Tapada de Mafra convida a descobrir hastes caídas de veados e gamos na floresta
A queda das hastes em cervídeos ocorre uma vez por ano, na primavera. Participe nesta experiência, que acontece este sábado e é destinada a famílias e amantes da natureza.

Há um momento discreto, praticamente invisível, que todos os anos marca o ritmo secreto das florestas. Na primavera, os cervídeos libertam as suas hastes, estruturas ósseas que crescem ao longo de meses e que, de repente, se desprendem e regressam ao chão.
Este fenómeno, raro e profundamente ligado aos ciclos naturais, inspira uma experiência singular na Tapada Nacional de Mafra. É aqui que ganha forma A Caça às Hastes, uma proposta que convida a observar a natureza como um lugar em transformação, onde cada vestígio conta uma história.
À procura do que a floresta esconde
Famílias e curiosos são convidados a explorar a mata em busca destas peças efémeras, deixadas entre folhas, troncos e clareiras. A atividade, marcada para a manhã deste sábado, 25 de abril, começa com um percurso em carro elétrico, atravessando caminhos florestais até às zonas mais frequentadas pelos animais.
Não se trata de uma competição frenética, mas antes de um exercício de atenção, que exige abrandar o ritmo e aguçar os sentidos. Cada descoberta surge como um pequeno triunfo, comparável a encontrar uma peça de arqueologia, intacta e carregada de significado.
As enigmáticas funções na natureza
Entre os habitantes mais emblemáticos da tapada destacam-se o veado-vermelho, conhecido cientificamente como Cervus elaphus, e o gamo, ou Dama dama. A diferença entre ambos revela-se sobretudo nas hastes. Nos veados, são longas, ramificadas e pontiagudas. Nos gamos, assumem uma forma espalmada, lembrando leques naturais.

Estas estruturas desempenham um papel essencial durante a época de acasalamento, funcionando como instrumentos de sedução e armas em disputas entre machos.
Ao contrário dos chifres de outros animais, não são permanentes. Crescem todos os anos, revestidas por um tecido aveludado que transporta nutrientes, permitindo um desenvolvimento impressionante. Em pleno crescimento, podem aumentar cerca de dois centímetros por dia, um ritmo que rivaliza com os processos biológicos mais rápidos conhecidos.
Este crescimento acelerado tem despertado o interesse da ciência, sobretudo pela ação dos oncogenes, os mesmos que causam várias formas de cancro. Nas hastes, porém, esses mecanismos operam com uma precisão cirúrgica, crescendo e interrompendo-se sem descontrolo e na medida certa.
Um tesouro para expandir o conhecimento
De volta à experiência proposta pela Tapada Nacional de Mafra, cada haste encontrada deve ser entregue à organização. Este gesto, longe de ser apenas simbólico, contribui para o registo e estudo das populações locais.
Posteriormente, as peças são colocadas à venda, permitindo angariar receitas para investir na conservação da mata. Este ano, há ainda um elemento adicional que acrescenta expectativa ao evento, com o sorteio de uma haste por cada grupo de vinte participantes.
A atividade começa às dez da manhã, mas será preciso chegar às 9:45 para preparar o percurso com antecedência. O terreno irregular e a natureza do desafio tornam a experiência menos indicada para crianças com menos de quatro anos e pessoas com mobilidade condicionada. Calçado confortável, calças compridas e meias altas são recomendações essenciais para aproveitar plenamente o dia.

Ao terminar a caminhada, vale a pena permanecer na tapada e explorar o restante ecossistema. Entre os mais de oitocentos hectares protegidos, circulam javalis, raposas, texugos e ginetos, enquanto no céu se avistam aves de rapina e, com alguma sorte, casais de açores.
Este espaço, envolvido por um muro, com mais de vinte quilómetros, preserva uma paisagem que remonta ao reinado de D. João V, quando foi criado como cenário de lazer para a corte.
Hoje, a Tapada Nacional de Mafra cumpre uma função diferente, sendo, na sua essência, um refúgio para a vida selvagem, onde o equilíbrio entre conservação e conhecimento permite observar espécies em estado livre e compreender os ritmos naturais que moldam este ecossistema ao longo das estações.
Referência do artigo
Consulte o website da Tapada Nacional de Mafra para conhecer o precário e informações adicionais da Caça às Hastes
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