Sines vai ter uma central dessalinizadora na zona industrial
A obra estará concluída em 2031 e irá impulsionar a produção de hidrogénio e de aço verde numa região afetada por stress hídrico.

O caminho para a descarbonização da economia levou Sines a desativar, em janeiro de 2021, a Central Termoelétrica, acabando também com as operações da central de carvão. Após 35 anos de atividade, o encerramento simbolizou um fim de uma era. Agora, o município do distrito de Setúbal está prestes a iniciar um novo ciclo.
A conclusão da obra está prevista até meados de 2031, mas, ainda antes do final deste ano, a empresa pública Águas de Santo André [AdSA] irá dar início aos estudos técnicos para avaliar a dimensão adequada da infraestrutura.
Esta é, aliás, uma análise que terá em conta a capacidade de produção de água potável da dessalinizadora de Albufeira, no Algarve, que deverá começar a funcionar em dezembro de 2026.

O que, no entanto, já é possível determinar é que a futura obra de Sines será financiada com uma tarifa industrial a longo prazo posteriormente calculada pela AdSA, entidade responsável pela gestão do Sistema de Santo André.
A empresa pública, do grupo Águas de Portugal, assegura o abastecimento de água às populações dos concelhos de Sines e Santiago do Cacém, bem como a recolha e tratamento das águas residuais, dando ainda resposta às exigências das indústrias localizadas na Zona Industrial e Logística de Sines, no abastecimento de água potável, água industrial, água residual e resíduos industriais.
Aliviar o stress hídrico na zona industrial
O governo justifica o investimento em Sines com o grande número de projetos industriais, de produção de hidrogénio e aço verde, entre outros, numa região frequentemente afetada por stress hídrico.
A prioridade, desde logo, será a necessidade de assegurar e reforçar o acesso à rede elétrica, condição essencial para viabilizar o projeto e que deverá ser ultrapassada através de legislação especifica para criar uma segunda zona de grande procura energética em Sines.
A necessidade justifica-se pelas grandes quantidades de água doce, reciclada e salgada que precisam de ser arrefecidas no processo de dessalinização.
Tendo esses consumos já sido autorizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, a proposta técnica apresentada ao governo recomenda um novo modelo de gestão de água para a região.

A estratégia passa por atribuir a coordenação e supervisão das quantidades de água doce, salgada e dessalinizada à empresa pública Águas de Santo André, que será igualmente responsável pela construção da central dessalinizadora de Sines.
Reaproveitar a antiga central de carvão
O projeto irá começar com uma dimensão mais pequena, podendo vir a ser ampliada à medida que mais necessidades de investimento surgirem.
A tecnologia a ser usada no processo de dessalinização é outra questão que está a ser avaliada por uma equipa composta por técnicos da Águas de Portugal e da AdSA, tendo o projeto ainda necessitar de licenciamento ambiental antes de as obras avançarem.
O que se espera, essencialmente, é que a central venha a aliviar a pressão da água no litoral alentejano e que seja mais um projeto enquadrado em outras iniciativas como a remodelação e reparação da Barragem de Santa Clara, em Odemira, no distrito de Beja, e a sua eventual ligação à Barragem do Alqueva, hipótese que se encontra atualmente em avaliação.
Referência da notícia
Obras da dessalinizadora de 120 milhões em Sines arrancam em 2027. Jornal Eco
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