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"Sol artificial" alcança 100 milhões de graus Celsius na China

O "sol artificial" desenvolvido pela China, apelidado de Tokamak Experimental de Supercondução Avançada (EAST) atingiu um patamar importante. Descubra como!

Alfredo Graça Alfredo Graça 14 Nov. 2018 - 10:25 UTC
Este reator é apelidado de "sol artificial" porque funciona através de fusão nuclear, o processo de geração de calor do Sol e das estrelas.

O “sol artificial” alcançou os 100 milhões graus Celsius e funcionou a essa temperatura durante quase dez segundos. Com este reator de fusão atómica, os cientistas chineses progrediram rumo à criação de alternativas aos combustíveis fósseis na Terra.

A fusão nuclear é o processo de geração de calor do Sol e das estrelas. É por isso que este reator é denominado de "sol artificial". A fusão alcança uma temperatura três vezes superior à do núcleo do Sol e é vista como a forma mais eficiente de produzir energia. A fusão nuclear no reator (EAST) funciona a partir do aquecimento de uma mistura de dois gases de hidrogénio a 100 milhões graus Celsius, o que gera um plasma que fornece energia. Os cientistas encaram este projeto como sendo o futuro das energias renováveis.

O maior obstáculo da fusão para ser viável como fonte de energia, segundo os peritos, é a retenção do plasma durante tempo suficientemente longo. Este foi o grande feito dos chineses, que chegaram mais longe do que ninguém nesse aspeto. Li Ge, investigador do Instituto de Ciência Física, explicou que o processo “foi conseguido através de um aquecimento com um plasma gerado por uma supercondução magnética”, isto é, o plasma foi contido dentro do reator devido a um sistema de ímanes potentes.

A novidade da experiência chinesa não está nos altos valores de temperatura atingidos, mas no tempo que conseguiram mantê-la: já em 2015, uma equipa do Instituto Max Planck da Alemanha conseguiu atingir 80 milhões de graus Celsius num teste semelhante. O controlo desta operação por tanto tempo demonstra uma evolução técnica que aproxima os investigadores da chegada de reatores nucleares de fusão capazes de imitar o processo que acontece no Sol de forma natural, gerando energia.

Os cientistas encaram este projeto como sendo o futuro das energias renováveis.

Como se dá a fusão?

A fusão é uma reação química que consiste na união de dois átomos para formar um maior, libertando uma enorme quantidade de energia durante o processo, aquele que é utilizado, por exemplo, na bomba de hidrogénio. A energia obtida neste género de processos é mais potente que a observada nas usinas nucleares, que realizam fissão de átomos, partindo grandes partículas em átomos menores.

Conseguir uma fusão nuclear estável e controlada é uma das grandes ambições da comunidade científica internacional, uma vez que tem potencial como fonte de energia limpa e é um recurso quase inesgotável. A Academia de Ciências da China definiu este resultado como um “marco”.

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