Um drone autónomo criado por estudantes de Aveiro quer levar ajuda onde é difícil chegar
Há lugares onde levar água, medicamentos ou outro apoio urgente significa enfrentar o perigo. Essa é justamente a missão do projeto AutoMEC UAV.

Cerca de 30 estudantes estão envolvidos no AutoMec UAV, um projeto que visa desenvolver um drone capaz de cumprir missões sem intervenção humana. Entre os objetivos estão o transporte de medicamentos para zonas de difícil acesso e a largada de água para apoiar o combate a incêndios. A equipa reúne estudantes de diferentes áreas e tem levado o projeto a competições nacionais e internacionais.
Mais do que criar uma aeronave, os estudantes estão a trabalhar num problema concreto. Como levar um recurso essencial a um lugar onde chegar pelo ar pode ser rápido, seguro ou simplesmente possível?
Construir para aprender
O AutoMec UAV nasceu em 2019 e cresceu através da participação em competições, incluindo provas internacionais no Reino Unido. O projeto já recebeu distinções, entre elas um prémio de projeto mais promissor, e continua a ser desenvolvido pelos estudantes da Universidade de Aveiro.
A competição atribui, assim, ao trabalho universitário uma dimensão que dificilmente se reproduz apenas numa sala de aula. O objetivo não é responder a um exercício com uma solução conhecida. É projetar uma tecnologia que ainda está em desenvolvimento.
Diferentes engenharias
O drone é um projeto coletivo da própria universidade. O desenvolvimento envolve diferentes departamentos e competências, desde a engenharia mecânica à engenharia de materiais e cerâmica, passando pela eletrónica, telecomunicações e informática.
Mas uma tecnologia pode precisar, além de conhecimentos de aerodinâmica, materiais e controlo, de organização, recursos e capacidade para transformar um protótipo num projeto sustentável. Essa é, portanto, a razão para a equipa incluir também estudantes de áreas não técnicas, como gestão e finanças.
O projeto conta também com o apoio da TEKEVER, que patrocina a equipa e disponibilizou instalações para a montagem da aeronave. A ligação entre universidade e empresa acrescenta ao processo uma experiência próxima das condições encontradas fora do ambiente académico.
Chegar primeiro e em segurança
O potencial do projeto vê-se justamente nas situações em que a distância ou o perigo comprometem a segurança humana. Num incêndio, a capacidade de transportar água até um ponto específico poderá ser uma ferramenta complementar para os operacionais no terreno. Numa comunidade isolada, uma aeronave autónoma poderá transportar medicamentos sem exigir uma deslocação longa e dispendiosa por terra.
A experiência acumulada nas competições, o trabalho entre departamentos e a aproximação à indústria podem ajudar a transformar esse conhecimento numa tecnologia com aplicações reais.

A inovação desta equipa não está apenas em criar um drone que voa sozinho. Está em planear uma tecnologia que possa ultrapassar obstáculos com rapidez e segurança. É aí que uma máquina construída por estudantes deixa de ser apenas um exercício de engenharia e ganha uma missão.
Referência da notícia
Universidade de Aveiro. Estudantes da UA estão a desenvolver drone autónomo para futuras missões humanitárias.