Onda de calor de maio já é a terceira mais intensa de sempre e pode prolongar-se até junho

A onda de calor iniciada a 20 de maio está a gerar temperaturas inéditas para maio, ultrapassando os 40 °C e levando as autoridades de saúde a reforçar os alertas à população.

O Alentejo foi o epicentro da onda de calor, registando as temperaturas mais elevadas e a maior persistência do calor extremo. Foto: Adobe Stock
O Alentejo foi o epicentro da onda de calor, registando as temperaturas mais elevadas e a maior persistência do calor extremo. Foto: Adobe Stock

A onda de calor que começou a 20 de maio em Portugal Continental já é a terceira de maior magnitude alguma vez registada em maio, revelou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O episódio poderá estender‑se até aos primeiros dias de junho, com possibilidade de novos recordes.

O que é uma onda de calor?

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, considera‑se onda de calor quando, durante pelo menos seis dias consecutivos, a temperatura máxima diária ultrapassa em 5 °C o valor médio das máximas desse mês para cada estação meteorológica. O período de referência atualmente utilizado é 1991–2020.

Até às 10h00 de 28 de maio, 16 estações meteorológicas automáticas da rede do IPMA encontravam-se em situação formal de onda de calor. Embora o calor persistente se faça sentir em quase todo o território continental, o fenómeno afeta sobretudo o Alentejo e o Vale do Tejo, estendendo‑se também ao Centro Litoral, onde a estação de Anadia entrou recentemente na lista.

Recordes de temperatura e severidade do episódio

Este episódio já ultrapassou os máximos absolutos de temperatura para maio registados em décadas anteriores. No total, foram observados 22 novos extremos de temperatura máxima absoluta, um no dia 26 e os restantes no dia 27.
O número médio de dias em onda de calor tem aumentado nas últimas décadas, refletindo a maior frequência e persistência de episódios extremos em Portugal Continental.
O número médio de dias em onda de calor tem aumentado nas últimas décadas, refletindo a maior frequência e persistência de episódios extremos em Portugal Continental.

O valor mais elevado foi registado em Mora, com 40,3 °C, superando o recorde nacional anterior de 40 °C, observado no Pinhão, em 1953, e em Monfortinho, em 2001. Registaram‑se ainda quatro novos extremos de temperatura mínima absoluta para maio.

Agravamento e possível prolongamento do fenómeno

Com uma duração média de 7,9 dias, esta é a oitava onda de calor mais longa de maio desde que há registos, ainda abaixo do máximo de 9,7 dias observado em 1964. Já no que diz respeito à magnitude média, o episódio ocupa o terceiro lugar histórico, com um índice acumulado de 68,9 °C, apenas superado pelos valores de 1965.

O IPMA admite que novas estações possam entrar em situação de onda de calor nos próximos dias, sobretudo no Norte e no Centro interior, onde poderão ocorrer igualmente novos extremos. Se o episódio se mantiver, poderá tornar‑se o mais extenso e intenso alguma vez registado em maio.

Como proteger a saúde durante o calor extremo

As ondas de calor não afetam apenas o conforto térmico, podendo também comprometer a energia, a concentração e o bem-estar ao longo do dia. Para reduzir os efeitos do calor extremo, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda beber água regularmente, mesmo sem sede, e desaconselha o consumo de bebidas alcoólicas ou com cafeína.

É igualmente aconselhável permanecer em locais frescos ou climatizados durante duas a três horas por dia e manter janelas, persianas e estores fechados nas horas de maior calor.

A exposição solar deve ser evitada entre as 11h00 e as 17h00. Durante esse período, é importante usar protetor solar com fator 30 ou superior e reaplicá-lo de duas em duas horas.

Também se recomenda o uso de roupa clara, leve e larga, bem como chapéu e óculos de sol, além de evitar atividades físicas intensas no exterior. Em caso de necessidade de fazer viagens de carro, devem privilegiar-se os períodos menos quentes do dia e nunca permanecer dentro da viatura exposta ao sol.

No dia 27 de maio, Portugal bateu 21 recordes de temperatura máxima, incluindo o extremo de 40,3 °C em Mora. Mapa: IPMA
No dia 27 de maio, Portugal bateu 21 recordes de temperatura máxima, incluindo o extremo de 40,3 °C em Mora. Mapa: IPMA

A DGS sublinha ainda a necessidade de vigilância reforçada sobre os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças crónicas. As crianças, em particular, devem ser incentivadas a beber água com frequência, enquanto os bebés com menos de seis meses não devem ser expostos diretamente ao sol.

A população idosa, por seu turno, deverá ser acompanhada de perto, assegurando-lhe uma hidratação adequada. Perante sinais de alerta, como febre, náuseas ou transpiração excessiva, a DGS relembra que se deve contactar o SNS 24 (808 24 24 24) ou, em emergência, o 112.

Referências do artigo

Onda de Calor Portugal Continental– Maio de 2026 – IPMA

O que é a onda de calor? – IPMA

Proteja-se contra o calor - SNS24

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