Tempestade Nils: rio atmosférico transporta uma grande quantidade de humidade; atenção à chuva desta quarta-feira

A tempestade Nils não afetará diretamente Portugal continental, mas sim as suas frentes associadas. A chuva será intensificada nas próximas horas e amanhã por um rio atmosférico carregadíssimo de humidade e procedente das Caraíbas.

Nos próximos dias o jato polar continuará a circular mais a sul do que o habitual, influenciado decisivamente o estado do tempo em Portugal continental. Será favorável à chegada de algumas frentes ao nosso território, associadas a tempestades formadas entre a Terra Nova e as Ilhas Britânicas, com a diferença que agora nenhuma delas deverá passar com o seu centro diretamente sobre nós.

A atual distribuição dos centros de ação atmosférica, com um novo “comboio” de tempestades a circular no Atlântico Norte (uma delas nomeada pela Meteo-France - Tempestade Nils) e o anticiclone dos Açores retirado para sul, permitirá a canalização de um novo rio atmosférico até ao nosso país, proveniente das Caraíbas.

O que é um rio atmosférico?
Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas na atmosfera que funcionam como verdadeiras “auto estradas de transporte de vapor de água”, deslocando grandes quantidades de humidade desde as zonas tropicais até às latitudes médias. Quando interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis, ganham o potencial de gerar chuva forte, eficiente e persistente.

Tendo em conta a configuração sinóptica prevista, são esperados vários fenómenos meteorológicos adversos: chuva persistente e por vezes localmente forte, vento pontualmente intenso em diversas zonas e agitação marítima.

O ambiente ameno contribuirá para um derretimento da neve em algumas zonas montanhosas, o que provocará, potencialmente, um aumento dos caudais dos rios, que já estão muito cheios. Tendo em conta a previsão de chuva, grande parte das bacias hidrográficas que apresentam maior risco neste momento são as que se situam do Mondego para norte.
O ambiente ameno contribuirá para um derretimento da neve em algumas zonas montanhosas, o que provocará, potencialmente, um aumento dos caudais dos rios, que já estão muito cheios. Tendo em conta a previsão de chuva, grande parte das bacias hidrográficas que apresentam maior risco neste momento são as que se situam do Mondego para norte.

Além disto, o tempo estará muito ameno devido à entrada de ar tropical e muito húmido transportado pelo rio atmosférico, o que provocará uma reduzida amplitude térmica. As temperaturas mínimas variarão geralmente entre 12 e 15 ºC, exceto em zonas do interior Norte e Centro onde serão geralmente inferiores a estes valores.

Rio atmosférico alcançará um novo pico de intensidade na quarta-feira

Esta terça-feira (10) o céu apresenta-se muito nublado ou encoberto de norte a sul de Portugal continental. O rio atmosférico proveniente das Caraíbas trouxe um aumento considerável da quantidade de água precipitável (isto é, da água disponível para formar chuva), e tem vindo a contribuir para a chuva persistente e por vezes intensa, que continuará ao longo do dia, especialmente nas Regiões Norte e Centro.

Mais para o final da tarde poderão surgir algumas abertas, embora predomine o ambiente húmido, cinzento e instável. A precipitação será menos provável e frequente no Baixo Alentejo e Algarve. Houve trovoadas fortes e pontuais esta manhã, algo que poderá repetir-se até meio da tarde no litoral Oeste, Ribatejo e Alto Alentejo.

O rio atmosférico carregadíssimo de humidade atingirá Portugal continental "em cheio" na quarta-feira, 11 de fevereiro, elevando substancialmente a quantidade de água disponível para formar chuva.
O rio atmosférico carregadíssimo de humidade atingirá Portugal continental "em cheio" na quarta-feira, 11 de fevereiro, elevando substancialmente a quantidade de água disponível para formar chuva.

Porém, para quarta-feira (11) prevê-se uma nova 'investida' do rio atmosférico, que conterá valores ainda mais elevados de água precipitável, o que se traduzirá em chuva persistente, por vezes moderada ou forte, especialmente entre a madrugada e final da manhã e entre o início e final da tarde.

Será mais provável e frequente nos distritos das Regiões Norte e Centro, situados a norte da Serra da Estrela e a oeste da Barreira de Condensação, embora nas horas seguintes rapidamente se espalhe para o interior Norte e Centro, litoral Oeste, Área Metropolitana de Lisboa e Alto Alentejo. O rio atmosférico intensificará a chuva nas zonas orograficamente mais expostas aos ventos de Sudoeste. No Baixo Alentejo e Algarve a precipitação será pouco frequente.

O risco de novas cheias deve ser tido em conta devido à saturação dos solos, aos rios já muito cheios e às barragens que começam a ficar com pouca capacidade de resposta. Cautela ainda com o possível deslizamento de terras ou derrocadas por estar constantemente a “chover no molhado”.

Amanhã - quarta-feira, 11 de fevereiro - o vento também assumirá algum protagonismo meteorológico, produzindo rajadas intensas até 75 km/h na faixa costeira do Norte e Centro e até 100 km/h nas terras altas das regiões referidas. Não é expectável o mesmo grau de intensidade e de impactos deixados por Kristin, no entanto, alguns resguardos devem ser feitos tendo em conta a fragilidade de diversas zonas do território.

Entre 100 e 200 mm previstos em todas estas zonas do país até final de sexta-feira, dia 13

Para quinta-feira (12) prevê-se uma melhoria muito temporária da situação meteorológica. Haverá céu muito nublado e algumas abertas, embora com aguaceiros fracos e dispersos a surgirem de forma intermitente, sobretudo a norte do Vouga e a oeste da Barreira de Condensação.

Mesmo assim, a partir do final da tarde de quinta (12), uma nova frente muito ativa entrará pelo nosso país a partir do litoral Centro, possivelmente entre Coimbra e Leiria, descrevendo uma trajetória de sudoeste para nordeste e, abrangendo gradualmente todo o território. Deste modo, prevê-se chuva generalizada nas restantes horas desse dia e até meio da manhã de sexta-feira (13), sendo pontualmente forte nalgumas regiões.

Na madrugada de sexta-feira (13) uma nova frente muito ativa aumentará a probabilidade de precipitação para quase 100% em grande parte do país, mas nas horas seguintes a probabilidade de chover diminuirá gradualmente.
Na madrugada de sexta-feira (13) uma nova frente muito ativa aumentará a probabilidade de precipitação para quase 100% em grande parte do país, mas nas horas seguintes a probabilidade de chover diminuirá gradualmente.

Após a passagem da frente, entrará uma massa de ar mais frio, a precipitação passará a regime de aguaceiros nas horas restantes de sexta (13), por vezes de granizo e potencialmente acompanhados de trovoada, que serão de neve a partir dos 1000 metros de altitude nas serras do Norte e Centro.

De acordo com os mapas da Meteored, entre hoje e o final de sexta-feira (13), prevê-se entre 100 e 200 mm de chuva acumulada nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, nos setores ocidentais de Vila Real e Viseu e de forma parcial nos distritos de Leiria, Santarém e Portalegre. Há zonas montanhosas que poderão registar valores de pluviosidade ligeiramente acima dos 200 mm (distrito de Aveiro).