Tempo para o início da Semana Santa: um anticiclone recorde aproximar-se-á de Portugal a 30 de março

Após a montanha-russa térmica dos próximos dias, com especial impacto do ar mais frio no Domingo de Ramos, vislumbra-se um anticiclone recorde que marcará o início da próxima semana. Eis como afetará o tempo em Portugal continental!
Entre hoje, terça-feira, 24 de março, e domingo, dia 29, o estado do tempo em Portugal continental será marcado por um padrão anticiclónico. Avizinham-se dias estáveis, secos e maioritariamente soalheiros. Estas condições de estabilidade atmosférica, que resultarão em pouca nebulosidade e ausência de precipitação, serão gerados pela influência conjunta de dois centros de alta pressão, um localizado sobre o Atlântico e outro sobre a Península Ibérica. Assim, a entrada de sistemas frontais ver-se-á bloqueada.
Além disto, são expectáveis temperaturas relativamente elevadas para a época do ano, especialmente nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve (máximas entre 20 e 25 ºC durante boa parte do período). Não obstante, o atual calor primaveril antecede uma descida gradual das temperaturas que começará a fazer-se sentir a partir da reta final da presente semana à medida que uma massa de ar polar continental, vinda do continente europeu, se for aproximando do nosso país através do nordeste da Península Ibérica.
Domingo de Ramos com o frio a instalar-se na nossa geografia. Mínimas abaixo de 5 ºC nestas zonas
Nos mapas de previsão observa-se um fluxo de nor-nordeste, responsável pelo transporte de ar frio desde latitudes mais elevadas até à Península Ibérica, algo que é possibilitado por uma ondulação mais vincada do jato polar.
No entanto, Portugal continental, ao contrário da Espanha peninsular e de muitos outros países europeus, ficará praticamente à margem deste episódio invernal, pois não registará precipitação (chuva, neve e/ou granizo nem ventos fortes), ficando somente exposto a um ambiente mais frio associado à descida das temperaturas.

Ainda assim, este fluxo de nor-nordeste favorecerá uma descida mais evidente das temperaturas, que será ligeira nas máximas, mas acentuada nas mínimas. Quanto a estas últimas, destacam-se sobretudo as regiões do Interior do nosso país e em particular os distritos de Vila Real, Viseu, Bragança e Guarda (mínimas entre 0 e 5 ºC nestas 4 capitais de distrito).
Segunda-feira Santa, 30 de março, marcada pela presença muito próxima de um anticiclone recorde
Como já foi referido anteriormente pela Meteored Portugal, há um centro de alta pressão atualmente localizado sobre o Atlântico. A partir do início da próxima semana - Semana Santa - ganhará ainda mais importância sobre a nossa geografia. Ao deslocar-se pelo Atlântico para es-nordeste, o anticiclone ficará cada vez mais próximo ao nosso país, estendendo a sua influência desde os Açores até ao noroeste de França/Sudoeste das Ilhas Britânicas.
Nos mapas observa-se uma consolidação clara do campo deste centro de ação, com uma pressão atmosférica muito robusta no seu centro. Para a próxima segunda-feira (30) preveem-se valores de 1044 hPa no seu centro, um número bem superior aos atuais 1031 hPa. Isto converge com os diagramas de regimes meteorológicos do modelo do ECMWF - organismo de referência para a Meteored - que vislumbram a passagem de um padrão de bloqueio para um que será modulado pela crista atlântica.

Assim, é de esperar que a circulação de Es-Nordeste, fortalecida por um poderoso centro de altas pressões, condicione a Segunda e a Terça-feira Santas - dias 30 e 31 de março - marcadas pela gradual recuperação das temperaturas máximas (dias amenos ou quentes, com máximas iguais ou superiores a 20 ºC - especialmente no dia 31), mas noites ainda frescas ou bastante frias (de 0 a 9 ºC no interior; entre 6 e 12 ºC no litoral), algo típico da primavera, em que o acentuado arrefecimento noturno é dominante, especialmente em condições anticiclónicas.
Além disto, estendendo o horizonte de previsão por mais uns dias, esta situação meteorológica de estabilidade atmosférica poderá manter-se pelo menos até quarta-feira, 1 de abril. A partir daí a incerteza aumenta, uma vez que os mapas vislumbram a possibilidade de uma nova massa de ar frio vinda do continente europeu poder evoluir para uma gota fria sobre o leste da Península Ibérica, algo que coincide com a provável nova passagem a um regime de bloqueio escandinavo-britânico.