A partir de 1 de setembro poderá impor-se uma situação de NAO+: possíveis efeitos no tempo em Portugal
O início de setembro poderá trazer uma mudança clara no padrão atmosférico em Portugal. A provável instalação de uma fase NAO+ favorece tempo seco, maior influência anticiclónica e uma recuperação das temperaturas, sobretudo no Centro e Sul.
Depois de uma reta final de agosto marcada pela passagem de uma depressão e duas frentes frias, os mapas começam a mostrar uma mudança importante no padrão atmosférico.
A partir dos dias 30 e 31 de agosto, o regime de NAO+ deverá ganhar protagonismo, favorecendo uma primeira semana de setembro bastante mais estável, seca e progressivamente mais quente em Portugal continental.
30 e 31 de agosto, a circulação atmosférica começa a mudar
As previsões sub-sazonais do ECMWF mostram uma elevada probabilidade de estabelecimento de um regime de NAO+ (Oscilação do Atlântico Norte positiva) entre o final de agosto e a primeira metade de setembro.
A NAO descreve, de forma simplificada, a diferença de pressão entre a região subtropical do Atlântico, onde normalmente encontramos o Anticiclone dos Açores, e as baixas pressões das latitudes mais elevadas do Atlântico Norte.
Na sua fase positiva, este contraste tende a intensificar-se. As depressões atlânticas e respetivas frentes são frequentemente conduzidas para latitudes mais elevadas, em direção ao norte da Europa, enquanto a Península Ibérica fica mais exposta à influência das altas pressões.

É precisamente esta configuração que começa a surgir nos mapas. O Anticiclone dos Açores aparece bem posicionado no Atlântico, estendendo a sua influência em direção à Península Ibérica, enquanto as principais áreas depressionárias circulam bastante mais a norte.
Para Portugal, isto traduz-se numa mudança clara face aos últimos dias. Depois da chuva que marcou a última semana de agosto, o tempo deverá tornar-se progressivamente mais seco e estável.
A estabilidade regressa e temperaturas começam a subir entre 1 e 2 de setembro
Nos primeiros dias de setembro, a influência anticiclónica deverá continuar a fazer-se sentir. À partida, não se observam sistemas frontais capazes de provocar precipitação significativa em Portugal continental. Além da estabilização da atmosfera, começará também uma recuperação gradual das temperaturas.

Na quarta-feira, dia 2, os mapas do ECMWF já mostram valores superiores a 30 ºC em vários pontos do Centro e Sul, especialmente nas regiões interiores. No litoral oeste, a influência marítima deverá continuar a moderar o aquecimento, mas mesmo na faixa compreendida aproximadamente entre Viana do Castelo e Lisboa poderão registar-se valores na ordem dos 24 a 28 ºC.
O Interior Norte deverá ser uma das regiões onde a recuperação térmica será menos acentuada nesta primeira fase.
Massa de ar mais quente intensifica-se sobre a Península Ibérica
A partir de quinta-feira, dia 3, a subida das temperaturas deverá tornar-se mais evidente e abrangente.
O mapa de temperatura e geopotencial aos 925 hPa ajuda a perceber a razão. Uma massa de ar bastante mais quente, proveniente do Norte de África, expande-se em direção à Península Ibérica.

A circulação associada às altas pressões permitirá que este ar mais quente alcance Portugal, reforçando a subida das temperaturas à superfície. Na quinta-feira, o calor deverá abranger uma parcela consideravelmente maior do território, com os valores mais elevados novamente previstos para o Centro e Sul.
Na sexta-feira, dia 4, o cenário deverá manter-se semelhante, com ambiente seco, bastante estável e temperaturas elevadas para a época sobretudo nas regiões meridionais.
Primeira semana de setembro poderá ser mais quente do que o normal
O sinal térmico também aparece claramente nas previsões semanais do ECMWF para o período compreendido entre 31 de agosto e 7 de setembro.
O mapa de anomalias da temperatura média apresenta grande parte de Portugal sob tonalidades associadas a valores superiores à média climatológica. O sinal é especialmente evidente no Centro e, sobretudo, no Sul, onde a temperatura média semanal poderá ficar alguns graus acima do habitual para esta altura do ano. No Norte, pelo contrário, predominam áreas próximas do branco, indicando temperaturas mais próximas dos valores climatologicamente normais.

Naturalmente, tratando-se de uma previsão a médio prazo, ainda poderão surgir alterações. Contudo, os mapas disponíveis neste momento sugerem uma mudança relativamente consistente: a instabilidade do final de agosto deverá dar lugar a uma primeira semana de setembro dominada pelas altas pressões, ausência de chuva e recuperação significativa das temperaturas.