Este objeto parece inofensivo na praia, mas pode valer-lhe uma multa
Está a pensar aproveitar a praia? Há um objeto que pode não poder levar consigo. Saiba qual é.

Há que aproveitar ao máximo enquanto se pode aproveitar uns raios de sol. Para alguns, isso significa estender a toalha, dar uns mergulhos e ficar a aproveitar o sol até ao fim do dia. Para outros, pode significar pegar num detetor de metais e percorrer a areia à procura de moedas, anéis ou outros objetos perdidos.
Quem nunca viu aquelas imagens de pessoas a passear pela areia com um detetor de metais, à procura de moedas, anéis ou qualquer outro pequeno tesouro perdido?
À primeira vista, parece um passatempo perfeitamente inofensivo. O problema é que, em Portugal, esta última atividade não é tão simples como parece. Em determinadas circunstâncias, aliás, pode mesmo ser proibida e até dar origem a uma contraordenação.
A questão voltou recentemente a ser discutida depois de a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros ter apresentado uma queixa na sequência de imagens que mostravam várias pessoas a utilizar detetores de metais na Praia da Ribeira, na Albufeira do Azibo.
De acordo com um comunicado da autarquia, avançado pela 'SIC Notícias', esta ação ocorreu após o encerramento do serviço dos nadadores-salvadores e do pessoal de apoio ao final do dia. E, claro, este incidente deixou muitos com uma dúvida: é mesmo proibido usar detetores de metais na praia?
O que diz a lei sobre os detetores de metais?
A regra não é propriamente nova: a utilização de detetores de metais está enquadrada pela legislação portuguesa desde 1999. A Lei n.º 121/99 estabelece que estes aparelhos não podem ser utilizados para procurar objetos ou artefactos com interesse histórico, artístico, numismático ou arqueológico sem a respetiva autorização.
A lei prevê, sim, a possibilidade de licenciamento, tendo em conta, entre outros aspetos, o objetivo da pesquisa, os locais onde será realizada e as características do equipamento.

E há uma razão para a regra existir. Uma moeda antiga, uma peça de cerâmica ou outro objeto enterrado na areia pode parecer apenas uma curiosidade para quem o encontra, mas o local onde apareceu e a relação com outros vestígios podem ser importantes para perceber a história daquele sítio. Retirar uma peça sem registo pode significar perder precisamente essa informação.
E há zonas onde a utilização de detetores de metais é expressamente proibida.
Então, posso levar um detetor para a praia?
Aqui está a parte que costuma gerar confusão. Não se trata apenas de olhar para o aparelho e pensar que, por ser vendido legalmente numa loja, também pode ser utilizado livremente. A legislação relativa ao património cultural subaquático determina que a utilização de detetores de metais para localizar bens arqueológicos carece de autorização e estabelece ainda uma proibição específica nas áreas do domínio público marítimo, que incluem zonas de praia.
A própria Autoridade Marítima Nacional mantém esta regra nos seus editais. Aliás, na versão de 2026 do Edital de Praia para o Continente e Madeira, estão previstas várias atividades interditas nas praias, e esta é uma delas.
Não pense, contudo, que a regra se limita às praias marítimas. O enquadramento do património cultural subaquático abrange também outras zonas, incluindo cursos de água, lagos, lagoas e áreas sujeitas a determinadas condições de inundação.
E sim, há consequências para quem ignora as regras. A Lei n.º 121/99 prevê coimas pela utilização ilegal de detetores de metais e permite ainda a aplicação de sanções acessórias, entre elas a perda do equipamento utilizado e dos bens arqueológicos, históricos, artísticos ou numismáticos encontrados.
Não é só o detetor que tem regras
Os detetores de metais são apenas um exemplo de que a praia não é exatamente uma zona onde vale tudo. O Edital de Praia de 2026 estabelece também restrições a várias atividades. Entre elas estão os jogos de bola fora das zonas destinadas para esse efeito, campismo ou pernoita, utilização de equipamentos sonoros que possam causar incomodidade e determinadas atividades náuticas ou desportivas em zonas reservadas aos banhistas, entre outras.

Ou seja, a lógica é relativamente simples: a praia é espaço público, mas tem regras próprias.
Referência da notícia
Faiões, J., SIC Notícias. (2026). Autarquia apresenta queixa contra pessoas que usaram detetores de metais na praia do Azibo.
Ribeiro, M., Evasões. (2026). Há um curioso objeto proibido nas praias portuguesas. Porquê?.