Modelos europeu e GFS apresentam cenários distintos para a próxima semana em Portugal

Os principais modelos meteorológicos apontam para mudanças no estado do tempo na próxima semana, mas divergem quanto à intensidade e duração da chuva em Portugal continental. A posição das depressões atlânticas e do anticiclone será decisiva para definir o cenário final.
A divergência entre o modelo europeu (ECMWF) e o modelo americano (GFS) resulta sobretudo da forma como cada um posiciona e aprofunda uma depressão no Atlântico e da resposta do anticiclone subtropical. Esta diferença é determinante porque poderá significar, para Portugal continental, um episódio de chuva mais intenso e duradouro ou, pelo contrário, uma instabilidade mais curta e menos abrangente na próxima semana.
Sexta-feira com chuva e vento
Sob a influência direta de uma depressão próxima da Península Ibérica, sexta-feira, dia 13, deverá ser marcada por precipitação generalizada e, por vezes, intensa, sobretudo no litoral e nas regiões Centro e Sul. A circulação de sudoeste transporta ar marítimo húmido e instável, favorecendo chuva persistente.

O vento poderá soprar moderado a forte, no litoral e nas terras altas, devido ao gradiente de pressão mais acentuado.
Fim de semana mais estável
Com o progressivo afastamento da depressão, no sábado, dia 14, a pressão atmosférica tenderá a subir. A instabilidade deverá enfraquecer ao longo do dia, embora ainda possam ocorrer aguaceiros durante a madrugada. A aproximação de uma crista anticiclónica favorecerá a diminuição significativa da precipitação e períodos de céu pouco nublado, com o vento a rodar para noroeste.
No domingo, dia 15, o anticiclone deverá consolidar-se sobre a Península Ibérica. Prevê-se tempo seco, com possibilidade de formação de neblinas ou nuvens baixas matinais, sobretudo em vales e zonas costeiras.

No extremo Norte poderá ocorrer aumento de nebulosidade no final do dia, associado a fluxo marítimo mais húmido.
Instabilidade pode regressar
Entre segunda e quarta-feira (16 a 18), a estabilidade deverá manter-se no Centro e Sul, enquanto o Norte poderá registar aguaceiros fracos e ocasionais, especialmente nas áreas mais expostas ao fluxo de noroeste. A extensão da precipitação dependerá da posição do núcleo anticiclónico, mantendo-se alguma incerteza.
A partir de quinta-feira, dia 19, os campos de pressão e precipitação indicam nova aproximação de instabilidade atlântica. Poderá ocorrer chuva organizada e abrangente, mas ainda não é possível definir com rigor onde choverá com maior intensidade nem durante quanto tempo, uma vez que o horizonte temporal ainda é alargado e pequenas mudanças na posição das depressões ou do anticiclone podem modificar o cenário inicialmente previsto.

Tendo em conta que, após várias semanas de precipitação frequente, grande parte do território apresenta solos saturados e bacias hidrográficas com caudais elevados, novos períodos de chuva forte poderão aumentar o risco de inundações rápidas, cheias e movimentos de vertente. Recomenda-se acompanhamento regular das previsões oficiais e atenção aos avisos das autoridades.