Tendência a 10 dias em Portugal: depressões continuam a ameaçar o país, mas o calor regressa antes de novo episódio

Depois da passagem de uma depressão, Portugal prepara-se para uma nova subida das temperaturas. Contudo, a estabilidade poderá durar pouco, já que uma nova depressão atlântica poderá trazer chuva ao Norte e Centro durante o próximo fim de semana.
A primeira quinzena de agosto deverá ficar marcada por um padrão atmosférico dinâmico em Portugal Continental. Depois da passagem de uma depressão que trouxe uma descida das temperaturas e alguma precipitação fraca, os modelos apontam agora para uma recuperação gradual do calor, interrompida por um novo episódio de instabilidade durante o próximo fim de semana (8 e 9).
Ainda assim, tratando-se de previsões de médio prazo, a evolução da circulação atmosférica poderá sofrer alterações.
Regimes euro-atlânticos sugerem uma atmosfera pouco persistente
Antes de analisar os mapas de pressão e temperatura, importa observar os Weather Regimes do ECMWF, que ajudam a compreender o comportamento da circulação atmosférica na região euro-atlântica.

Os regimes previstos para a primeira quinzena de agosto revelam uma atmosfera bastante dinâmica, com mudanças relativamente rápidas entre diferentes padrões e sem o domínio prolongado de um único regime. Apenas entre 7 e 8 de agosto surge uma maior probabilidade de ocorrência do padrão Atlantic Ridge (ATR), seguindo-se uma transição para NAO+, antes de novos períodos de reorganização da circulação. Já perto de 13 de agosto, surge temporariamente um padrão de bloqueio, embora a sua persistência seja reduzida.
Sendo previsões sub-sazonais, estes cenários apresentam naturalmente um grau de incerteza elevado e poderão sofrer alterações nos próximos dias.
Início da semana ainda com influência da depressão
Esta terça-feira, 4 de agosto, decorre ainda sob influência indireta da depressão atlântica que passou a norte de Portugal. O tempo continuará mais fresco no litoral e em parte do Norte e Centro, acompanhado por períodos de maior nebulosidade e ocorrência de chuva fraca e dispersa, sobretudo nas regiões do litoral norte.

Este cenário é compatível com a ausência de um regime euro-atlântico dominante, refletindo uma atmosfera em fase de transição.
Calor regressa entre quinta e sexta-feira
Entre quarta e sexta-feira (5 a 7 de agosto), o estado do tempo tenderá a estabilizar gradualmente.

As temperaturas voltarão a subir tanto no litoral como no interior, sendo o aumento mais evidente na quinta-feira (dia 6). Esta melhoria será favorecida pela formação de uma crista anticiclónica, uma região alongada de altas pressões que impedirá temporariamente a aproximação das depressões atlânticas à Península Ibérica.

Assim, são esperados dias com céu pouco nublado, precipitação ausente e um ambiente novamente mais quente, embora sem valores extremos.
Nova depressão poderá trazer chuva ao Norte e Centro nos dias 8 e 9 de agosto
A partir de sábado, 8 de agosto, os modelos sugerem uma nova alteração do estado do tempo.
Com o enfraquecimento da influência anticiclónica, uma depressão atlântica poderá aproximar-se da fachada ocidental da Península Ibérica, aumentando novamente a nebulosidade e a instabilidade.
Se esta tendência se confirmar, o Norte e o Centro serão as regiões com maior probabilidade de registar períodos de chuva, enquanto o Sul deverá permanecer relativamente protegido, mantendo tempo predominantemente seco.
Depois do fim de semana mantém-se a vigilância no Atlântico
Após este episódio de instabilidade, a tendência aponta novamente para uma estabilização temporária. No entanto, os modelos continuam a identificar outra depressão atlântica bastante cavada a noroeste da Península Ibérica.

A principal dúvida prende-se com a evolução da frente associada a este sistema. Para já, os mapas de confiança da Meteored indicam que a precipitação deverá perder intensidade sobre o Atlântico, não sendo expectável que consiga atingir Portugal Continental até, pelo menos, 14 ou 15 de agosto.
Ainda assim, tratando-se de previsões de médio prazo, pequenas alterações na posição do anticiclone ou na trajetória da depressão poderão modificar significativamente este cenário, pelo que será importante acompanhar as próximas atualizações dos modelos meteorológicos.