Moçambique: depois do Idai, ciclone Kenneth faz vários mortos!

O ciclone Kenneth dissipou-se no passado sábado, mas a depressão atmosférica que gerou tem continuado a provocar chuva com imensa intensidade.

Lidia Magno Lidia Magno 30 Abr. 2019 - 11:18 UTC
Depois do Idai veio o ciclone Kenneth.

Em alguns bairros "há água até à cintura", disse uma fonte das equipas de socorro das Nações Unidas que a par do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estão a caminho de alguns dos bairros mais precários da cidade.

O ciclone Kenneth chegou ao Norte de Moçambique classificado com a categoria quatro, a segunda mais grave, com ventos contínuos de 225 quilómetros por hora e rajadas de 270 quilómetros por hora, anunciou hoje o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (OCHA). De acordo com as autoridades locais, o ciclone provocou pelo menos 38 mortos.

Apesar de já ter perdido força, continua a provocar chuvas intensas na região e há elevado risco de cheias e deslizamento de terras. Segundo o Governo moçambicano, há pelo menos 36 mil pessoas acolhidas em centros de abrigo. Moçambique volta a ser atingido por um ciclone, depois do impacto do Idai a 14 de março, que provocou pelo menos 603 mortos.

Moçambique foi assolado por cheias. Foto: Mike Hutchings/Reuters.

Situação de catástrofe

O ciclone Kenneth dissipou-se no sábado passado, mas a depressão atmosférica que gerou tem continuado a provocar chuva com intensidade em diversas zonas das províncias de Cabo Delgado e Nampula. A cidade de Pemba tinha escapado à entrada do ciclone em terra, na quarta-feira, mas o pior acabou por chegar no passado domingo. No início da madrugada, o vento começou a soprar com intensidade, amainando de seguida para dar lugar à chuva forte, acompanhada de trovoadas. Algumas das principais artérias da cidade estão submersas sendo quase impossível circular nalguns locais.

O ciclone Kenneth foi o primeiro, desde que há registos, a atingir o Norte de Moçambique, onde provocou 38 mortos, segundo números oficiais e numa altura em que ainda decorrem levantamentos em zonas mais remotas. Quase 3.500 casas foram parcial ou totalmente destruídas, pelo menos 16 mil pessoas foram afetadas pelo ciclone e há mais de 18 mil pessoas em 22 centros de acomodação.

O impacto não foi maior porque o Governo retirou 30 mil pessoas de áreas de risco e alojou-as em centros de acomodação antes da chegada do ciclone. Foram criados 74 centros de acomodação para a população afetada, sendo que neste momento 39 já estão activos, 11 deles em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, albergando mais de 18 mil pessoas.

De acordo com o ponto da situação do INGC, a proteção civil moçambicana, pelo menos 3384 casas foram total ou parcialmente destruídas, bem como 31 salas de aulas e três centros de saúde. Uma ponte foi destruída, assim como 20 torres de alta tensão e 34 postes de baixa tensão.

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