Previsão sazonal para o trimestre de agosto, setembro e outubro no globo – anomalias da temperatura e precipitação
A Organização Meteorológica Mundial, OMM, divulga todos os meses uma previsão sazonal a nível global para os próximos três meses, com a previsão das anomalias da temperatura à superfície e da precipitação.

Esta previsão sazonal baseia-se nas previsões multimodelo, ou seja, são analisados em termos probabilísticos os valores médios mensais da temperatura à superfície e da precipitação no conjunto dos resultados de vários modelos globais de diferentes instituições meteorológicas.
Previsão probabilística das anomalias das temperaturas no globo para o período de agosto a outubro de 2026
Nos modelos globais utilizados para o cálculo do conjunto (ensemble) são os seguintes: Beijing, CMCC, CPTEC, ECMWF, Exeter, Melbourne, Montreal, Moscow, Offenbach, Pretoria, Seoul, Tokyo, Toulouse e Washington.
A razão fundamental para os bons resultados da abordagem multimodelo, em comparação com os resultados obtidos individualmente por diferentes modelos, prende-se com o facto de todos os modelos possuírem erros com amplitude suficiente para que não exista uma degradação significativa das previsões quando integrados à escala sazonal.
A temperatura à superfície da água do mar (SST) influencia o clima, as correntes, a circulação oceânica e os padrões meteorológicos, desde a escala local à escala global. Como exemplo disto temos o fenómeno El Niño-Oscilação do Sul (ENSO) que é um fenómeno climático natural, caraterizado por alterações significativas na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico tropical e que causa alterações nos padrões de chuva e temperatura em várias partes do globo.
O El Niño é caracterizado por um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, na região central e oriental, perto da costa da América do Sul, e La Niña por um arrefecimento.
Nesta previsão sazonal para o período de agosto a outubro de 2026 (ASO 2026), a previsão do conjunto multimodelo indica um rápido desenvolvimento para condições de El Niño intenso.
É de referir que a dispersão entre os sistemas de previsão individuais continua a ser pequena, o que reflete uma elevada confiança nas previsões.
No Índico, prevê-se também o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico (IOD - conhecido como "El Niño do Índico", fenómeno acoplado oceano-atmosfera que causa variações irregulares na temperatura da superfície do mar, alternando entre fases positivas, oeste mais quente, e negativas, leste mais quente), atingindo um valor médio sazonal de 0,6°C na ASO 2026.
No Atlântico, prevê-se que a região do Atlântico Tropical se mantenha geralmente quente, com as SSTs no Atlântico Tropical Norte e Sul a manterem-se acima do normal.
No entanto, no Atlântico Norte e numa vasta região subtropical do Pacífico Sul mais a oeste existe uma probabilidade elevada das SSTs estarem abaixo da média.

Para ASO 2026, o conjunto dos múltiplos modelos indica um sinal global generalizado de temperaturas da superfície terrestre acima da normal climatológica.
No Hemisfério Sul, prevê-se uma probabilidade elevada de temperaturas acima da normal no sul de África, entre o Equador e os 30°S na América do Sul e na Nova Zelândia.
Na Austrália, prevê-se um aumento moderado da probabilidade de temperaturas acima do normal nas regiões sul e central, com um sinal notavelmente mais fraco nas regiões do extremo norte.
Nos trópicos, um grande aumento das probabilidades de temperaturas acima do normal abrange a África equatorial, a América do Sul e a parte norte do Continente Marítimo. Sobre as bacias oceânicas, as previsões refletem a influência do evento El Niño, que se está a intensificar rapidamente.
Previsão probabilística das anomalias da precipitação no globo para o trimestre agosto, setembro e outubro de 2026
Para o período de agosto a outubro de 2026, a previsão global de precipitação é dominada por um forte sinal do El Niño.
Prevê-se um forte aumento da probabilidade de precipitação acima da média, estendendo-se pelo Pacífico equatorial central e oriental. O núcleo deste sinal de precipitação é ladeado por uma extensa região com probabilidades de precipitação abaixo da média.
Espera-se ainda precipitação abaixo da média no Oceano Índico tropical como no Oceano Atlântico equatorial, bem como um padrão em forma de ferradura que se estende pelos hemisférios Norte e Sul, começando por volta dos 120° Este.
No subcontinente indiano prevê-se um aumento da probabilidade de precipitação abaixo da média, no entanto, a noroeste, verifica-se um aumento das probabilidades de precipitação acima da média, estendendo-se a partes da Ásia Central e às regiões do norte da Península Arábica.

Prevê-se aumento de probabilidade de chuva acima da média no Grande Corno de África, com um aumento da probabilidade de chuvas abaixo da média a oeste. Na África equatorial a oeste e a leste um aumento de probabilidade de chuvas abaixo da média.
Na Austrália, o aumento da probabilidade de precipitação abaixo da média predomina nas regiões sul e leste, bem como nas regiões sul da América Central e Caraíbas.
Na América do Sul, na região noroeste, prevê-se um aumento significativo da probabilidade de ocorrência de chuvas abaixo da média estendendo-se de forma constante ao longo das zonas costeiras do norte até ao leste. Mais para sul tendência para chuvas acima da média na costa oeste e leste.