O paradigma dos veículos limpos!

A qualidade de vida, é cada vez mais, identificada como um estágio almejado pelo ser humano, devendo relacionar-se com a preservação e respeito pelo meio ambiente. Que contribuição dos veículos ditos "limpos"?

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 05 Mar. 2019 - 16:25 UTC
O clima do planeta será menos extremo se o Homem deixar de interferir na sua auto-regulação.

Impulsionada por uma crescente cultura consumista, a actual sociedade acompanha o desenrolar de uma verdadeira revolução tecnológica, a qual, para além das melhorias que possibilitam um próspero e contínuo desenvolvimento, acarreta igualmente efeitos negativos nos recursos e ambiente do planeta. A qualidade de vida representa um processo intimamente condicionado pela frenética revolução tecnológica que a sociedade atual vivencia.

É incontornável associar o desenvolvimento ao aumento dos níveis da poluição, os quais, severamente implicam com o meio ambiente. Consideremos, para além do crescimento e desenvolvimento da indústria, o aumento do número de veículos automóveis em circulação, aliado à exaustiva necessidade de combustíveis fósseis que requerem, e obtém-se um impactante panorama mundial!

Efetivamente, nas últimas décadas, o ser humano tem vindo a tornar-se cada vez mais dependente de veículos automóveis para qualquer tipo de deslocação. Uma realidade que tem vindo a despertar para as implicações decorrentes dessa dependência, no que concerne quer a custos ambientais, quer a socioeconómicos, considerando que, em média, os transportes urbanos são responsáveis por cerca de 20% da totalidade da emissão de gases com efeito de estufa.

Carro elétrico: será alternativa ao veículo com motor de combustão?

Talvez não, nos moldes em que atualmente ainda é desenvolvido! Efetivamente, o funcionamento de um carro eléctrico resulta em zero emissões de dióxido de carbono para o ambiente, contudo, existe poluição considerando os processos utilizados para a produção da energia que o veículo eléctrico necessita para circular, podendo eventualmente mascarar-se o veículo “amigo do ambiente”, em perigoso inimigo!

Na realidade, não se tratando de um processo linear, não é de todo limpo. Há que ser considerado, o volume de emissões resultantes da extração e entrega de matéria-prima nas centrais de energia eléctrica, assim como, as emissões geradas pelo uso de combustível específico aquando da produção de eletricidade, as perdas de eletricidade durante a distribuição, a eficiência de combustível do veículo, e a pegada ecológica gerada quer na fabricação do veículo, quer das suas baterias.

A Humanidade vive o paradigma da crescente escassez dos combustíveis fósseis.

Efetivamente, no seu funcionamento, os veículos eléctricos não consomem, não queimam combustíveis fósseis, no entanto, para circularem consomem eletricidade, e para a gerarem, matérias-primas como carvão ou crude são extraídos, refinados e “queimados”.

Não obstante, este tipo de veículos representarem benefícios para a qualidade do ar e por inerência para um melhor meio ambiente, por emitirem menor quantidade de gases poluentes que contribuem para o desregulamento do efeito de estufa, se considerarmos o seu processo produtivo, estes veículos podem representar um pesado problema.

Aludir ainda que as suas baterias necessitam de matérias-primas como cobre e níquel. Se por um lado, a exploração destes minerais potencia a economia das regiões onde eles são extraídos, por outro lado, personifica distorções em termos ambientais e sociais em grande escala, considerando os delicados riscos associados às oportunidades de negócio.

De facto, os convencionais veículos com motor a combustão, gradualmente tenderão a ser substituídos por veículos eléctricos, auspiciando-se a que, progressivamente, a sua fonte de energia venha a ser eólica ou solar, 100% limpas e de custos residuais. Um cenário em que o planeta, e o Homem por consequência, só terão a ganhar!

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