A crescente ocorrência de eventos extremos como o Leslie!

No rescaldo de um fim-de-semana atribulado, o primeiro balanço da manhã de domingo, apontava para mais de um milhar de árvores derrubadas, cerca de sete dezenas de desalojados, mais de duas dezenas de feridos ligeiros, e ultrapassaram as quinze mil as habitações privadas de energia elétrica!

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 15 Out. 2018 - 09:39 UTC
Fenómeno meteorológico, sistema caótico, de percurso zigzagueante, o que dificulta a previsão no que concerne à definição da sua trajectória.

A comunidade meteorológica identificou-o como a mais poderosa tempestade a atingir Portugal desde 1872. Leslie definiu o seu “landfall” pelas 21h00 de sábado, entre os distritos de Lisboa e Coimbra, em direcção a norte, fazendo-se sentir durante o avançar da noite no Porto, Braga e Bragança, para chegar a Espanha na madrugada de domingo, começando por assolar Badajoz com precipitação muito intensa.

Um particular cenário potenciou a ocorrência do estado do tempo experienciado nos últimos dias em Portugal. A existência de uma frente fria no norte do território e ao mesmo tempo a tempestade pós-tropical que veio do sul, e que atingiu o território do continente, apesar de com menor intensidade do que previsto, registou máximos de rajadas na casa dos 170km/h.

É actualmente percetível uma tendência para o aumento da frequência de eventos extremos como o Leslie, considerando que as trajetórias dos Ciclones Tropicais no Atlântico Norte se estão a deslocar em média mais para norte do que para oeste.

Passada a tempestade, experienciamos a bonança, o Leslie já se foi, quem será o próximo?

Está relacionado com Alterações Climáticas?

Ora, pela sua intensidade, pode dizer-se que se trata de um fenómeno isolado. Para se aludir o estágio “Alterações Climáticas”, tem de ser considerada uma análise estatística das variáveis meteorológicas de um período correspondente a pelo menos 30 anos. Ou seja, não se pode rotular como um efeito directo. Contudo, é evidente que, a atual humanidade está a assistir a indícios que personificam um quadro de modificações da composição da atmosfera, definido como Alterações Climáticas.

E prova disso é a alteração da temperatura média global da atmosfera à superfície, ou o aumento na temperatura das águas superficiais do oceano, que desde o ano de 1900 até à actualidade subiram cerca de 1,5⁰C. E a chamada “estação de ciclones tropicais” dá-se com águas anormalmente quentes, sendo assim facilmente percetível que tudo isto é dinâmico, pois apesar de existir uma certa variação de ano para ano, é expectável que quando os ciclones tropicais se formam, asseverando o chamado “efeito borboleta”, eles atinjam cada vez mais, velocidades/intensidades muito elevadas, e ocorram com maior frequência!

Como sistema aberto e dinâmico, a atmosfera não tem sempre a mesma composição (note-se o desequilíbrio na quantidade de CO2 e CH4), e isso repercute-se em várias consequências como oscilações na temperatura do ar e a das águas oceânicas, e na ocorrência de fenómenos extremos! Note-se que têm ocorrido, em média mais ondas de calor, eventos de precipitação muito intensa (como o que assolou na passada semana as Ilhas Baleares, p.e.), isto porque, em média, a nível global, a atmosfera contém mais vapor de água, maior concentração de humidade, e exemplo disso foi a sensação térmica referida por portuenses entrevistados por órgãos de comunicação social horas antes da chegada do Leslie, os quais referiam uma “estranha” sensação de calor tropical, com ar quente e humidade à mistura.

Muito importante

Os meios tecnológicos actuais são veículos extremamente relevantes para ajudar na mitigação dos efeitos deste tipo de fenómenos nas comunidades como um todo, contudo, estes fenómenos podem efectivamente ser surpreendentes e não haver possibilidade de alerta efectivo. Daí que, a colaboração entre entidades, e a informação não deve ter efeito ilha, assim como a literacia das populações é o mote determinante para minimizar perdas mais graves!

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