Mudanças no tempo em Portugal no final de setembro: a corrente de jato polar pode ondular e varrer o verão

O verão poderá finalmente perder força nos últimos dias de setembro. Uma ondulação da corrente de jato polar favorecerá a chegada de ar mais fresco a Portugal, enquanto uma frente fria poderá aproximar-se no final do mês.

Os últimos dias de setembro poderão trazer uma mudança importante no padrão meteorológico em Portugal. Depois de um período marcado por temperaturas elevadas e grande estabilidade, a corrente de jato polar deverá apresentar uma ondulação pronunciada no Atlântico Norte, favorecendo a aproximação de massas de ar mais fresco às latitudes portuguesas.

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De acordo com as atuais projeções do modelo ECMWF, esta alteração começará a desenhar-se nos próximos dias, embora os seus efeitos à superfície devam surgir de forma gradual.

As depressões atlânticas continuam afastadas de Portugal

Na quarta-feira, dia 24, o Atlântico Norte já apresentará uma atividade depressionária bastante mais evidente. Uma depressão profunda deverá organizar-se a oeste das Ilhas Britânicas, acompanhada por uma extensa frente fria e por ventos fortes.

Uma profunda depressão organiza-se no Atlântico Norte, acompanhada por uma extensa frente fria. Portugal permanece, contudo, protegido pelas altas pressões, que dificultam a progressão da instabilidade para a Península Ibérica.
Uma profunda depressão organiza-se no Atlântico Norte, acompanhada por uma extensa frente fria. Portugal permanece, contudo, protegido pelas altas pressões, que dificultam a progressão da instabilidade para a Península Ibérica.

Apesar da dimensão deste sistema, Portugal deverá continuar protegido pela influência de uma área de altas pressões, que funcionará como um bloqueio à progressão da instabilidade para a Península Ibérica.

Assim, apesar de o Atlântico começar a mostrar sinais cada vez mais típicos da transição para o outono, o território continental deverá permanecer, nesta fase, afastado da precipitação associada às grandes depressões.

Sexta-feira: o jato polar começa a ondular perto de Portugal

Uma das alterações mais interessantes deverá ocorrer por volta de sexta-feira, dia 25. A cerca de 9 a 10 quilómetros de altitude, os mapas da Meteored mostram a corrente de jato polar bastante ondulada sobre o Atlântico Norte, descendo para latitudes relativamente próximas da Península Ibérica.

A corrente de jato polar apresenta uma ondulação muito pronunciada no Atlântico Norte e aproxima-se das latitudes da Península Ibérica. Esta configuração favorecerá o transporte de massas de ar mais fresco para sul nos dias seguintes.
A corrente de jato polar apresenta uma ondulação muito pronunciada no Atlântico Norte e aproxima-se das latitudes da Península Ibérica. Esta configuração favorecerá o transporte de massas de ar mais fresco para sul nos dias seguintes.

A corrente de jato é uma faixa de ventos muito intensos nas camadas superiores da troposfera e desempenha um papel fundamental na circulação atmosférica das latitudes médias. Quando apresenta ondulações pronunciadas, pode facilitar trocas de massas de ar entre latitudes muito diferentes.

Neste caso, a configuração prevista poderá favorecer a descida de ar mais fresco proveniente de norte, contribuindo para colocar um ponto final no ambiente de verão que tem persistido em Portugal.

Contudo, esta mudança não deverá acontecer de um dia para o outro. A alteração da circulação em altitude precede frequentemente os seus efeitos mais evidentes junto à superfície, pelo que o arrefecimento deverá tornar-se mais claro nos dias seguintes.

No fim de semana o calor perde força

Por volta de domingo, dia 28, esta mudança já deverá ser bastante mais percetível. O mapa da temperatura e geopotencial a 700 hPa, aproximadamente 3000 metros de altitude, mostra Portugal a deixar de estar sob a influência direta de uma massa de ar muito quente.

Por volta de dia 28, Portugal deverá deixar de estar sob a influência da massa de ar muito quente dos dias anteriores. A entrada de ar mais fresco em altitude deverá traduzir-se numa descida das temperaturas à superfície.
Por volta de dia 28, Portugal deverá deixar de estar sob a influência da massa de ar muito quente dos dias anteriores. A entrada de ar mais fresco em altitude deverá traduzir-se numa descida das temperaturas à superfície.

Em seu lugar deverá instalar-se uma massa de ar mais fresca, traduzindo-se numa descida das temperaturas à superfície e num ambiente mais ameno. Depois de vários episódios de calor anómalo durante setembro, esta poderá ser uma das mudanças mais significativas do final do mês.

Não significa necessariamente a chegada imediata de chuva generalizada. Numa primeira fase, a principal alteração poderá ser sobretudo térmica.

E a chuva? Atenções viradas para o dia 30

É precisamente nos últimos dias de setembro que surge outro cenário interessante. A projeção do ECMWF para as 00h de quarta-feira, dia 30, mostra uma grande depressão no Atlântico Norte, com precipitação e vento forte a afetarem sobretudo as latitudes mais setentrionais da Europa. Associada a este sistema surge uma extensa frenteativa de chuva que se prolonga para sul no Atlântico e fica relativamente próxima de Portugal.

Uma extensa frente fria associada a uma profunda depressão no Atlântico Norte surge muito próxima de Portugal na projeção do ECMWF. Ainda é cedo para confirmar a chegada da chuva, pelo que as próximas atualizações serão determinantes.
Uma extensa frente fria associada a uma profunda depressão no Atlântico Norte surge muito próxima de Portugal na projeção do ECMWF. Ainda é cedo para confirmar a chegada da chuva, pelo que as próximas atualizações serão determinantes.

Por enquanto, é demasiado cedo para confirmar que esta frente chegará ao território continental. A esta distância temporal, pequenas alterações na posição da depressão e das altas pressões podem determinar se a chuva avança sobre Portugal ou permanece sobre o oceano.

As próximas atualizações dos modelos serão, por isso, fundamentais. O que parece ganhar consistência é a mudança do padrão térmico. Depois de um mês com vários episódios de calor, a atmosfera poderá finalmente começar a apresentar sinais mais claros de outono.