Previsão sazonal para o trimestre de abril, maio e junho no globo – anomalias da temperatura e precipitação
A Organização Meteorológica Mundial, OMM, divulga todos os meses uma previsão sazonal a nível global para os próximos três meses, com a previsão das anomalias da temperatura à superfície e da precipitação.

Esta previsão sazonal baseia-se nas previsões multimodelo, ou seja, são analisados em termos probabilísticos os valores médios mensais da temperatura à superfície e da precipitação no conjunto dos resultados de vários modelos globais de diferentes instituições meteorológicas.
Previsão probabilística das anomalias da temperatura à superfície no globo para o trimestre abril, maio e junho de 2026
Os modelos globais utilizados para o cálculo do conjunto (ensemble) são os seguintes: Beijing, CMCC, CPTEC, ECMWF, Exeter, Melbourne, Montreal, Moscow, Offenbach, Pretoria, Seoul, Tokyo, Toulouse e Washington.
A razão fundamental para os bons resultados da abordagem multimodelo, em comparação com os resultados obtidos individualmente por diferentes modelos, prende-se com o facto de todos os modelos possuírem erros com amplitude suficiente para que não exista uma degradação significativa das previsões quando integrados à escala sazonal.
A temperatura à superfície da água do mar (SST) influencia o clima, as correntes, a circulação oceânica e os padrões meteorológicos, desde a escala local à escala global. Como exemplo disto temos o fenómeno El Niño-Oscilação do Sul (ENSO) que é um fenómeno climático natural, caracterizado por alterações significativas na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico tropical e que causa alterações nos padrões de chuva e temperatura em várias partes do globo.
O El Niño é caracterizado por um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, na região central e oriental, perto da costa da América do Sul, e La Niña por um arrefecimento.
Nesta previsão sazonal para o período de abril a junho de 2026 (AMJ 2026), a previsão do conjunto multimodelo indica um consenso excecionalmente forte para uma rápida transição para o El Niño em maio, com vários modelos a sugerir o desenvolvimento de um El Niño forte já em junho/julho.
No Índico, prevê-se que o Dipolo do Oceano Índico (IOD - conhecido como "El Niño do Índico", fenómeno acoplado oceano-atmosfera que causa variações irregulares na temperatura da superfície do mar, alternando entre fases positivas (oeste mais quente) e negativas (leste mais quente) sofra uma mudança das condições neutras observadas no início de 2026 para uma fase IOD positiva em meados do ano, com a maioria dos modelos a convergir.
No Atlântico, prevê-se que a região do Atlântico Tropical mantenha os seus valores ligeiramente acima da média durante todo o período de previsão. No entanto numa faixa do Atlântico Norte existe uma probabilidade elevada de temperaturas abaixo da média.

Para AMJ 2026, o conjunto dos múltiplos modelos indica um sinal global generalizado de temperaturas da superfície terrestre acima da normal climatológica.
Prevê-se uma probabilidade elevada de condições acima da média para o sul da América do Norte, América Central e Caraíbas, apoiadas por uma forte coerência entre os modelos. Em contraste, o Norte da Ásia e o Norte da América do Norte exibem apenas uma ligeira inclinação para probabilidades acima da normal, com uma consistência relativamente fraca entre os modelos.
No Hemisfério Sul, prevê-se uma probabilidade elevada de temperaturas acima da normal para grande parte da América do Sul e África equatorial. Na região sul de África (a sul de 15°S) apenas um ligeiro aumento de probabilidade acima da normal, enquanto que no Norte da Austrália uma probabilidade elevada de temperaturas abaixo da média. No entanto maior parte da Austrália não apresenta um sinal claro de previsão, devendo prevalecer os valores climatológicos.
Previsão probabilística das anomalias da precipitação no globo para o trimestre abril, maio e junho de 2026
Para o período de abril a junho de 2026, a previsão global de precipitação é dominada por um forte sinal do El Niño, com as temperaturas das águas superficiais do Pacífico Equatorial, na região central e oriental, perto da costa da América do Sul, muito acima da média.
Uma ampla faixa zonal no Pacífico, com probabilidade muito elevada de ocorrência de precipitação acima da média (superiores a 70-80%), estende-se para norte do equador, desde aproximadamente 150°E até 150°W.
A sul do equador também no Pacífico projeta-se uma probabilidade elevada de precipitação, mas abaixo da média, bem como entre o Oceano Pacífico e a região leste do Índico, o Sudeste Asiático.

Na América do Norte, as regiões setentrionais não apresentam um sinal claro, enquanto que se prevê um ligeiro aumento da probabilidade de precipitação acima da média na América Central.
Por outro lado, indica-se uma tendência para chuvas abaixo da média no sul das Caraíbas. Na América do Sul, grande parte do interior norte e centro não apresenta um sinal claro, embora seja evidente um aumento moderado da probabilidade de precipitação acima da normal no noroeste.
Em África, verifica-se um aumento da probabilidade de precipitação acima da normal ao longo das regiões equatoriais, estendendo-se para nordeste até à Península Arábica.
Para a Austrália, a previsão indica um aumento fraco a moderado da probabilidade de precipitação abaixo da média em grande parte do continente, exceto na região mais a norte, onde se verifica um ligeiro aumento da probabilidade de precipitação próxima da normal climatológica.
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