Lisboa recebe o Congresso Mundial do Azeite e reúne os maiores especialistas internacionais do setor
A capital portuguesa recebe nos dias 2 e 3 de julho, quinta e sexta-feira, a segunda edição do Congresso Mundial do Azeite (OOWC, na sigla em inglês), um dos mais relevantes fóruns internacionais do setor oleícola. O Centro Cultural de Belém vai reunir especialistas, investigadores, produtores, empresas e representantes de vários países.

O Congresso Mundial do Azeite é considerado um dos mais importantes encontros internacionais dedicados ao setor do azeite.
A primeira edição teve lugar em Madrid (Espanha), em junho de 2024; a segunda edição decorre entre quinta e sexta-feira desta semana, em Lisboa (Portugal).
Isso mesmo é reconhecido pelo diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional (COI), Jaime Lillo.
Antes do congresso, Lisboa recebeu nos dias 29 e 30 de junho a 123.ª sessão do Conselho de Membros do Conselho Oleícola Internacional (COI) e a 66.ª reunião do seu Comité Consultivo, dois fóruns de diálogo e cooperação do setor.
COI: membros valem 95% da produção mundial
Recorde-se que os países membros do COI representam cerca de 95% da produção mundial de azeite e azeitonas de mesa.
Nas últimas seis décadas, tanto a produção como o consumo mundial de azeite triplicaram. Nesta altura, cerca de 45% do consumo mundial ocorre fora dos países produtores tradicionais e já se encontram implantados olivais nos cinco continentes.
Jaime Lillo, diretor executivo do COI, explica que “o azeite já não é apenas um produto mediterrânico; atualmente, é consumido em todo o mundo e os principais motores de crescimento da procura encontram-se em mercados cada vez mais diversificados”.

É por isso que essa internacionalização também exige “mais cooperação e mais partilha de conhecimentos e normas de qualidade sólidas”, alerta Jaime Lillo.
Adaptar o olival às alterações climáticas
Mas há mais preocupações em cima da mesa. Os participantes na 123.ª sessão do Conselho de Membros do Conselho Oleícola Internacional (COI) e na 66.ª reunião do seu Comité Consultivo dizem que os principais desafios nos próximos anos passam por “melhorar a resiliência do setor face às alterações climáticas”.
E sublinham que também é necessário “gerir a volatilidade dos mercados, impulsionar sistemas de produção cada vez mais sustentáveis, abrir novas oportunidades comerciais e continuar a reforçar a confiança dos consumidores através de normas internacionais de qualidade rigorosas e harmonizadas”.
O ministro da Agricultura de Portugal, que tutela este setor, não podia estar mais satisfeito com a realização do congresso do COI em Portugal.
“O facto de Portugal receber a segunda edição do Olive Oil World Congress é o reconhecimento do percurso que o país tem realizado no setor oleícola. Hoje somos um dos principais produtores e exportadores mundiais de azeite, resultado de anos de investimento, modernização, inovação tecnológica e aposta na qualidade, fatores que colocaram o azeite português entre os mais valorizados nos mercados internacionais”, afirma José Manuel Fernandes.
Há vários temas centrais em debate e que se prendem com o futuro da fileira.
Um deles é o problema das alterações climáticas e da adaptação aos fenómenos climatéricos extremos, sobretudo as secas severas, que condicionam a produtividade e, até, a viabilidade das oliveiras.
Inteligência artificial na agricultura
Por outro lado, a digitalização e a aplicação da inteligência artificial à produção agrícola, a qualidade e autenticidade do azeite e os impactos da instabilidade geopolítica nos mercados internacionais também estarão em debate.
Os oradores são especialistas nacionais e internacionais provenientes da investigação, da indústria e das organizações representativas do setor.

A relevância económica da fileira do azeite para Portugal continua a ser expressiva. Para a campanha 2025/2026, estima-se uma produção de cerca de 179 mil toneladas, valor semelhante ao da campanha anterior e 15% acima da média das últimas cinco campanhas.
Em 2025, Portugal exportou 228.599 toneladas de azeite, gerando mais de mil milhões de euros em receitas externas e mantendo um saldo comercial positivo de cerca de 586 milhões de euros.