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Castelos centenários ameaçados pela subida do nível do mar no Reino Unido

O aumento do nível médio das águas do mar, a erosão costeira e as cada vez mais intensas e frequentes tempestades têm ameaçado o futuro e o presente de muitos castelos no Reino Unido. Saiba mais aqui!

Hurst Castle Hampshire
Uma secção do Hurst Castle em Hampshire colapsou em fevereiro de 2021. Fonte: Renoufdesign

O período de desregulação climática que vivemos, do qual o ser humano é o principal responsável, contribui de forma substancial para o aumento do nível médio das águas do mar, contribuindo para uma taxa de crescimento maior do que em qualquer século anterior, em pelo menos 2.800 anos.

À medida que o nível do mar sobe, mais áreas litorais são expostas a tempestades de maior dimensão e frequência e o impacto das ondas causadas pelo vento é maior, aumentando a erosão costeira. Quando o nível do mar sobe a este ritmo tão acelerado, um ligeiro aumento de milímetros ou centímetros pode ter efeitos devastadores.

Significa isto que centenas de cidades costeiras enfrentam o perigo de inundações. Do mesmo modo, também o património histórico e cultural está suscetível a sofrer as consequências deste aumento, fazendo perigar as suas estruturas, mas sobretudo o seu legado, a sua história e memória e a sua significância coletiva e valor identitário.

O facto é que castelos que existem há centenas de anos correm o risco de serem danificados pelos efeitos das alterações climáticas, alerta a instituição de caridade English Heritage.

A organização, que administra mais de 400 locais históricos em toda a Inglaterra, destacou seis castelos ameaçados pela erosão costeira e pelo aumento do nível do mar que incluem os conhecidos Tintagel, na Cornualha, e Hurst Castle, em Hampshire. A lista inclui também os castelos de Piel Castle, Bayard's Cove Fort, , Garrison Walls, Garrison Walls e Calshot Castle.

A subida do nível das águas do mar

O aumento do nível do mar está intimamente ligado a três motivos fundamentais, todos induzidos pelo atual período de alterações climáticas: expansão térmica, degelo de glaciares e perda de camadas de gelo da Gronelândia e Antártida.

Esta subida não é uniforme em todas as regiões do globo. As comunidades próximas às linhas de costa são afetadas pelo aumento local do nível do mar, também chamado de aumento relativo do nível do mar, que reflete o aumento global do nível do mar (referência à escala global), as mudanças na elevação terrestre local, as marés e os ventos. Este acontece, portanto, a valores distintos em áreas do planeta diferentes.

Ao longo do século XX, o nível médio global do mar subiu a cerca de 1,5 mm por ano. No início dos anos 1990, apresentava um crescimento médio de 2,5 mm por ano. Durante a última década, aumentou para 3,9 mm por ano.

O mais recente relatório do Escritório de Meteorologia do Reino Unido (Met Office, em inglês) afirma que desde 1900, o nível do mar aumentou cerca 16,5 centímetros no Reino Unido. Embora a taxa de aumento tenha sido de 1,5 mm por ano desde 1900, nos últimos 30 anos as taxas de crescimento conheceram um aumento entre 3,0 a 5,2 mm a cada ano, dependendo da localização geográfica.

Segundo relatório produzido pela NASA e outras instituições governamentais norte-americanas, o nível médio global do mar aumentou cerca de 21 cm desde 1900. Nos últimos 19 anos o crescimento acumulado foi de 7,5 cm.

Esta subida, mesmo que traduzida em milímetros ou centímetros, pode significar alterações drásticas nas linhas de costa e impulsionar os efeitos das tempestades litorais.

O que podemos esperar

O mesmo relatório da NASA, de 15 de fevereiro deste ano, e que vem atualizar o relatório produzido em 2017, conclui que o nível do mar ao longo das costas dos Estados Unidos da América aumentará entre 25 a 30 centímetros até 2050, muito acima dos níveis atuais. A projeção é de que o aumento do oceano nos próximos 30 anos possa ser igual ao aumento total observado nos últimos 100 anos.

“Este relatório (...) confirma o que sabemos há muito tempo: o nível do mar continua a subir a um ritmo alarmante, colocando em risco comunidades em todo o mundo”, disse o administrador da NASA, Bill Nelson.

Para o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, sigla em inglês) podemos contar com uma subida dos oceanos a rondar os 26 e os 77 centímetros até 2100, com as temperaturas a aquecerem 1,5 graus Celsius.

Impactes no património

Existe um consenso alargado entre os cientistas de que, mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa que aquecem a Terra sejam drasticamente reduzidas, os níveis globais do mar continuarão a subir por várias centenas de anos. Níveis mais altos do mar significam ondas mais poderosas e uma erosão costeira mais rápida.

Assim, exige-se que sejam tomadas medidas e ações de mitigação que visem reduzir as causas, nomeadamente a emissão de gases com efeito de estufa, e de adaptação a estes fenómenos, que procurem minimizar os efeitos negativos dos impactes destes, por formar a preservarmos a nossa história e a nossa memória.