O santuário vivo das oliveiras milenares do planeta. Sabe onde é?

Das raízes de Ulldecona aos gigantes de Portugal, viaje pela história viva destas oliveiras milenares que alimentam a nossa alma. Saiba mais aqui!

Sabia que o "Território Sénia" é único no mundo? É a zona com a maior concentração de oliveiras milenares do planeta, onde mais de 4.800 árvores com mais de mil anos foram catalogadas e protegidas.
Sabia que o "Território Sénia" é único no mundo? É a zona com a maior concentração de oliveiras milenares do planeta, onde mais de 4.800 árvores com mais de mil anos foram catalogadas e protegidas.

Localizada na região de Montsià, no sul da província de Tarragona, a localidade de Ulldecona ostenta o prestigiado título que a coloca no mapa mundial da botânica e da história: é o lugar com a maior concentração de oliveiras milenares de todo o planeta.

Segundo o artigo do 20minutos, este município catalão não é apenas um destino turístico, mas um verdadeiro museu ao ar livre que salvaguarda um património agrícola vivo com mais de 1.300 exemplares inventariados.

Este recorde mundial surge no contexto do "Território Sénia", uma zona geográfica que abrange várias localidades de Tarragona, Castellón e Aragão. No entanto, é em Ulldecona que a densidade destes "gigantes" atinge o seu auge, com um registo oficial de 1.379 árvores catalogadas.

Esta concentração não é fruto do acaso, mas sim de séculos de uma cultura agrícola respeitosa que, ao contrário de outras regiões, optou por priorizar a longevidade destas sentinelas em vez de as substituir por variedades mais produtivas.

Sabia que as oliveiras milenares são ocas? Com o passar dos séculos, o coração do tronco (o cerne) acaba por desaparecer, mas a árvore continua a viver e a dar fruto através da sua camada externa. É por isso que é tão difícil contar os seus anéis de crescimento!
Sabia que as oliveiras milenares são ocas? Com o passar dos séculos, o coração do tronco (o cerne) acaba por desaparecer, mas a árvore continua a viver e a dar fruto através da sua camada externa. É por isso que é tão difícil contar os seus anéis de crescimento!

Dentro deste vasto exército de árvores monumentais, destaca-se a "Farga de l’Arion". Investigações científicas confirmaram que esta oliveira foi plantada por volta do ano 314 d.C., durante o mandato do imperador romano Constantino. Com mais de 1.700 anos, esta árvore é considerada a mais antiga de Espanha e uma das mais longevas da bacia mediterrânea. O seu tronco retorcido, que parece uma escultura esculpida pelo tempo, é o símbolo máximo da resistência e da continuidade histórica da região.

Património, turismo e reconhecimento global

O município transformou este legado no "Museu Natural das Oliveiras Milenares de l’Arion". Através de rotas guiadas, os visitantes podem caminhar entre exemplares cujos troncos superam os 3,5 metros de perímetro.

A experiência vai além da contemplação visual; o turismo em Ulldecona está intrinsecamente ligado à gastronomia. É possível realizar provas de "azeite de oliveiras milenares", um produto exclusivo e de edição limitada, extraído diretamente destes exemplares antigos, proporcionando sabores que encapsulam séculos de tradição.

A importância desta paisagem é tamanha que a FAO reconheceu o Sistema Agrícola das Oliveiras Milenares do Território Sénia como um SIPAM (Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial).

Este selo sublinha a harmonia entre a biodiversidade e a atividade humana sustentável.

Além disso, a riqueza cultural de Ulldecona é complementada pelas pinturas rupestres dos abrigos da Ermita de la Pietat, declaradas Património Mundial pela UNESCO. Esta combinação de arte pré-histórica e agricultura milenar permite ao visitante recuar milhares de anos num único passeio.

O legado das oliveiras milenares em Portugal

Portugal acompanha este legado com igual distinção. Embora não apresente uma concentração tão massiva num único ponto como Ulldecona, o país possui algumas das oliveiras mais antigas do mundo ainda em produção. Graças ao trabalho de datação da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), podemos hoje traçar um roteiro deste "museu vivo":

  • Mouriscas (Abrantes): Aqui encontra-se a famosa Oliveira do Mouchão. Com cerca de 3.350 anos, esta árvore é um monumento vivo que já florescia muito antes de os romanos invadirem a Península Ibérica.
  • Santa Iria de Azóia (Loures): A poucos minutos de Lisboa, existe uma oliveira com 2.850 anos. É fascinante pensar que, enquanto a Grécia Clássica dava os seus primeiros passos, esta árvore já estava plantada em território português.
  • Tavira (Algarve): No sul, em Pedras d’El Rei, a Oliveira de Caselas, com mais de 2.000 anos, apresenta um tronco que é uma verdadeira escultura natural. É paragem obrigatória para os amantes do turismo de natureza.
Provar este azeite é saborear o tempo. Extraído de árvores com mais de mil anos, este 'ouro líquido' liga-nos diretamente às raízes mais profundas da nossa gastronomia.
Provar este azeite é saborear o tempo. Extraído de árvores com mais de mil anos, este 'ouro líquido' liga-nos diretamente às raízes mais profundas da nossa gastronomia.
  • Região do Alqueva e Monsaraz: O Alentejo é, por excelência, a terra do olival. Com a criação da albufeira do Alqueva, centenas de oliveiras milenares foram salvas e replantadas. Monsaraz integra várias destas árvores na sua paisagem, criando um cenário cinematográfico.
  • Oliveira do Hospital: A ligação histórica desta zona ao olival é profunda, com exemplares classificados em Lagares e Bobadela que acompanham a história da região desde a época romana.

Em suma, a Península Ibérica é o grande guardião desta cultura ancestral. Visitar estas árvores é uma oportunidade única de degustar o "ouro líquido" na sua forma mais pura, seja acompanhando o pão artesanal, realçando um fiel amigo bacalhau ou temperando as verduras mais frescas.

Referências da notícia

https://www.icnf.pt/florestas/protecaodearvoredo/arvoredodeinteressepublico

https://www.20minutos.es/cataluna/tarragona/pueblo-tarragona-record-reune-mayor-numero-olivos-milenarios-planeta_6914366_0.html

http://cm-abrantes.pt/index.php/dossiers-comunicacao/1218-oliveira-do-mouchao

https://apadrinhaumaoliveira.org/visite-o-mouchao-a-oliveira-milenar-da-peninsula-iberica/

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/oliveira-com-2850-anos-comprovados-vive-em-santa-iria-da-azoia_n458629

http://www.fundacaosoaresdosreis.pt/wp-content/uploads/2016/05/2_cienciaHojePT.pdf