Barragens portuguesas continuam em níveis elevados, mas maio trouxe os primeiros sinais de mudança

Depois de vários meses marcados pela subida das reservas hídricas, maio trouxe os primeiros sinais de descida em várias barragens portuguesas, embora os níveis de armazenamento continuem elevados e acima da média para esta altura do ano.

Maio trouxe os primeiros sinais de descida nas barragens portuguesas, numa altura em que o tempo mais seco e as temperaturas mais elevadas começaram a refletir-se sobretudo no Sul e interior do país.
Maio trouxe os primeiros sinais de descida nas barragens portuguesas, numa altura em que o tempo mais seco e as temperaturas mais elevadas começaram a refletir-se sobretudo no Sul e interior do país.

As barragens portuguesas terminaram o mês de maio com níveis de armazenamento globalmente elevados, embora várias bacias hidrográficas tenham começado a registar as primeiras descidas mais consistentes dos últimos meses. Depois de um inverno muito chuvoso e de vários meses marcados pela subida quase contínua das reservas hídricas, os dados mais recentes começam agora a indicar uma mudança gradual na tendência hidrológica em Portugal continental.

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Segundo o boletim semanal da APA/SNIRH, o volume total armazenado atingia, a 25 de maio, cerca de 12 119 hm³, o equivalente a 91% da capacidade total monitorizada. Os valores continuam bastante acima da média para esta altura do ano, numa fase em que muitas albufeiras começam naturalmente a perder armazenamento com a aproximação do verão.

Barragens começam a perder armazenamento após meses de recuperação

Ao longo do mês, o comportamento atmosférico acabou por ser distinto entre a primeira e a segunda quinzena. Nas primeiras semanas de maio predominou maior instabilidade, com precipitação frequente em várias regiões do país, sobretudo no Norte e Centro.

O mapa mostra a percentagem de armazenamento registada nas diferentes bacias hidrográficas portuguesas no final de maio. Grande parte do território surge representada a azul escuro, tonalidade associada a volumes armazenados acima dos 80% da capacidade total. As exceções mais evidentes localizam-se no Norte, sobretudo nas bacias do Lima e do Ave, onde os valores permanecem ligeiramente abaixo da média histórica para o mês de maio. Os números apresentados em cada bacia correspondem ao armazenamento atual (azul) e à média histórica de maio (cinzento). Fonte: APA/SNIRH
O mapa mostra a percentagem de armazenamento registada nas diferentes bacias hidrográficas portuguesas no final de maio. Grande parte do território surge representada a azul escuro, tonalidade associada a volumes armazenados acima dos 80% da capacidade total. As exceções mais evidentes localizam-se no Norte, sobretudo nas bacias do Lima e do Ave, onde os valores permanecem ligeiramente abaixo da média histórica para o mês de maio. Os números apresentados em cada bacia correspondem ao armazenamento atual (azul) e à média histórica de maio (cinzento). Fonte: APA/SNIRH

Já na segunda metade do mês, o tempo tornou-se gradualmente mais seco e quente, reduzindo a afluência às principais barragens e acelerando as perdas de armazenamento em várias bacias hidrográficas. Entre 18 e 25 de maio, 10 das 15 bacias monitorizadas registaram descidas, enquanto apenas cinco apresentaram aumentos. Mesmo com estas perdas, 80% das albufeiras permaneciam acima dos 80% da capacidade total e nenhuma se encontrava abaixo dos 40%.

Barragens a sul do Tejo começam a registar as descidas mais significativas

As descidas mais evidentes começaram a surgir sobretudo no Sul do território e em algumas barragens do interior. O Guadiana perdeu 1,3% do volume armazenado, enquanto as Ribeiras do Barlavento e do Sotavento algarvio registaram reduções próximas de 1%. A barragem de Belver perdeu 11% numa semana, Fratel 8% e Valeira 6%, refletindo a redução da precipitação e o aumento da evaporação.

O mapa representa o armazenamento nas principais barragens da bacia do Tejo no final de maio. O azul escuro domina grande parte da região, com Cabril, Bouçã, Montargil e Maranhão entre as barragens com níveis mais elevados. Em contraste, Belver, Fratel e Póvoa e Meadas apresentam volumes mais baixos relativamente às restantes albufeiras da bacia. Fonte: APA/SNIRH
O mapa representa o armazenamento nas principais barragens da bacia do Tejo no final de maio. O azul escuro domina grande parte da região, com Cabril, Bouçã, Montargil e Maranhão entre as barragens com níveis mais elevados. Em contraste, Belver, Fratel e Póvoa e Meadas apresentam volumes mais baixos relativamente às restantes albufeiras da bacia. Fonte: APA/SNIRH

Apesar destas descidas, várias albufeiras continuam com níveis elevados para o final de maio. Alqueva permanecia nos 93% da capacidade total, Santa Clara nos 98% e Odeleite nos 95%. Mais a norte, as bacias do Douro, Vouga e Mondego mantinham armazenamentos entre os 91% e os 98%, beneficiando da forte recarga acumulada durante o inverno e da precipitação registada no início de maio.

Os dados mostram que 14 das 15 bacias hidrográficas monitorizadas apresentavam valores acima da média de maio, sendo o Ave a única abaixo da média histórica. Apesar do cenário favorável, junho poderá trazer descidas mais evidentes caso persistam o tempo seco e as temperaturas elevadas.

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