Dermatose Nodular Contagiosa dos bovinos está a avançar em Espanha. Fenapecuária pede medidas de vigilância em Portugal
A Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários (Fenapecuária) alerta para o risco acrescido da introdução desta doença em território nacional. Em comunicado, apelam ao “reforço imediato das medidas de vigilância e biossegurança”.

A Dermatose Nodular Contagiosa (DNC) é uma doença viral que afeta os bovinos e certas espécies de ruminantes selvagens.
Esta doença transmite-se principalmente por insetos hematófagos como os tabanídeos, moscas, mosquitos e carraças, que atuam como vetores mecânicos entre os animais infetados e/ou doentes e os animais sãos.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) explica que há outras vias de transmissão que também são possíveis, como o contacto direto entre animais doentes e sãos, a transmissão indireta através da água e alimentos contaminados, a transmissão intrauterina e via sémen, bem como a transmissão iatrogénica.
Nos bovinos, a doença tem geralmente um curso lento e progressivo, com febre, anorexia, salivação excessiva, corrimento óculo-nasal, diminuição da produção de leite e perda de peso, explica a DGAV.
O aspeto mais caraterístico dos animais infetados é o aparecimento de lesões cutâneas sob a forma de nódulos e tumefações, que se tornam necróticas e posteriormente formam crostas.
Não há tratamento para a DNC
Embora a taxa de mortalidade seja geralmente baixa (cerca de 10%), a morbilidade é de cerca de 45% e verifica-se que 50% dos animais infetados apresentam sintomas, pois podem ocorrer infeções assintomáticas.
O problema é que não existe tratamento para esta doença.
A DGAV explica que a vacinação está “proibida em toda a União Europeia”, sendo apenas “permitida a vacinação de emergência contra a DNC em caso de surto”, de acordo com o regulamento Delegado (UE) n.º 2023/361 da Comissão Europeia.
Focos de Dermatose Nodular em Espanha
Sucede que está a haver “a confirmação de focos de Dermatose Nodular Contagiosa em explorações bovinas em Espanha”, afirma a Fenapecuária, que alerta para o “risco acrescido da introdução desta doença em território nacional”.

A Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários lançou nesta sexta-feira, 13 de março, um comunicado em que apela ao “reforço imediato das medidas de vigilância e biossegurança”, para evitar a propagação da doença em Portugal.
A Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários relembra que “o setor pecuário nacional tem sido afetado por várias doenças” nos últimos tempos, como é o caso da Febre Aftosa, outra doença muito contagiosa provocada por um vírus que afeta os bovinos, ovinos, caprinos, suínos e outros animais bi-ungulados (javalis, cervídeos, muflões, antílopes, búfalos).

A Fenapecuária deixa um alerta: “a eventual introdução de DNC representaria um sério risco económico e sanitário para o efetivo bovino nacional”. E apela, por isso, ao “bom senso das autoridades competentes”, nomeadamente a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).
No efetivo de 123 novilhas foram identificados três animais com sinais clínicos compatíveis e a confirmação laboratorial foi obtida pelo Laboratório Central de Veterinária de Algete (Madrid), através de testes de PCR positivos para DNC.
Na sequência desta confirmação, “as autoridades espanholas implementaram imediatamente as medidas de emergência previstas na legislação europeia”, refere a DGAV, lembrando que, até ao momento, “Portugal é considerado um país livre de DNC”.
Além do foco em Espanha, foram também notificados focos de DNC em Itália e França.
Em Itália, a doença foi confirmada em junho de 2025, na ilha da Sardenha (Orani, província de Nuoro), afetando uma exploração de 131 bovinos.
Em junho de 2025, as autoridades francesas confirmaram a presença de DNC no departamento dos Pirenéus Orientais, junto à fronteira com Espanha, numa exploração de bovinos de carne. O foco também se disseminou por França nos departamentos de Sabóia (Savoie), Alta Sabóia (Haute-Savoie), Ain, e também Isère.
Em setembro de 2025, foi confirmado um novo foco em Saint-Laurent-de-Chamousset, departamento de Rhône, que fica fora da zona restrita inicial, a mais de 100 km do foco mais próximo.
Para além das medidas de emergência acima referidas Itália e França implementaram a vacinação de emergência na totalidade do território da ilha da Sardenha e nas zonas de restrição no sul da França.