O que acontecerá em Portugal após a cúpula de calor: na terça, dia 7, o Anticiclone dos Açores começa a enfraquecer

Portugal poderá manter-se sob uma cúpula de calor até, pelo menos, 7 de julho, com máximas acima dos 40 ºC, noites quentes e sinais de mudança gradual a partir da próxima semana.
Portugal continental poderá estar a atravessar um dos episódios de calor mais persistentes dos últimos anos, com uma cúpula de calor a dominar o estado do tempo ao longo da primeira semana de julho.
As temperaturas deverão manter-se muito elevadas, pelo menos até dia 7, mas os modelos meteorológicos começam agora a indicar alterações na circulação atmosférica que poderão modificar gradualmente este cenário.
Até dia 7: calor intenso e persistente sob domínio anticiclónico
Durante os próximos dias, o Anticiclone dos Açores permanecerá robusto e estrategicamente posicionado a oeste da Península Ibérica, bloqueando a entrada de massas de ar mais fresco provenientes do Atlântico e do norte da Europa.
Esta configuração favorece a instalação de uma cúpula de calor. Ao mesmo tempo, uma massa de ar quente vinda do Norte de África já está a ser transportada para o interior de da Península Ibérica.
A forte insolação desta época do ano, aliada à capacidade da superfície peninsular para acumular calor durante o dia e libertá-lo lentamente durante a noite, o chamado "efeito de forno ibérico", vai contribuir para vários dias consecutivos com temperaturas superiores a 40 ºC, sobretudo no Alentejo e Vale do Tejo.
Além das máximas extremas, esperam-se noites excecionalmente quentes e secas, com muitas localidades a registarem temperaturas acima dos 25 ºC durante a madrugada.
Gradualmente até dia 7 o Anticiclone desloca-se para norte
O modelo Europeu (ECMWF) prevê que, até terça-feira, dia 7, o Anticiclone dos Açores deverá deslocar gradualmente o seu núcleo para latitudes mais elevadas, aproximando-se das Ilhas Britânicas. Esta mudança poderá enfraquecer o bloqueio atmosférico sobre a Península Ibérica e permitir uma maior influência das circulações atlânticas.
Contudo, isso não significa um fim imediato do calor.
O calor poderá prolongar-se para além de dia 7 de julho
Apesar da deslocação do anticiclone, a massa de ar muito quente proveniente do Norte de África deverá continuar a alimentar a Península Ibérica durante mais alguns dias.
Os mapas de temperatura e geopotencial a 850 hPa mostram que o fluxo quente continuará ativo, mantendo temperaturas elevadas no interior do país, especialmente no Alentejo. Nas regiões da faixa costeira ocidental, a influência atlântica poderá regressar gradualmente, permitindo uma descida das temperaturas e um maior contraste entre o litoral e o interior.
Os modelos sugerem ainda que, a partir de dia 9, poderão surgir os primeiros sinais de instabilidade, com possibilidade de aguaceiros localizados em algumas regiões do território continental.
Importa, contudo, sublinhar que esta é ainda uma previsão de médio prazo. Pequenas alterações na posição do anticiclone ou na trajetória da massa de ar africana poderão modificar significativamente a evolução prevista entre os dias 8 e 10 de julho.
A tendência geral aponta para uma atenuação gradual do calor junto ao litoral, mas para a persistência de temperaturas elevadas no interior durante alguns dias adicionais.