O ar da Gronelândia em Portugal: prevê-se frio polar com possibilidade de queda de neve a partir de sexta-feira 16

A chegada de ar polar da Gronelândia provocará uma descida significativa das temperaturas a partir de sexta-feira, dia 16. Há possibilidade de queda de neve e geada durante o fim de semana.

A segunda semana de janeiro está a arrancar com um panorama de instabilidade meteorológica em Portugal continental. A chegada praticamente incessante de frentes e depressões provocará chuva, por vezes abundante, de norte a sul da geografia do Continente. Nos primeiros dias desta semana as temperaturas terão tendência a subir, com a chuva a assumir-se como o principal elemento climático, porém, a partir de sexta-feira (16) é expectável uma mudança brusca do estado do tempo.

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Uma massa de ar muito frio proveniente da Gronelândia chegará na próxima sexta-feira (16), esperando-se que persista para os dias seguintes, o que resultaria num fim de semana invernoso em grande parte de Portugal.

De acordo com o modelo europeu, a partir de sexta (16), a chegada de uma massa de ar polar proveniente da Gronelândia dará origem a uma entrada significativa de ar frio, o que resultaria numa descida generalizada das temperaturas, com possibilidade de queda de neve e formação de geada.

Uma massa de ar polar provocará um arrefecimento significativo em Portugal

Embora esteja prevista uma descida gradual da temperatura entre quarta e quinta-feira, dias 14 e 15, é a partir de sexta-feira (16) que a chegada desta massa de ar muito frio se fará sentir, intensificando o arrefecimento das temperaturas. Será impulsionada a partir das latitudes altas, trazendo um ambiente puramente invernoso e com valores de temperatura bem abaixo da média para a estação do ano.

O primeiro efeito da chegada da massa de ar frio proveniente da Gronelândia será a descida generalizada das temperaturas e a possível persistência do frio.

De acordo com os mapas de referência da Meteored, é possível que o frio persista durante o fim de semana. Na sexta-feira (16) as temperaturas máximas iniciarão uma descida gradual, mas os valores mais elevados do episódio ainda serão atingidos nesse dia. O modelo Europeu sugere um estado do tempo dominado por ar muito frio, favorável a um ambiente invernal, inclusive nas horas centrais do dia, e especialmente no interior das Regiões Norte e Centro.

Nas terras montanhosas do Alto Minho, Alto Tâmega e Cávado, no Nordeste Transmontano, na Beira Alta, e ainda em algumas zonas da Beira Baixa e do interior Alentejano, as temperaturas diurnas situar-se-ão em valores típicos de situações de inverno rigoroso, algo que será reforçado por uma sensação térmica baixa.

Para sábado (17) prevê-se uma descida acentuada e generalizada das temperaturas, com máximas que não deverão ultrapassar os 11-13 °C, mesmo nas zonas habitualmente mais temperadas, como é o caso do litoral, esperando-se que seja o dia mais frio em termos globais.

Domingo (18) manterá a tendência para valores globalmente frios, maioritariamente entre 10 e 12 °C, mas com registos mais baixos em várias zonas do interior, nas áreas de montanha e em cidades como a Guarda (5 ºC).

Prevê-se a possibilidade de formação de gelo ou geada em vastas zonas do interior das Regiões Norte e Centro, principalmente no domingo (18).

Quanto às temperaturas mínimas, a descida será mais acentuada, com valores próximos ou inferiores a 0 °C em vastas zonas do interior a partir de sexta-feira (16). Durante o fim de semana, e sobretudo de sábado (17) para domingo (18), as temperaturas mínimas negativas espalhar-se-ão, concentrando-se em várias zonas do Nordeste Transmontano, Beira Alta, Beira Baixa e nas terras montanhosas do Alto Minho, Cávado e Alto Tâmega. Caso as atuais previsões se mantenham, poderá formar-se gelo ou geada em vastas zonas das regiões anteriormente referidas.

A previsão de neve está rodeada de uma enorme incerteza

A persistência do frio será chave para a ocorrência de outros fenómenos associados, como a possibilidade de queda de neve a altitudes mais baixas se se conjugar com a precipitação, ou a formação de geada. Para sexta-feira (16) antecipa-se um cenário em que bandas de precipitação geradas por uma depressão situada a oeste da Irlanda se associariam em altitude ao ar frio proveniente da Gronelândia.

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Isto poderá traduzir-se em aguaceiros, por vezes localmente fortes e sob a forma de granizo e potencialmente acompanhados de trovoada, que a partir dos 1200 metros de altitude assumiriam a forma de neve, podendo acumular residualmente nos pontos mais elevados dos principais sistemas montanhosos do Norte e Centro.

Uma eventual queda de neve dependerá da conjugação entre o frio, a precipitação e a altitude a que esta combinação ocorrer. A sua ocorrência está envolta numa grande incerteza pois dependerá da trajetória que a baixa pressão plasmada neste mapa assumir, bem como da maior ou menor persistência em território nacional do ar frio proveniente da Gronelândia.

Para o fim de semana a incerteza dos modelos em relação à probabilidade de chuva e neve aumenta substantivamente. De momento, os mapas intuem a hipótese de queda de neve no sábado (17) a partir dos 1000 metros de altitude nos principais pontos montanhosos do Norte, Centro e até mesmo Alto Alentejo, quiçá temporariamente a cotas mais baixas, com acumulações geralmente inferiores a 5 cm, exceto talvez nos pontos mais elevados da Serra da Estrela onde poderão ser maiores.

É importante relembrar que este cenário de previsão de queda de neve deve ser encarado com muita cautela, uma vez que deverá sofrer várias mudanças entretanto.

Isto porque basta que as linhas de instabilidade e bandas de precipitação geradas pela já referida depressão sofram um ligeiro desvio na trajetória, para leste ou para oeste, para que haja mudanças significativas na previsão de precipitação de chuva ou de neve em Portugal continental.