Com o peso da água da chuva, o chão está a ceder todos os dias na região Oeste
Em Arruda dos Vinhos e Torres Vedras, a humidade acumulada nos solos deixou os terremos perigosamente instáveis, destruindo estradas e provocando danos estruturais em dezenas de habitações.

Pisar o chão, por estes dias, não é seguro para quem vive em Arruda dos Vinhos ou em Torres Vedras, na região Oeste. As terras, nestes dois concelhos do distrito de Lisboa, estão movediças e deslizam perigosamente. Fizeram cair muros, colapsar estradas e afundar o piso no interior de dezenas de habitações.

As intensas chuvas provocadas pelas tempestades destas últimas semanas na região centro-sul causaram inundações severas e deixaram os solos saturados.
As terras não aguentam mais água e estão a ceder, provocando crateras nas estradas e rachaduras nas habitações.
Quem atravessa os caminhos rurais de Arruda dos Vinhos e de Torres Vedras tem uma falsa sensação de que um tremor de terra por ali passou, tal é o nível de devastação. Mas não, foi antes peso das águas armazenadas no solo que fez abater as estradas.
Povoações sem acessos e isoladas
Para entrar ou sair da Arruda dos Vinhos só há uma maneira. A Estrada Nacional 248-3, por Alverca, já no concelho de Vila Franca de Xira, é a única ligação ao exterior. As restantes 18 vias rodoviárias colapsaram nos últimos dias.
Ambos os concelhos estão praticamente isolados, e só a pé é possível chegar às povoações no interior dos municípios. Os militares da Escola de Infantaria de Mafra estão no terreno, procurando avaliar as condições de transitabilidade em alguns dos troços que não ficaram totalmente destruídos.

Dada a elevada instabilidade dos terrenos e das estradas, as autarquias apelaram à população para circular com a máxima prudência e não visitar os locais afetados.
Os deslocamentos de massas e abatimentos de terrenos danificaram as habitações. O chão está a ceder todos os dias um pouco mais e há várias casas dadas como perdidas.

Os moradores estão num vai-e-vem constante, retirando os bens mais necessários. Muitos sabem que não irão regressar. Caixas, sacos e malas são transportados a pé porque os caminhos estão intransitáveis para os veículos.
As autarquias estão a pedir ao governo para suspender as portagens aos residentes dos seus concelhos e admitem avançar também com a isenção de algumas taxas municipais para minimizar os prejuízos dos que foram mais afetados pelo mau tempo.
O tempo não está para festas
Com estradas bloqueadas e habitações parcialmente destruídas, o ambiente não está para festas. O tradicional Carnaval de Torres Vedras, preparado com vários meses de antecedência, foi adiado para data ainda a definir.

Os desfiles carnavalescos nas ruas deste município estão entre os mais conhecidos do país e fazem parte da tradição torriense. Atraindo todos os anos meio milhão de visitantes, os festejos destacam-se pelos seus carros alegóricos, sátira social e política, mas também pela forte participação popular e envolvimento da comunidade.
Os cancelamentos seguintes, em 2021 e 2022, já foram na sequência da pandemia provocada pela covid-19. Desta vez, a Câmara Municipal de Torres Vedras garante que irá fazer de tudo para que os foliões possam festejar o Carnaval nas ruas. Só não irá ocorrer entre os dias 12 e 18 de fevereiro, como inicialmente previsto.
O Carnaval não foi cancelado… apenas adiado
Perante a situação excecional que a região Oeste atravessa, resultante de fenómenos climáticos extremos, a prioridade é a segurança das populações.
Numa nota dirigida aos munícipes e publicada nas redes sociais, a autarquia esclarece que irá concentrar todos os esforços na recuperação do território, no apoio às famílias afetadas e na reposição da normalidade.

O Carnaval de Torres Vedras não está por isso cancelado, ressalva o município: “Quando as condições estiverem reunidas iremos festejar”, remata o comunicado do município.