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Se os humanos se extinguissem, que espécie "dominaria" o mundo?

Se por alguma razão os seres humanos desaparecessem da face da Terra, que espécies seriam capazes de "dominar" o planeta e quais não? Saiba mais aqui!

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A evolução é algo muito difícil de prever. Créditos: Luis De Luca.

Sabemos que a vida na Terra é possível tal como a conhecemos graças a múltiplos fatores físico-químicos que se combinaram positivamente; desde a distância precisa ao nosso Sol, o tamanho da Terra, a sua gravidade, a presença de água e uma atmosfera terrestre protetora com a densidade certa e uma composição ideal rica em ozono e oxigénio, entre outras coisas.

A idade do nosso planeta está estimada em cerca de 4570 milhões de anos, mas inicialmente a vida nele não era possível dado o ambiente (temperatura e tipo de atmosfera) totalmente incompatível para o desenvolvimento e evolução de moléculas biológicas. Segundo várias investigações, estima-se que há aproximadamente 3850 milhões de anos, as condições na Terra começaram a ser favoráveis à vida.

Múltiplas espécies animais e vegetais têm vindo a evoluir, e também outras desapareceram em extinções em massa no decurso das eras geológicas. Em particular, a espécie humana evoluiu a partir de outras espécies não humanas, e para reconstruir a nossa história biológica precisamos da paleontologia, da biogeografia, da antropologia, da biologia molecular, entre outras ciências.

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A Quinta Grande Extinção eliminou os dinossauros e 75% de toda a vida na Terra há 66 milhões de anos.

O nosso Sol (atualmente uma estrela anã amarela), tornar-se-á, dentro de 5000 milhões de anos numa gigante vermelha, aumentando em tamanho e brilho, e esse aumento incessante acabaria com a "vida na Terra". Mas, o que aconteceria se por alguma razão, antes da morte da nossa estrela, nós, seres humanos nos extinguíssemos antes de muitos dos seres que conhecemos?

Espécie "dominante"

Com os seres humanos extintos, ocorreriam mudanças fundamentais na Terra e no seu ambiente, como a história já nos demonstrou com outras espécies. Muitos escritores fizeram listas de espécies candidatas para ser a "nova espécie dominante" (ratos, baratas, golfinhos, tardígrados, porcos, formigas, baleias, morcegos, etc.), com diferentes critérios de seleção, mas o que entendemos por "dominante"?

Bem, se nos limitarmos ao reino animal, o mundo sempre foi dominado por bactérias, apesar da "era das bactérias" ter terminado há cerca de 1200 milhões de anos, não porque as bactérias diminuíram o seu predomínio, mas sim porque nós humanos tendemos a classificar os grandes organismos multicelulares como "espécie dominante".

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Os símios não seriam a espécie candidata como nova "dominante", já que seria mais provável que se extinguissem antes de nós ou pelo menos ao mesmo tempo que a nossa.

O nosso grande narcisismo faz com que nos auto designemos como a espécie dominante, mas não é esse o caso. Quatro em cada cinco animais são nemátodos (um tipo de minhoca microscópica), por isso já fica mais claro com este exemplo que nem a prevalência, nem a quantidade, nem a diversidade são essenciais para que possamos chamar-lhe "vida dominante".

Os ecologistas argumentam que sem a presença dos maiores predadores (seres humanos), é muito provável que a Terra prospere como nunca logo após a nossa extinção.

A espécie humana tem sido "tão bem sucedida" nesta conquista destrutiva que muitos cientistas acreditam que estamos a caminho da Sexta Grande Extinção (houve cinco antes, a última dizimou os dinossauros e 75% de toda a vida na Terra há 66 milhões de anos).

O "Planeta dos Macacos"

Talvez se lembrem do filme "Planeta dos Macacos", ali a nova espécie dominante foi concedida aos nossos "parentes próximos", sugerindo que os primatas poderiam desenvolver a fala e adotar a nossa tecnologia se lhes déssemos tempo e espaço suficientes. Mas esta opção não seria a melhor candidata, já que seria mais provável que os macacos se extinguissem antes de nós ou, pelo menos ao mesmo tempo, porque qualquer crise que exterminasse os humanos seria também perigosa para os organismos com necessidades fisiológicas básicas semelhantes, como os macacos.

A nova espécie dominante

De acordo com o artigo publicado em The Conversation, o Professor de Ciências Biológicas Luc Bussiere da Universidade de Stirling, Escócia, de todas as espécies que teoricamente foram animais dominantes nalgum momento, os humanos são os únicos com inteligência excecional e destreza manual.

Deve ficar claro que a evolução não favorece a inteligência por si só, a menos que esta conduza a um maior nível de sobrevivência e de reprodução. Portanto, é um erro grave pensar que os nossos sucessores serão especialmente inteligentes, seres sociais que poderão falar ou que serão especialistas em tecnologia.

Então, quem nos substituirá como espécie dominante? Apesar de a resposta ser dececionante, não é claro qual poderia ser, mas Bussiere indica que podemos ter a certeza de que não será um chimpanzé falante 50 milhões de anos após a extinção humana.

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O geólogo escocês Dougal Dixon publicou em 1981 o livro "Depois do homem: uma zoologia do futuro".

Não se pode excluir que as formigas assumam o domínio da Terra, e de facto isto foi especulado em diferentes análises, mas é impossível que saibamos como serão essas formigas dominantes, descendentes das atuais.

Do mesmo modo, quando o geólogo escocês Dougal Dixon publicou o seu livro "After Man: A Zoology of the Future" em 1981, no qual descreve como seriam as espécies dominantes do futuro e mostra ilustrações da sua possível morfologia, aqueles morcegos de um metro e meio de comprimento, por exemplo, poderiam formar uma história de ficção científica para nós na atualidade.

A questão é que, tendo em conta a história, por exemplo as pequenas criaturas que conviviam com os dinossauros e conseguiram sobreviver no final do período Cretácico, não se assemelhavam a nenhuma espécie conhecida na atualidade. Numa coisa todos os cientistas estão de acordo: a evolução é algo muito difícil de prever.