Blake e Claudia: dois ciclones atingem a Austrália na mesma semana

Algumas áreas da Austrália estão a ser fustigadas pelos primeiros ciclone tropicais do verão, o Blake e a Claudia. O país tem sofrido com incêndios colossais e os efeitos destes ciclones poderão aliviar as áreas queimadas, ao mesmo tempo que podem agravar a frágil situação australiana.

João Tomás João Tomás 08 Jan. 2020 - 12:31 UTC
Ciclone Blake
Ciclone tropical Blake foi o primeiro ciclone nomeado da temporada australiana de 2019/2020. Créditos: Elders Weather

O ex-ciclone tropical Blake, assim nomeado pelos meteorologistas australianos, tem afetado partes da Austrália. Foi o primeiro ciclone da temporada estival, marcada por incêndios de grandes dimensões que se têm multiplicado naquele território. Está a atingir com maior intensidade a parte Ocidental da ilha.

Ao longo do dia de hoje, os vestígios do ex-ciclone Blake podem ainda atingir a categoria 2, no que diz respeito às rajadas de vento (poderão superar 125 km/h). As autoridades prevêem inundações em algumas áreas, devido à elevada precipitação e os vários danos estruturais causados pela intensidade e velocidade do vento e pela forte agitação marítima. Este ciclone foi também acompanhado por trovoadas severas.

O ex-ciclone tropical entrou em contacto com a superfície terreste, ainda na Categoria 1, na costa Noroeste do Oeste australiano entre as cidades de De Grey e Wallal Downs, afetando diretamente Shay Gap, Broome, Marble Bar e Nullagine.

A cidade de Broome registou na noite passada, precipitações na ordem dos 146 mm/m2 e rajadas de vento de 100 km/h, que provocaram o cancelamento de vários voos domésticos levando a que 100 pessoas tivessem de procurar abrigo em instalações próprias. Algumas áreas mais para Sudoeste estimam acumulados de precipitação a rondar os 200 mm/m2.

O ciclone Blake vai continuar o seu percurso em direção a Sudeste, a uma velocidade de 14 km/h e com ventos sustentados de 75 km/h, sendo que à medida que se for deslocando para o interior da ilha, irá perder força e capacidade destrutiva. Esta informação foi confirmada pelo Instituto de Meteorologia Australiano, B.O.M. na sigla em inglês.

Segundo ciclone do verão australiano está a caminho

Enquanto o Blake afeta os territórios do Oeste, a costa Norte, perto da cidade de Darwin, vai ser afetada por um sistema de baixas pressões tropicais, que vai ser nomeado de Cláudia.

Este segundo ciclone tropical também deverá evoluir para a Categoria 2, deslocando-se para Sudoeste, prevendo-se que entre em contacto com a superfície terrestre entre Cape Shield e Cape Don, afetando diretamente a cidade de Gunbalanya. Nesta área, o BOM alertou a população para a possibilidade de precipitação intensa, rajadas de vento superiores a 90 km/h e inundações em áreas costeiras devido à forte agitação marítima.

A humidade e a precipitação elevada, características destes eventos meteorológicos, podem ajudar no combate aos fogos florestais que têm devastado o território australiano nos últimos dois meses. No entanto, a área mais afetada pelos incêndios, a costa Leste, não vai beneficiar em nada com a passagem deste ciclone.

A NASA considera que estes ciclones tropicais são os fenómenos meteorológicos mais poderosos a ocorrer na superfície terrestre. A temporada de ciclones tropicais começou agora naquela área do globo, apesar de oficialmente ter iniciado em novembro, sendo mais um fator de preocupação para as autoridades, já assoberbadas pelo poder avassalador dos incêndios florestais.

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