Aproximam-se a toda a velocidade duas frentes: “muita chuva, vento forte e novo arrefecimento", avança Alfredo Graça

Entre quarta e quinta-feira duas superfícies frontais e uma massa de ar frio trarão mais períodos de chuva, rajadas fortes, trovoadas e uma nova descida das temperaturas a Portugal continental. Confira a previsão detalhada para a sua região!
Após a passagem da depressão atlântica “atípica” para agosto - cuja fase mais intensa ocorrerá hoje segunda-feira (24) - prevê-se uma diminuição gradual da instabilidade até restarem somente vestígios intermitentes e ocasionais sob a forma de aguaceiros pós-frontais na terça-feira (25).
Deste modo, entre hoje (24) e amanhã (25), já haverá espaço a uma maior frequência de abertas. Ainda assim, as tréguas dadas pelas condições meteorológicas adversas serão “sol de pouca dura”.

E isto porque é cada mais provável o seguinte cenário: duas superfícies frontais irão alcançar o país de norte a sul em meados desta semana, com uma trajetória noroeste-sudeste. Os mapas de referência da Meteored apontam para quarta e quinta-feira, 26 e 27 de agosto, como as datas a reter.
Tendo em conta as projeções atualmente disponíveis, espera-se que estes dois dias - 26 e 27 de agosto - concentrem os volumes de precipitação mais elevados da semana. É possível ainda que a precipitação seja ocasionalmente acompanhada de trovoadas em diversas zonas.
De acordo com o modelo ECMWF, na origem deste estado do tempo estará uma vasta área de baixas pressões, que se estenderá entre as Ilhas Britânicas, a Península Ibérica e o Golfo da Biscaia, associada a um amplo vale em altitude, favorecendo então a passagem de sucessivas superfícies frontais no nosso país entre quarta (26) e quinta-feira (27).
A incerteza inerente à previsão, cujo horizonte ainda é suficientemente distante para permitir ajustes espaciais e temporais, faz com que neste momento seja difícil adiantar com precisão as zonas mais afetadas pelas superfícies frontais.

Porém, tudo aponta para que a distribuição da chuva seja semelhante à que é habitual em situações depressionárias com ventos de oeste e sudoeste, mais comuns no outono e no inverno, devido sobretudo ao transporte de humidade associado a estes ventos e ao efeito do relevo montanhoso, que potencia a ocorrência de chuva nas mais expostas, particularmente a norte de Montejunto-Estrela e a oeste da Barreira de Condensação.
Rajadas fortes, especialmente nestes intervalos horários e nestas zonas
O vento de oes-sudoeste produzirá rajadas fortes em ambos os dias. Na quarta-feira (26) os valores máximos atualmente previstos poderão aproximar-se dos 60 km/h e na quinta-feira (27), até 70 km/h.

Enquanto para quarta-feira (26) se antecipam rajadas fortes mais localizadas, tanto no litoral como nas terras altas do Norte e Centro e especialmente a norte do Mondego, na quinta (27) o vento tenderá a fortalecer-se um pouco por todo o país, com particular ênfase novamente na Região Norte e Centro-norte, exceto quiçá no Algarve e noutros pontos menos expostos do território.
A frescura, mais outonal do que estival, irá acentuar-se nestas datas
É expectável que a tendência de tempo fresco se acentue durante esta última semana de agosto, não só pela persistência de valores geralmente inferiores ao normal durante grande parte da semana, como também porque, em particular na quinta-feira (27) - se projeta um dia autenticamente de outono.

Não obstante, até mesmo quarta-feira (26) já deverá registar valores bastante frescos e apenas ligeiramente acima dos projetados para quinta (27) na generalidade do território.
De acordo com a última atualização dos mapas de referência da Meteored, as temperaturas máximas para quinta-feira (27) poderão situar-se entre os 16 e os 20 ºC em grande parte do Norte e do Centro, com valores inferiores nas áreas de maior altitude onde estariam possivelmente abaixo dos 10 ºC. Entre o Mondego e o Algarve, espera-se que as máximas alcancem valores aproximadamente entre os 22 e os 28 ºC.

Este panorama meteorológico significativamente fresco para a época do ano, marcada por nova descida das temperaturas, estará associado ao transporte de uma massa de ar frio de origem polar, enquadrada pela circulação depressionária e pela descida para sul até latitudes como a nossa, contribuindo para o acentuado arrefecimento previsto sobretudo no Norte e Centro e nas zonas montanhosas.