O 5G ameaça as previsões do tempo

A tecnologia 5G constituirá um avanço extraordinário na navegação pela Internet mas, também, uma verdadeira dor de cabeça para os meteorologistas. Descubra porquê.

Alfredo Graça Alfredo Graça 07 Maio 2019 - 15:05 UTC
A tecnologia 5G utiliza frequências que servem para recolher dados de satélites meteorológicos.

O 5G vai revolucionar a tecnologia e, com ela, a nossa vida. Vamos poder navegar pela Internet muito mais rápido ou interconectar, por exemplo, todos os nossos eletrodomésticos. Os seus criadores argumentam que será possível que estejam ligados milhares de dispositivos por quilómetro quadrado sem que isto afete a fluidez dos dados. Já não é uma utopia, o 5G, numa questão de três ou quatro anos, estará mais que enraizado. Os meteorologistas estão preocupados que as transmissões de 5G possam interferir na recolha de dados.

O que é o 5G? É a quinta geração da rede móvel. A primeira permitia falar ao telefone, a segunda permitia além disso enviar SMS. A terceira trouxe os dados móveis e a quarta, a realidade virtual. Assim, o 5G é o principal recurso para validar a implementação da “Internet of Things”, cuja principal característica passará pelo estímulo a uma melhor integração dos dispositivos conectados à Internet, como smart TVs, automóveis, serviços de segurança, ou até no seu frigorífico!

Os satélites responsáveis pela observação da Terra utilizam uma frequência de 23,8 gigahertz, na qual conseguem analisar o vapor de água presente na atmosfera. Eles monitorizam a energia irradiada do planeta nesta frequência para avaliar a humidade na atmosfera. Estes dados ajudam a prever tempestades e como outros fenómenos climáticos se vão desenvolver ao longo do tempo.

O problema reside no facto de que, caso uma estação 5G transmita informações quase na mesma frequência, ela produzirá um sinal bastante semelhante ao do vapor de água, interferindo na recolha de dados. Assim, receber e trabalhar a informação transmitida pelos satélites será uma verdadeira dor de cabeça, especialmente se o objetivo é concretizá-lo de forma rápida. Medidas deverão ser tomadas, até porque parece que o vapor de água será uma das variáveis mais prejudicadas, aspeto fulcral nas previsões meteorológicas.

A frequência utilizada pelo 5G pode afetar aquela que é usada pelos satélites para observar vapor de água na atmosfera.

Negociações

A agência norte-americana NOAA e a NASA estão atualmente em conversações com a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA para encontrar uma solução. A NOAA e a NASA pedem para que as frequências utilizadas para a observação da Terra sejam protegidas contra as interferências do 5G. Contudo, a FCC leiloou o primeiro pedaço do espectro 5G, praticamente sem proteção, no passado dia 17 de abril, faturando quase 2 mil milhões de dólares.

Esta questão fez com que vários países marcassem um encontro no dia 28 de outubro em Sharm el-Sheikh, no Egito, para elaborar acordos internacionais sobre as frequências que as empresas vão utilizar para transmissões 5G. Também as frequências de 23-24 GHz, utilizadas pelos satélites meteorológicos de última geração, serão tema de negociação. Se se mantiver a tendência, será difícil antecipar tempestades e outros episódios meteorológicos de tempo severo. Os mapas perderão credibilidade.

A FCC não mostrou até ao momento o menor sinal de preocupação. Aliás, já começou a planear a realização de um novo leilão em dezembro, onde outras três frequências serão leiloadas. Algumas delas são utilizadas pelos satélites para observar precipitações, camadas de gelo e nuvens.

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