Não é por acaso que Porto Covo é o primeiro destino sustentável do Alentejo
A aldeia piscatória da costa vicentina está a mostrar que turismo só faz sentido quando protege a natureza e também a comunidade que dela depende.

Porto Covo é uma aldeia do município de Sines com pouco mais de mil habitantes. Nos meses de Verão, todavia, a população chega a triplicar ou mesmo a quadruplicar, não fosse um dos destinos mais procurados na região do Alentejo.
Gerir os impactos do turismo no ambiente, na economia local e também no bem-estar da população terá de ser, portanto, a estratégia para a povoação piscatória não ficar asfixiada no seu próprio sucesso.
Modelo internacionalmente reconhecido
Esse é o plano que está no terreno e que envolveu a comunidade, a junta de freguesia, o município e as associações locais e regionais numa caminhada que culminou agora com a certificação Biosphere – Destino Turístico Sustentável.
A organização internacional, criada em 1997 pelo Instituto de Turismo Responsável (RTI), reconheceu o esforço da comunidade para adotar práticas alinhadas com os princípios da sustentabilidade ambiental, social e económica no território.

Porto Covo começou por isso o ano de 2026 da melhor maneira, tornando-se este mês no primeiro destino sustentável do Alentejo com o selo Biosphere. A certificação reconhece patrimónios naturais e culturais de excecional valor, como as 12 Aldeias Históricas de Portugal ou os municípios de Alcoutim, Mafra, Almeida e Idanha-a-Velha.
Ultrapassar os obstáculos com o turismo
A beleza natural é um dos trunfos desta povoação de pescadores com quase três séculos de História. A ilha do Pessegueiro é o ex-líbris por excelência, mas a beleza das praias, como São Torpes, Samoqueira ou Engardaceira, são também estâncias balneares entre as mais frequentadas na costa vicentina.
Os visitantes são vistos nestas paragens como uma oportunidade para vencer os desafios da interioridade – o envelhecimento da população, o desemprego, a infoexclusão ou o isolamento.

Mas em Porto Covo – como em qualquer outro destino -, o turismo só faz sentido se promover o desenvolvimento económico e social e preservar do património cultural e natural.
A estratégia, como não podia deixar de ser, traduz-se numa abordagem holística a envolver a população local, os operadores turísticos e inúmeras outras entidades que se comprometeram com o desenvolvimento sustentável da sua terra.
O impulso à economia local
Os produtos regionais estão no centro desta abordagem, com a doçaria, a gastronomia e o artesanato a ganharem um novo fôlego na economia local. O projeto incentiva ainda a agricultura e a sua estreita ligação com a cadeia de distribuição, envolvendo supermercados, mercados municipais e pequeno comércio do concelho.
O projeto implica trabalhar com empresas, comércio local e alojamentos turísticos, medindo os seus desempenhos, tanto no tratamento de resíduos urbanos como na reciclagem, propondo melhorias para aqueles que não estejam a cumprir os requisitos.
A natureza no centro das atenções
O município investiu também nas rotas pedestres com a construção e melhoramento de infraestruturas para garantir a acessibilidade e segurança de residentes e turistas, incluindo a população com mobilidade reduzida.
A iluminação pública foi também substituída por lâmpadas LED, a recolha de resíduos urbanos contou com um reforço de ecopontos em zonas residenciais e balneares e a limpeza das praias tem vindo a ser dinamizada por voluntários, comunidade local, associações e clubes recreativos.

Envolver a comunidade e os turistas na proteção da natureza, em particular dos recursos hídricos, está, por sua vez, no centro do Projeto "Porto Covo Água ConVida”.
Diversas atividades fazem agora parte do roteiro turístico, desde surf e bodyboard nas praias com ondas, até passeios de barco para a Ilha do Pessegueiro, passando por exploração de falésias e excursões a cavalo.
A mais recente iniciativa, apresentada já em janeiro deste ano, tem como ambição promover o envelhecimento ativo e a coesão da comunidade local. O programa conta já com o entusiasmo de quase uma centena de idosos da freguesia.
Durante o verão ou no inverno, os mais velhos podem sair de casa para participar em sessões de pilates ou de jogos tradicionais, workshops de artes manuais ou simplesmente conversar nos cafés da aldeia e caminhar na natureza com a orientação de técnicos de desporto, de psicologia e de educação social.

São algumas das iniciativas já em marcha e que, provavelmente, não irão ficar circunscritas a esta aldeia do Baixo Alentejo. Depois de Porto Covo, seguir-se-á Mértola, que também está a finalizar a sua estratégia de turismo sustentável para vir a obter a certificação Biosphere.
Referência da notícia
Diagnóstico e Plano de Ação para a Sustentabilidade de Porto Covo. Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR)