IPMA revela que abril foi um mês muito quente e muito seco: meteorologista Teresa Abrantes analisa o mais relevante

O mês de abril de 2026, em Portugal continental, classificou-se, do ponto de vista climatológico, como um mês muito quente em relação à temperatura do ar e muito seco em relação à precipitação.

Depois de um inverno chuvoso, o primeiro mês da primavera foi muito seco.
Depois de um inverno chuvoso, o primeiro mês da primavera foi muito seco.

Em abril, o estado do tempo em Portugal continental foi condicionado predominantemente por Anticiclones, quer localizado sobre as ilhas Britânicas, promovendo fluxos de ar de origem continental, mais quentes e secos, quer na região do arquipélago dos Açores e estendendo-se em crista até à Península Ibérica. No entanto, a passagem de superfícies frontais e linhas de instabilidade associadas a depressões deram origem a alguma precipitação por vezes forte, em regime de aguaceiros e acompanhados de trovoada.

Temperatura média muito acima dos valores normais para esta altura do ano

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, IPMA, em Portugal continental, no mês de abril, o valor médio da temperatura média do ar, 16,10 °C, foi 2,12 °C superior ao valor da normal 1991-2020.

Abril de 2026 foi o 6º abril mais quente desde 1931, tendo o mais quente ocorrido em 1945, com 17.19 °C.

Anomalias da temperatura média do ar no mês de abril, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: IPMA
Anomalias da temperatura média do ar no mês de abril, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: IPMA

O valor médio da temperatura máxima do ar, 22,59 °C, foi 3,29 °C acima do valor médio no período 1991-2020 e foi a 6ª mais alta para o mês de abril.

No ano 2023 registou-se o abril mais quente no Continente, com 23,77 °C.

O valor médio da temperatura mínima do ar, 9,60 °C, registou uma anomalia de 0,95°C superior ao valor normal, sendo o 13º valor mais alto desde 1931 e o 5º desde 2000. O valor mais alto, 11.18 °C, registou.se em 1945.

O maior valor da temperatura máxima do ar foi 32,9 °C, que se registou em Mora, no dia 27 e o menor valor da temperatura mínima do ar, - 1,4 °C, ocorreu em Lamas de Mouro, no dia 12 e em Carrazeda de Ansiães, no dia 13.

No dia 27 de abril, o mais quente do mês, a anomalia atingiu os 7.8 °C na temperatura máxima e os 6.0 °C na temperatura média, com cerca de 25% das estações meteorológicas do IPMA a registarem uma temperatura máxima superior a 30.0 °C.

Entretanto, o dia mais frio do mês foi o dia 13 de abril com anomalias negativas, de -4.0 °C na temperatura máxima, de -3.3 °C na temperatura média e de -2.5 °C na temperatura mínima do ar.

Registaram-se duas ondas de calor no mês de abril. A primeira ocorreu no período de 15 a 28, em 40% das estações, abrangendo o interior Norte e Centro e a sul do Tejo e a segunda, de 23 a 28, foi mais localizada, ocorrendo apenas em Montalegre, Cabril e Nelas.

É de destacar a duração da onda de calor em Miranda do Douro e Pinhão que teve uma duração respetivamente de 13 e 12 dias.

Durante o mês de abril verificaram-se novos extremos ou foram igualados maiores valores da temperatura mínima do ar em 9 estações meteorológicas do continente. As maiores diferenças registaram-se nas estações de Neves Corvo, 2,0 °C, e de Viana do Alentejo, 1,2 °C.

A precipitação em abril foi muito inferior ao valor normal

Ainda de acordo com o IPMA, o mês de abril de 2026 registou um total de precipitação mensal de 28,8 mm, com uma anomalia de -46,7 mm, muito inferior ao valor médio 1991-2020, sendo o 4º mais seco deste século e o 10º mais seco desde 1931.

Foi no ano de 2017 que se registou o abril mais seco, com 11.5 mm de precipitação mensal.

Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de abril, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: PMA
Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de abril, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: PMA

Ao longo do mês verificou-se a ocorrência de precipitação, não muito significativa, em três períodos do mês. De 6 a 8 registou-se em todo o território, de 13 a 15, no litoral Norte e Centro e de 26 a 29 no interior Norte e Centro com ocorrência de aguaceiros e trovoadas.

Neste mês de abril a região Norte registou um total mensal de cerca de metade do valor médio de abril, enquanto a região Sul registou apenas 1/3 do que é normal chover neste mês.

Registaram-se valores de precipitação mensal inferiores ao normal nas estações meteorológicas do IPMA, exceto em duas estações, Mirandela e Pinhão, onde foi ligeiramente superior ao valor médio climatológico para o período 1991–2020.

Cerca de 74% das estações meteorológicas registaram totais mensais inferiores a 50% da precipitação média habitual para o mês de abril.

Em abril, no dia 29, verificou-se um novo extremo de precipitação diária, 57,3 mm, na estação de Figueira de Castelo Rodrigo, onde o anterior extremo, 35.1 mm, se tinha registado no ano de 2016, no dia 15.

Em grande parte do território choveu menos de metade do que é normal para abril e em muitos concelhos dos distritos de Aveiro, Lisboa, Évora, Setúbal, Beja e Faro choveu apenas 1/4 do que é normal para o mês.

O maior valor mensal da quantidade de precipitação em abril foi registado na estação de Cabril, com 78,4 mm.

Monitorização da Seca – Índice PDSI

O valor da quantidade de precipitação acumulada no ano hidrológico 2025/2026 (1 de outubro de 2025 a 30 setembro de 2026), até final de abril, foi de 994.7 mm, o que corresponde a 148% do valor normal 1991-2020.

Este ano hidrológico (o período de 1 outubro a 30 abril) é o 16º mais chuvoso desde 1931 e o 2º mais chuvoso desde 2000, depois de 2001, com 1202.5 mm.

Neste mês de abril a região Norte registou um total mensal de cerca de metade do valor médio de abril, enquanto a região Sul registou apenas 1/3 do que é normal chover neste mês.

A 30 de abril constatou-se uma diminuição significativa dos valores de água no solo como consequência de um mês de abril muito seco e muito quente. No mês de abril verificou-se ainda uma diminuição gradual da disponibilidade de água no solo e uma redução do excesso de humidade acumulada durante o inverno.

De acordo com o Índice Meteorológico de Seca, PDSI, índice meteorológico de seca calculado pelo IPMA para monitorização da situação de seca, a 30 de abril verificou-se um enfraquecimento significativo das condições húmidas e a classe “chuva fraca” passou a predominar na maioria do território.

A distribuição percentual por classes do índice PDSI no território continental, no final de abril é a seguinte: 4.5% na classe normal, 89.0% na classe de chuva fraca e 6.5% na classe de chuva moderada.

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