Meteorologista Teresa Abrantes apresenta o clima de maio de 2026 no continente, com base nos dados do IPMA

O mês de maio de 2026, em Portugal continental, classificou-se, do ponto de vista climatológico, como um mês quente em relação à temperatura do ar e seco em relação à precipitação.

Maio de 2026 foi um mês quente e seco.
Maio de 2026 foi um mês quente e seco.

Em maio, o estado do tempo em Portugal continental foi condicionado por situações depressionárias com sistemas frontais associados que deram origem a alguma precipitação, que ocorreu sobretudo nas regiões Norte e Centro. No entanto, ao longo do mês, durante dois períodos prolongados uma região anticiclónica influenciou o estado do tempo, que foi mais estável, sem precipitação e com temperaturas relativamente altas para o mês de maio.

Temperatura média acima dos valores normais para esta altura do ano

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, IPMA, em Portugal continental, no mês de maio, o valor médio da temperatura média do ar, 17,85 °C, foi 1,00 °C superior ao valor da normal 1991-2020.

Maio de 2026 foi o 10º maio mais quente desde 2000, tendo o mais quente ocorrido em 2022, com 19,20 °C.

Anomalias da temperatura média do ar no mês de maio, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: IPMA
Anomalias da temperatura média do ar no mês de maio, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: IPMA

O valor médio da temperatura máxima do ar, 24,15 °C, foi 1,63 °C acima do valor médio no período 1991-2020 e foi a 10ª mais alta desde 2000 para o mês de maio.

No ano 2022 registou-se o maio mais quente no Continente, com 25,87 °C.

O valor médio da temperatura mínima do ar, 11,54 °C, registou uma anomalia de 0,36°C superior ao valor normal, sendo o 9º valor mais alto desde 2000. O valor mais alto, 13.13 °C, registou.se em 2011.

O maior valor da temperatura máxima do ar foi 40,3 °C, que se registou em Mora, no dia 27 e o menor valor da temperatura mínima do ar, 0,7 °C, ocorreu em Carrazeda de Ansiães, no dia 6 e em Lamas de Mouro, no dia 18.

Ao longo do mês identificam-se dois períodos distintos da temperatura média do ar. Um primeiro período frio, de 1 a 19 de maio, com valores diários da temperatura média do ar abaixo do valor médio mensal e de 20 a 31 um segundo período extremamente quente com valores de temperatura média muito acima do normal.

As maiores anomalias, acima dos 10,0 °C, em relação ao valor médio, verificaram-se no período quente nos valores da temperatura máxima nos dias 22, 26 e 27.

Em maio registou-se uma onda de calor extensa no Alentejo e vale do Tejo, estendendo-se mais tarde também às regiões do interior Norte e Centro. A duração máxima desta onda de calor foi de 13 dias, que se registou nas estações meteorológicas de Castelo Branco e de Mértola.

Esta onda de calor é a segunda mais longa para o mês de maio, com 9,5 dias, tendo a mais longa, de 9,7 dias, ocorrido em 1964.

Durante o mês de maio, no período de 26 a 28, registaram-se novos ou igualaram-se recordes da temperatura máxima em 25 estações e no dia 27 foram ainda registados quatro novos extremos nos maiores valores de temperatura mínima.

A precipitação em maio foi inferior ao valor normal

De acordo com o IPMA, o mês de maio de 2026, registou um total de precipitação mensal de 46,4 mm, com uma anomalia de -15.5 mm, muito inferior ao valor médio 1991-2020.

Valores de precipitação inferiores ao deste mês ocorreram em 40% dos anos desde 1931.

Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de maio, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: IPMA
Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de maio, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1991-2020. Fonte: IPMA

Ao longo do mês verificou-se a ocorrência de precipitação mais significativa, entre os dias 2 e 4 nas regiões do Norte e Centro, e entre 8 e 12 em todo o território.

O valor normal de precipitação para maio foi ultrapassado em 23% das estações meteorológicas, destacando-se as estações do litoral oeste, Cabo Carvoeiro, cerca de 2 vezes o valor médio e Sagres, cerca de 1,5 vezes o valor médio.

Em maio, o maior valor da quantidade de precipitação em 24 horas, 38,9 mm, registou-se em Lisboa / Tapada da Ajuda, no dia 9.

Monitorização da Seca – Índice PDSI

O valor da quantidade de precipitação acumulada no ano hidrológico 2025/2026 (1 de outubro de 2025 a 30 setembro de 2026), até final de maio, foi de 1040.2 mm, corresponde a 142% do valor normal 1991-2020.

Este ano hidrológico (o período de 1 outubro a 31 maio) é o 17º mais chuvoso desde 1931 e o 2º mais chuvoso desde 2000, depois de 2001, com 1275,2 mm.

Neste mês de maio, a região Norte registou um total mensal de cerca de 60% em relação ao valor médio, enquanto a região Sul registou apenas 30%.

Em maio de 2026 verificou-se uma diminuição generalizada da água disponível no solo na camada dos 0–100 cm. A redução foi mais acentuada nas regiões do interior Centro e Sul, em particular no Alentejo e Algarve, onde aumentaram as áreas com menores valores de humidade do solo.

De acordo com o Índice Meteorológico de Seca, PDSI, índice meteorológico de seca calculado pelo IPMA para monitorização da situação de seca, a 31 de maio mantém-se a ausência de seca meteorológica em Portugal Continental, apesar de se ter verificado uma diminuição das condições húmidas do solo.

A distribuição percentual por classes do índice PDSI no território continental, no final de maio é a seguinte: 54.7% na classe normal, 42.1% na classe de chuva fraca, 3.3% na classe de chuva moderada.