Saúde no trail running: incidência de doenças e a influência das estações do ano na preparação de atletas

Doenças no Trail Running durante o treino: um estudo prospetivo sobre o impacto do sexo, IMC e do sistema respiratório. Saiba mais aqui!

Sabia que mais de metade dos corredores de trail (52%) reporta pelo menos um episódio de doença durante o período de treino

O trail running é uma modalidade de corrida predominantemente realizada em terrenos naturais, como montanhas e florestas, que expõe os atletas a exigências físicas elevadas e a riscos ambientais significativos.

Embora a literatura desportiva se tenha focado tradicionalmente nas lesões músculo-esqueléticas e em episódios médicos ocorridos apenas no dia das competições, este estudo procurou analisar a incidência de doenças durante o longo período de preparação e treino.

152 corredores recreativos foram acompanhados durante 30 semanas

A investigação, conduzida na África do Sul, acompanhou de forma prospetiva um grupo de 152 corredores recreativos, sendo a maioria composta por homens.

Ao longo de 30 semanas, os participantes reportaram quinzenalmente o seu estado de saúde e volumes de treino através de um questionário padronizado.

O objetivo central foi determinar a prevalência e a gravidade das doenças, bem como identificar se fatores como a idade, o sexo ou a carga de treino influenciavam o risco de adoecer.

Incidência, sazonalidade e sistemas afetados

Os dados recolhidos revelaram que a doença é um evento frequente entre os corredores de trail, afetando mais de metade dos participantes durante o período de estudo.

As mulheres apresentam uma probabilidade 50% superior à dos homens de adoecer durante a preparação para uma prova

A incidência geral foi estabelecida em cerca de 7,2 episódios por cada 1000 dias de exposição, mas os resultados demonstraram disparidades importantes quando analisados por subgrupos.

As mulheres apresentaram uma taxa de incidência significativamente superior à dos homens, com uma probabilidade 1,5 vezes maior de contrair uma doença.

Outro fator determinante foi a época do ano, registando-se um aumento de 60% na ocorrência de doenças durante os meses de outono e inverno em comparação com as estações mais quentes. No que diz respeito aos sistemas biológicos, o trato respiratório foi, de longe, o mais atingido, sendo responsável por mais de 60% dos casos reportados, seguido por problemas do sistema digestivo.

Gravidade e fatores de risco

Quanto ao impacto no desempenho, verificou-se que as doenças não foram meramente superficiais; quase um terço dos corredores sofreu interrupções no treino superiores a uma semana devido à gravidade dos sintomas.

Na análise de risco, o Índice de Massa Corporal (IMC) surgiu como um indicador relevante, uma vez que corredores com um IMC > 25 kg/m2 (classificado como excesso de peso) apresentaram uma maior associação com episódios de doença.

Curiosamente, variáveis como a distância percorrida, o ritmo da corrida ou a frequência das sessões de treino não mostraram uma ligação direta com o aumento da suscetibilidade a infeções.

O estudo conclui que a monitorização da saúde respiratória deve ser uma prioridade nas orientações para o trail running, recomendando estratégias preventivas personalizadas para mulheres e atletas com IMC mais elevado, visando mitigar a perda de tempo de treino e garantir uma preparação mais segura e eficaz.

Referência da notícia

D.C.(C.) Janse van Rensburg, A.J. van Rensburg, P.H. Boer, et al., Illness is common in trail runners during training: a prospective cohort study, Journal of Science and Medicine in Sport, https://doi.org/10.1016/j.jsams.2025.12.008