Plantas de interior: como preparar as suas para o outono e menos luz
A rotina é a mesma de sempre, a casa está à mesma temperatura, e no entanto as plantas começam a perder folhas. O que mudou está do lado de fora da janela.

Há uma estranheza que muita gente sente no outono. As plantas de casa passaram o verão magníficas e, a partir de outubro, começam a amarelecer folhas, a esticar-se e a definhar sem razão aparente. A temperatura da sala não mudou nada.
Só que a temperatura não é o fator que mais mudou. A luz que entra pela janela reduziu-se drasticamente, e o cuidado que se dá às plantas continua a ser o de agosto.
A conta da luz que se perde
Entre o verão e o inverno, a quantidade de luz que chega ao interior de uma casa pode reduzir-se para menos de um terço. São três coisas a acontecer ao mesmo tempo.
Os dias encurtam, o sol passa mais baixo no céu, e há muito mais dias encobertos. Junte-se a isto o facto de o vidro cortar parte da radiação e de haver menos horas de sol direto a entrar, e percebe-se que a planta passa a viver com uma fração da energia a que estava habituada.
A rega é o erro que mais mata
Aqui está a parte que faz toda a diferença. Com menos luz, a planta trabalha menos, cresce menos e consome muito menos água. Se a rega se mantiver igual à do verão, o substrato passa a estar permanentemente húmido.
Uma raiz encharcada durante semanas fica sem oxigénio e apodrece. E o mais traiçoeiro é que os sintomas do apodrecimento são iguais aos da falta de água: folhas moles, murchas, a cair. Muita gente rega mais ao ver isso, e acelera o problema.
Antes de regar, meta o dedo no substrato até ao segundo nó. Se estiver húmido, não regue, independentemente do aspeto das folhas. Como regra geral, no outono e inverno espaça as regas para metade da frequência do verão, e despeje sempre a água que fica no prato.
O que fazer, cuidado a cuidado
Duas notas sobre esta tabela.
A adubação suspende-se porque uma planta que quase não cresce não consegue usar os nutrientes, e o excesso acumula-se no substrato e queima as raízes.
Cuidado | No verão | No outono e inverno |
|---|---|---|
Rega | Frequente | Metade da frequência |
Adubação | A cada duas semanas | Suspender ou reduzir muito |
Posição | Longe do sol direto | Mais perto da janela |
Nebulização | Útil com calor | Desnecessária, favorece fungos |
Transplante | Boa altura | Esperar pela primavera |
Limpeza das folhas | Ocasional | Importante, pó reduz a luz |
| Fonte: Elaboração própria. | ||
E o transplante fica para a primavera porque uma planta em repouso não tem capacidade de emitir raízes novas para colonizar terra fresca.
Mudar de lugar sem mudar de choque
Aproveite setembro para reposicionar. Aquilo que no verão era demasiada luz passa a ser adequado, por isso as plantas devem aproximar-se das janelas, sobretudo as viradas a sul.
Mas faça-o aos poucos. Uma planta que passa de repente de um canto sombrio para junto de um vidro com sol direto pode queimar as folhas. Mova-a em duas ou três etapas ao longo de duas semanas.

Limpe as folhas com um pano húmido. Uma camada de pó reduz de forma apreciável a luz que a folha aproveita, e num período em que a luz já é escassa isso conta.
E rode os vasos um quarto de volta por semana. Com o sol a entrar sempre da mesma direção, a planta cresce toda para esse lado e fica desequilibrada.
Os dois cuidados que se esquecem
O primeiro são as correntes de ar. Uma planta junto a uma janela que se abre todas as manhãs no outono apanha variações bruscas de temperatura que lhe custam mais do que o frio constante. As folhas amarelecem e caem de repente, e a causa parece um mistério.
O segundo é o aquecimento. Um radiador ou uma salamandra secam o ar da sala de forma extrema, e uma planta tropical junto a uma fonte de calor perde água pelas folhas muito mais depressa do que a raiz consegue repor. As pontas das folhas ficam castanhas e secas, o que é um sinal de ar seco e não de falta de rega.
Se quiser antecipar, olhe para a previsão da sua zona nesta época. As páginas indicam a duração do dia e a nebulosidade prevista, e é essa combinação que determina quanta luz entra em casa. Uma semana de céu encoberto em Braga ou em Viseu é uma semana em que praticamente não vale a pena regar.