Trás-os-Montes usa tecnologia pioneira para travar o avanço dos fogos rurais
Plataforma digital cruza dados de propriedade com mapas de risco, permitindo aos nove municípios transmontanos antecipar limpezas e proteger o património florestal contra a ameaça dos incêndios florestais.

O verão em Trás-os-Montes traz consigo um calor seco que transforma a paisagem num gigantesco combustível à espera de uma centelha. A gestão das vastas extensões de pinheiro-bravo e a monitorização de matos densos representaram uma tarefa hercúlea para as autoridades locais. A desertificação e o abandono rural exacerbaram esta vulnerabilidade, colocando a região num patamar de perigosidade muito alta.
A ferramenta de apoio à decisão técnica cruza, num único mapa digital, informações dispersas sobre a titularidade dos terrenos com dados geográficos relevantes. Através desta plataforma, os técnicos municipais conseguem identificar em segundos quais os prédios rústicos situados em zonas críticas de risco.
Se uma faixa de gestão de combustível precisa de limpeza urgente, o sistema revela imediatamente quem é o proprietário responsável, acelerando o planeamento das intervenções preventivas.
A precisão técnica na gestão do território
A inovação reside na capacidade de integrar o Balcão Único do Prédio com indicadores críticos como áreas ardidas anteriormente ou perímetros urbanos sensíveis. Esta organização da informação permite não apenas o planeamento de ações preventivas, mas também o reforço da fiscalização nas faixas de 100 metros obrigatórias junto às casas.
Os operacionais nos nove municípios da região já começam a utilizar este mapa dinâmico para priorizar o terreno. O investimento supramunicipal reflete um compromisso coletivo com a proteção dos recursos naturais, transformando o cadastro rústico, tantas vezes burocrático, num escudo preventivo.

Esta estratégia assegura que as medidas de limpeza cheguem primeiro aos locais onde a necessidade é maior, evitando que a falta de informação atrase a proteção das populações.
Videovigilância reforça a proteção das serras
A estratégia de defesa contra o fogo completa-se com um sistema de videovigilância em tempo real instalado em pontos estratégicos da região. A Serra de Bornes, a Serra da Castanheira e a Serra da Nogueira beneficiam agora de torres que cobrem vastas extensões montanhosas, permitindo uma resposta rápida a qualquer foco de ignição.
Este projeto, que resulta de um esforço de investimento conjunto em tecnologia, cria uma rede de observação que potencia a eficiência dos meios no terreno. A monitorização constante destas áreas florestais, somada à capacidade de identificar proprietários em zonas de risco, marca uma viragem na forma como a região encara a gestão da paisagem.
O esforço tecnológico não substitui a ação humana, mas oferece aos profissionais da proteção civil e da floresta os dados necessários para tomar decisões acertadas antes que o fogo tome conta do horizonte transmontano.
Referência da notícia
CIM Terras de Trás-os-Montes. Produção de Cartografia Intermunicipal para Avaliação de Riscos Associados às Alterações Climáticas.
CIM Terras de Trás-os-Montes. Sistema de Vigilância e Apoio à Decisão Operacional.