Sines vai ter uma central dessalinizadora na zona industrial

A obra estará concluída em 2031 e irá impulsionar a produção de hidrogénio e de aço verde numa região afetada por stress hídrico.

Uma década depois de encerrar a central termoelétrica, espera-se que Sines venha a inaugurar uma dessalinizadora para apoiar as indústrias. Foto: Alves Gaspar, obra do próprio, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Uma década depois de encerrar a central termoelétrica, espera-se que Sines venha a inaugurar uma dessalinizadora para apoiar as indústrias. Foto: Alves Gaspar, obra do próprio, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O caminho para a descarbonização da economia levou Sines a desativar, em janeiro de 2021, a Central Termoelétrica, acabando também com as operações da central de carvão. Após 35 anos de atividade, o encerramento simbolizou um fim de uma era. Agora, o município do distrito de Setúbal está prestes a iniciar um novo ciclo.

O Governo anunciou que irá avançar em 2027 com a instalação de uma dessalinizadora em Sines. A sua construção deverá implicar um investimento de cerca de 120 milhões de euros.

A conclusão da obra está prevista até meados de 2031, mas, ainda antes do final deste ano, a empresa pública Águas de Santo André [AdSA] irá dar início aos estudos técnicos para avaliar a dimensão adequada da infraestrutura.

Esta é, aliás, uma análise que terá em conta a capacidade de produção de água potável da dessalinizadora de Albufeira, no Algarve, que deverá começar a funcionar em dezembro de 2026.

Sines é considerada zona de stress hídrico, o que justifica o projeto de uma nova dessalinizadora de água do mar. Foto: Guilherme Guimas, obra do próprio, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Sines é considerada zona de stress hídrico, o que justifica o projeto de uma nova dessalinizadora de água do mar. Foto: Guilherme Guimas, obra do próprio, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O que, no entanto, já é possível determinar é que a futura obra de Sines será financiada com uma tarifa industrial a longo prazo posteriormente calculada pela AdSA, entidade responsável pela gestão do Sistema de Santo André.

A empresa pública, do grupo Águas de Portugal, assegura o abastecimento de água às populações dos concelhos de Sines e Santiago do Cacém, bem como a recolha e tratamento das águas residuais, dando ainda resposta às exigências das indústrias localizadas na Zona Industrial e Logística de Sines, no abastecimento de água potável, água industrial, água residual e resíduos industriais.

Aliviar o stress hídrico na zona industrial

O governo justifica o investimento em Sines com o grande número de projetos industriais, de produção de hidrogénio e aço verde, entre outros, numa região frequentemente afetada por stress hídrico.

A prioridade, desde logo, será a necessidade de assegurar e reforçar o acesso à rede elétrica, condição essencial para viabilizar o projeto e que deverá ser ultrapassada através de legislação especifica para criar uma segunda zona de grande procura energética em Sines.

A necessidade justifica-se pelas grandes quantidades de água doce, reciclada e salgada que precisam de ser arrefecidas no processo de dessalinização.

Estima-se que o projeto de Sines venha a implicar a utilização de 10 hectómetros cúbicos, o equivalente a 10 mil milhões de litros de água.

Tendo esses consumos já sido autorizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, a proposta técnica apresentada ao governo recomenda um novo modelo de gestão de água para a região.

A central de carvão da zona industrial de Sines irá ser aproveitada como parte do novo sistema de captação de água do mar. Foto: Nick Humphries, CC BY, via Wikimedia Commons
A central de carvão da zona industrial de Sines irá ser aproveitada como parte do novo sistema de captação de água do mar. Foto: Nick Humphries, CC BY, via Wikimedia Commons

A estratégia passa por atribuir a coordenação e supervisão das quantidades de água doce, salgada e dessalinizada à empresa pública Águas de Santo André, que será igualmente responsável pela construção da central dessalinizadora de Sines.

Reaproveitar a antiga central de carvão

O projeto irá começar com uma dimensão mais pequena, podendo vir a ser ampliada à medida que mais necessidades de investimento surgirem.

Neste momento, segundo o governo, decorrem as negociações entre a Aicep Global Parques, que gere a Zona Industrial e Logística de Sines, a APA e a EDP para aproveitar parte da infraestrutura utilizada pela antiga central a carvão no novo sistema que irá captar a água do mar.

A tecnologia a ser usada no processo de dessalinização é outra questão que está a ser avaliada por uma equipa composta por técnicos da Águas de Portugal e da AdSA, tendo o projeto ainda necessitar de licenciamento ambiental antes de as obras avançarem.

O que se espera, essencialmente, é que a central venha a aliviar a pressão da água no litoral alentejano e que seja mais um projeto enquadrado em outras iniciativas como a remodelação e reparação da Barragem de Santa Clara, em Odemira, no distrito de Beja, e a sua eventual ligação à Barragem do Alqueva, hipótese que se encontra atualmente em avaliação.

Referência da notícia

Obras da dessalinizadora de 120 milhões em Sines arrancam em 2027. Jornal Eco

Não perca as últimas notícias da Meteored e desfrute de todo o nosso conteúdo no Google Discover totalmente GRÁTIS

+ Siga a Meteored