China adia missão lunar Chang'e-7 por questões de segurança: entenda porquê e os objetivos desta ambiciosa exploração

Há uma ambiciosa missão chinesa, Chang’e-7, que irá explorar o polo sul lunar em busca de água gelada e outros compostos voláteis. Porém, no domingo (23), a agência espacial chinesa afirmou que a missão não reúne condições de segurança para descolar este ano.

Visão artística da nova missão espacial chinesa. Imagem: 中国新闻社
Visão artística da nova missão espacial chinesa. Imagem: 中国新闻社

Há lugares no Sistema Solar onde a noite não dura horas, dias ou sequer um inverno: dura milhares de milhões de anos. No fundo de algumas crateras da Lua, o Sol nunca chegou a nascer. Estas regiões permanentemente sombrias podem atingir temperaturas próximas do zero absoluto e conservar gelo e outras moléculas voláteis desde os primórdios da história lunar.

Uma missão para penetrar na escuridão

É neste mundo extremo que a China pretende entrar com a Chang’e-7, uma das missões mais ambiciosas do seu programa lunar. O lançamento inicialmente previsto para este ano a bordo de um Long March 5 teve de ser adiado após uma avaliação de segurança e fiabilidade, quando a missão já se encontrava na zona de lançamento. Mesmo assim, este atraso não diminui o alcance científico do projeto.

A Agência Espacial Tripulada da China informou ontem - domingo, 23 de agosto - que a missão não reúne as condições necessárias para ser realizada dentro da janela prevista para este ano, menos de duas semanas depois de uma falha num foguetão durante outro lançamento.

A Chang’e-7 foi concebida para explorar o polo sul lunar através de uma combinação inédita de meios: um orbitador, um módulo de aterragem, um rover e uma pequena sonda saltitante. No total transportará 18 instrumentos científicos, desde câmaras e um radar de penetração no solo até sensores capazes de identificar água e outros compostos voláteis.

A escolha do polo sul lunar também não é aleatória do ponto de vista da futura exploração humana. A China considera a Chang’e-7 uma parte da quarta fase do seu programa lunar e uma missão destinada a fornecer informações que ajudem a preparar uma presença científica de longa duração. Os planos chineses contemplam ainda a Chang’e-8 e, a mais longo prazo, uma Estação Internacional de Investigação Lunar.
A escolha do polo sul lunar também não é aleatória do ponto de vista da futura exploração humana. A China considera a Chang’e-7 uma parte da quarta fase do seu programa lunar e uma missão destinada a fornecer informações que ajudem a preparar uma presença científica de longa duração. Os planos chineses contemplam ainda a Chang’e-8 e, a mais longo prazo, uma Estação Internacional de Investigação Lunar.

O grande objetivo desta missão chinesa passa por investigar as crateras permanentemente na sombra, onde a ausência de luz solar permite que substâncias voláteis se mantenham congeladas durante períodos extraordinariamente longos.

É a região em torno da cratera Shackleton que concentra especificamente o interesse dos cientistas uma vez que reúne em simultâneo zonas escuras com áreas elevadas que recebem iluminação solar prolongada, sendo este último aspeto (luz solar) fulcral para fornecer energia aos veículos.

A pequena sonda saltitante assumirá um papel de muito relevo ao poder deslocar-se através de saltos para regiões onde um veículo movido a energia solar teria dificuldade em sobreviver. A sonda saltitante irá analisar o material existente e realizar operações de perfura e recolha. Depois destes processos, terá de regressar às zonas iluminadas para recuperar energia. Será por isso fundamental que, de modo a que possa procurar água na escuridão, tenha mesmo de aprender a entrar e a sair dela.

O gelo lunar, combustível e o futuro

A descoberta de gelo lunar teria múltiplas consequências: não só da água que poderá servir para consumo e produção de alimentos, como também devido à sua possível separação em hidrogénio e oxigénio, componentes de combustível para foguetões.

Deste modo, os recursos encontrados poderiam reduzir a quantidade de água e propulsor que futuras missões humanas teriam de transportar da Terra.

No fundo a missão procura responder a uma pergunta decisiva para a exploração espacial… Poderá a Humanidade aprender a viver e a viajar utilizando os recursos de outros mundos? A resposta poderá ter início nas profundezas geladas de uma cratera onde o Sol nunca brilha.

Referência da notícia

Juan Scaliter. (2026). Comienza la última misión de China: perforar el polo sur de la Luna en busca de agua.
O Globo e AFP - Pequim. (2026). China adia missão lunar Chang'e-7 após falha de foguete e não tem data para novo lançamento.