Nova meta para 2026: começar a observar as estrelas em Portugal; um guia para principiantes
Guia 2026: como começar a observar as estrelas em Portugal, do eclipse solar histórico aos melhores destinos de céu escuro. Saiba mais aqui!

O ano de 2026 promete ser um ponto de viragem para a astronomia em Portugal. Entre a consagração do país como um dos melhores destinos mundiais para o astroturismo e a ocorrência de fenómenos celestes raros, nunca houve um momento tão propício para os portugueses trocarem a luz artificial das cidades pelo brilho milenar. Este guia explora como a nova meta de observar as estrelas se pode tornar uma realidade acessível, culminando num verão que ficará gravado na memória coletiva.
O evento da década: 12 de Agosto de 2026
O grande motor do interesse astronómico em 2026 é, sem dúvida, o Eclipse Solar de 12 de agosto.
Embora a faixa de totalidade — o corredor onde o dia se transforma em noite — atravesse maioritariamente o norte de Espanha, o nordeste de Portugal terá uma localização privilegiada. Em Bragança, o sol será ocultado em mais de 95%, enquanto cidades como Porto e Lisboa verão um eclipse parcial profundo.

Este fenómeno transformará a luz da tarde numa atmosfera etérea e metálica, servindo como o batismo ideal para qualquer novo observador. É crucial, contudo, o aviso de segurança: a observação direta exige filtros solares certificados, sob risco de danos oculares irreversíveis.
Portugal como santuário do céu escuro
Para lá do eclipse, Portugal destaca-se no mapa europeu pela qualidade dos seus céus. O crescimento das reservas Dark Sky é um testemunho desse esforço.
Mas a oferta expandiu-se: as Aldeias do Xisto, no centro, e o Vale do Tua, no norte, oferecem agora infraestruturas que permitem ao principiante observar o cosmos com o apoio de guias especializados e equipamento de alta gama. O segredo para o sucesso nesta meta de 2026 é a fuga à poluição luminosa; bastam 30 quilómetros de distância das grandes metrópoles para que o número de estrelas visíveis multiplique por dez.
A estratégia do principiante: menos é mais
Um dos maiores erros cometidos por quem se inicia na astronomia é a compra impulsiva de um telescópio complexo. Especialistas e associações, como a APAA (Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores ), defendem uma abordagem progressiva.
O passo seguinte não deve ser o telescópio, mas sim uns binóculos 10x50. Este instrumento, leve e intuitivo, é suficiente para revelar os mares da Lua, os satélites de Júpiter e até a Galáxia de Andrómeda, o objeto mais distante visível à vista desarmada.
Um calendário de ouro
O verão de 2026 será particularmente generoso. Coincidindo com a semana do eclipse, a chuva de meteoros das Perseidas ocorrerá sob um céu de Lua Nova a 12 de agosto, garantindo condições de escuridão absoluta para observar as "estrelas cadentes". É uma coincidência astronómica rara que transforma o mês de agosto no período mais importante para a ciência cidadã em Portugal nas últimas décadas.
Observar as estrelas em 2026 não é apenas um passatempo; é um exercício de perspetiva e de ligação à natureza. Com as ferramentas certas e o destino escolhido, o céu português será, este ano, a maior sala de espetáculos do país.
Referências da notícia:
https://origin.visitportugal.com/pt-pt/content/astroturismo
https://www.allaboutportugal.pt/pt/artigos/onde-ver-as-estrelas-em-portugal
https://observador.pt/especiais/os-melhores-sitios-para-tocar-as-estrelas-no-centro-de-portugal/