbordar e várias albufeiras e barragens no limite, mesmo que a chuva abrande, continuará a haver problemas. Atenção também ao elevado risco de derrocadas e deslizamentos de terra, especialmente nas zonas montanhosas.