Lisboa recebe o Congresso Mundial do Azeite e reúne os maiores especialistas internacionais do setor

A capital portuguesa recebe nos dias 2 e 3 de julho, quinta e sexta-feira, a segunda edição do Congresso Mundial do Azeite (OOWC, na sigla em inglês), um dos mais relevantes fóruns internacionais do setor oleícola. O Centro Cultural de Belém vai reunir especialistas, investigadores, produtores, empresas e representantes de vários países.

A relevância económica da fileira do azeite para Portugal continua a ser expressiva. Para a campanha 2025/2026, estima-se uma produção de cerca de 179 mil toneladas.
A relevância económica da fileira do azeite para Portugal continua a ser expressiva. Para a campanha 2025/2026, estima-se uma produção de cerca de 179 mil toneladas.

O Congresso Mundial do Azeite é considerado um dos mais importantes encontros internacionais dedicados ao setor do azeite.

A primeira edição teve lugar em Madrid (Espanha), em junho de 2024; a segunda edição decorre entre quinta e sexta-feira desta semana, em Lisboa (Portugal).

Isso mesmo é reconhecido pelo diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional (COI), Jaime Lillo.

“Durante os últimos dias de junho e os primeiros dias de julho, Lisboa tornar-se-á a capital da comunidade internacional do azeite. Será um encontro extraordinário que reunirá representantes dos principais países produtores de azeite e de azeitonas de mesa, bem como representantes dos produtores, exportadores e importadores, das principais empresas do setor e da comunidade científica”, afirma aquele responsável. Esta será, aliás, “uma oportunidade única para dialogar sobre os principais desafios e contribuir para as soluções de que o setor olivícola internacional necessita”.

Antes do congresso, Lisboa recebeu nos dias 29 e 30 de junho a 123.ª sessão do Conselho de Membros do Conselho Oleícola Internacional (COI) e a 66.ª reunião do seu Comité Consultivo, dois fóruns de diálogo e cooperação do setor.

COI: membros valem 95% da produção mundial

Recorde-se que os países membros do COI representam cerca de 95% da produção mundial de azeite e azeitonas de mesa.

Nas últimas seis décadas, tanto a produção como o consumo mundial de azeite triplicaram. Nesta altura, cerca de 45% do consumo mundial ocorre fora dos países produtores tradicionais e já se encontram implantados olivais nos cinco continentes.

Jaime Lillo, diretor executivo do COI, explica que “o azeite já não é apenas um produto mediterrânico; atualmente, é consumido em todo o mundo e os principais motores de crescimento da procura encontram-se em mercados cada vez mais diversificados”.

Em 2025, Portugal exportou 228.599 toneladas de azeite, gerando mais de mil milhões de euros em receitas externas e mantendo um saldo comercial positivo de cerca de 586 milhões de euros.
Em 2025, Portugal exportou 228.599 toneladas de azeite, gerando mais de mil milhões de euros em receitas externas e mantendo um saldo comercial positivo de cerca de 586 milhões de euros.

É por isso que essa internacionalização também exige “mais cooperação e mais partilha de conhecimentos e normas de qualidade sólidas”, alerta Jaime Lillo.

Adaptar o olival às alterações climáticas

Mas há mais preocupações em cima da mesa. Os participantes na 123.ª sessão do Conselho de Membros do Conselho Oleícola Internacional (COI) e na 66.ª reunião do seu Comité Consultivo dizem que os principais desafios nos próximos anos passam por “melhorar a resiliência do setor face às alterações climáticas”.

E sublinham que também é necessário “gerir a volatilidade dos mercados, impulsionar sistemas de produção cada vez mais sustentáveis, abrir novas oportunidades comerciais e continuar a reforçar a confiança dos consumidores através de normas internacionais de qualidade rigorosas e harmonizadas”.

O ministro da Agricultura de Portugal, que tutela este setor, não podia estar mais satisfeito com a realização do congresso do COI em Portugal.

“O facto de Portugal receber a segunda edição do Olive Oil World Congress é o reconhecimento do percurso que o país tem realizado no setor oleícola. Hoje somos um dos principais produtores e exportadores mundiais de azeite, resultado de anos de investimento, modernização, inovação tecnológica e aposta na qualidade, fatores que colocaram o azeite português entre os mais valorizados nos mercados internacionais”, afirma José Manuel Fernandes.

O presidente da Direção da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, por sua vez, garante que a realização deste congresso em Lisboa “confirma a crescente projeção internacional do país neste setor”. Pedro Lopes não tem dúvidas de que “Portugal é hoje um país com uma voz cada vez mais relevante no panorama mundial do azeite. Crescemos muito nos últimos anos, modernizámos o olival, investimos em tecnologia, inovamos no campo e nos lagares, e produzimos azeites de excelência, reconhecidos nacional e internacionalmente”, sublinha.

Há vários temas centrais em debate e que se prendem com o futuro da fileira.

Um deles é o problema das alterações climáticas e da adaptação aos fenómenos climatéricos extremos, sobretudo as secas severas, que condicionam a produtividade e, até, a viabilidade das oliveiras.

Inteligência artificial na agricultura

Por outro lado, a digitalização e a aplicação da inteligência artificial à produção agrícola, a qualidade e autenticidade do azeite e os impactos da instabilidade geopolítica nos mercados internacionais também estarão em debate.

Os oradores são especialistas nacionais e internacionais provenientes da investigação, da indústria e das organizações representativas do setor.

O presidente da Direção da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, garante que este congresso em Lisboa “confirma a crescente projeção internacional do país neste setor”.
O presidente da Direção da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, garante que este congresso em Lisboa “confirma a crescente projeção internacional do país neste setor”.

A relevância económica da fileira do azeite para Portugal continua a ser expressiva. Para a campanha 2025/2026, estima-se uma produção de cerca de 179 mil toneladas, valor semelhante ao da campanha anterior e 15% acima da média das últimas cinco campanhas.

Em 2025, Portugal exportou 228.599 toneladas de azeite, gerando mais de mil milhões de euros em receitas externas e mantendo um saldo comercial positivo de cerca de 586 milhões de euros.