China adia missão lunar Chang'e-7 por questões de segurança: entenda porquê e os objetivos desta ambiciosa exploração
Há uma ambiciosa missão chinesa, Chang’e-7, que irá explorar o polo sul lunar em busca de água gelada e outros compostos voláteis. Porém, no domingo (23), a agência espacial chinesa afirmou que a missão não reúne condições de segurança para descolar este ano.

Há lugares no Sistema Solar onde a noite não dura horas, dias ou sequer um inverno: dura milhares de milhões de anos. No fundo de algumas crateras da Lua, o Sol nunca chegou a nascer. Estas regiões permanentemente sombrias podem atingir temperaturas próximas do zero absoluto e conservar gelo e outras moléculas voláteis desde os primórdios da história lunar.
Uma missão para penetrar na escuridão
É neste mundo extremo que a China pretende entrar com a Chang’e-7, uma das missões mais ambiciosas do seu programa lunar. O lançamento inicialmente previsto para este ano a bordo de um Long March 5 teve de ser adiado após uma avaliação de segurança e fiabilidade, quando a missão já se encontrava na zona de lançamento. Mesmo assim, este atraso não diminui o alcance científico do projeto.
A Chang’e-7 foi concebida para explorar o polo sul lunar através de uma combinação inédita de meios: um orbitador, um módulo de aterragem, um rover e uma pequena sonda saltitante. No total transportará 18 instrumentos científicos, desde câmaras e um radar de penetração no solo até sensores capazes de identificar água e outros compostos voláteis.

O grande objetivo desta missão chinesa passa por investigar as crateras permanentemente na sombra, onde a ausência de luz solar permite que substâncias voláteis se mantenham congeladas durante períodos extraordinariamente longos.
A pequena sonda saltitante assumirá um papel de muito relevo ao poder deslocar-se através de saltos para regiões onde um veículo movido a energia solar teria dificuldade em sobreviver. A sonda saltitante irá analisar o material existente e realizar operações de perfura e recolha. Depois destes processos, terá de regressar às zonas iluminadas para recuperar energia. Será por isso fundamental que, de modo a que possa procurar água na escuridão, tenha mesmo de aprender a entrar e a sair dela.
O gelo lunar, combustível e o futuro
A descoberta de gelo lunar teria múltiplas consequências: não só da água que poderá servir para consumo e produção de alimentos, como também devido à sua possível separação em hidrogénio e oxigénio, componentes de combustível para foguetões.
Deste modo, os recursos encontrados poderiam reduzir a quantidade de água e propulsor que futuras missões humanas teriam de transportar da Terra.
No fundo a missão procura responder a uma pergunta decisiva para a exploração espacial… Poderá a Humanidade aprender a viver e a viajar utilizando os recursos de outros mundos? A resposta poderá ter início nas profundezas geladas de uma cratera onde o Sol nunca brilha.
Referência da notícia
Juan Scaliter. (2026). Comienza la última misión de China: perforar el polo sur de la Luna en busca de agua.
O Globo e AFP - Pequim. (2026). China adia missão lunar Chang'e-7 após falha de foguete e não tem data para novo lançamento.