Mulheres, humor e cinema: a programação especial que chega ao Porto

O Batalha apresenta um ciclo de filmes realizados por mulheres que usam o humor para questionar normas, contar histórias e fazer rir ao longo de várias décadas.

Saiba tudo. Imagem ilustrativa: Unsplash
Saiba tudo. Imagem ilustrativa: Unsplash

Se acha que o humor no cinema é coisa leve, prepare-se para mudar de ideias, ou, pelo menos, para rir enquanto pensa. Nos primeiros meses de 2026, o Batalha – Centro de Cinema, no Porto, vai pôr as mulheres no centro do ecrã com um ciclo inteiramente dedicado a filmes realizados por mulheres que usam o humor como arma, refúgio e forma de liberdade.

“O humor convoca alegria e cumplicidade, suspende por instantes a realidade e convida-nos a vê-la com outros olhos. Simultaneamente, com a sua capacidade de observar o quotidiano, exagerar comportamentos e expor falhas humanas e sociais, o humor consegue derrubar barreiras, afirmando-se como uma poderosa ferramenta de comunicação e denúncia”, começam por escrever os responsáveis.

“No cinema realizado por mulheres, essa força ganha uma dimensão particular, revelando-se muitas vezes como um gesto de contestação. Este ciclo propõe explorar obras fílmicas de mulheres que recorreram ao humor para desafiar expectativas, transformando adversidades em impulso criativo e escolhendo rir — e fazer rir — como forma de expressão.”

Quando?

Entre 22 de janeiro e 18 de abril, a sala histórica apresenta “Rir Para Não Chorar: Mulheres e Humor no Cinema”, uma programação que atravessa épocas, estilos e geografias.

Do cinema mudo às produções mais contemporâneas, este ciclo mostra como rir pode ser muito mais do que entretenimento: pode ser crítica social, gesto político e uma forma inteligente de resistência.

A sessão de abertura dá logo o tom. Numa noite dupla que começa às 21:15, poderá ver 'Doll Clothes' (1975), um dos primeiros trabalhos de Cindy Sherman, onde a artista brinca com identidades e estereótipos ao transformar-se numa boneca de papel. A seguir, entra em cena 'Golden Eighties', de Chantal Akerman, uma comédia musical que decorre num centro comercial e que, entre canções e encontros amorosos, questiona expectativas sociais e afetivas.

De 22 de janeiro a 18 de abril. Imagem ilustrativa: Unsplash
De 22 de janeiro a 18 de abril. Imagem ilustrativa: Unsplash

O ciclo também recua aos primórdios do cinema, lembrando que houve mulheres a fazer comédia quando quase ninguém falava delas. Nomes como Mabel Normand ou Alice Guy-Blaché surgem como exemplos de realizadoras que encontraram no humor um espaço de experimentação e autonomia num “meio historicamente dominado por homens”.

Ao longo dos meses, o programa cruza obras de cineastas tão diferentes como Sarah Maldoror, Lucrecia Martel, Martine Syms, Ana Carolina, Jamie Babbit ou Salomé Lamas, mostrando que não existe uma única forma de rir (nem de filmar). Há sátira, absurdo, comédia social e até sessões pensadas para toda a família, como 'Pai para Mim… Mãe para Ti' (1998), de Nancy Meyers, um clássico dos anos 90 que continua a funcionar.

Mulheres e humor no cinema

Mais do que uma simples mostra de filmes, este ciclo propõe-lhe um olhar sobre o humor enquanto ferramenta criativa e transformadora. Aqui, rir não serve para fugir da realidade, mas para a expor, torcer e reinventar. E, no processo, provar que o cinema feito por mulheres sempre teve graça — só precisava de mais palco.

“Cruzando estéticas e géneros, da sátira ao absurdo, da performance à comédia social, estas cineastas e artistas mostram que o humor pode ser um gesto feminista de emancipação, uma liberdade para fazer e desfazer a realidade, imaginar outros futuros — ao mesmo tempo que nos divertem com os seus filmes.”

Pode consultar o programa completo no site do Batalha – Centro de Cinema (https://www.batalhacentrodecinema.pt/programmes/rir-para-nao-chorar-mulheres-e-humor-no-cinema/).