Cedro plantado há 75 anos em Torres Vedras vence concurso Árvore do Ano Portugal 2026

Depois da Figueira dos Amores, em Coimbra, no ano passado, em 2026 a decisão para Árvore do Ano recaiu sobre um cedro com 75 anos, plantado na década de 1950 em Runa, Torres Vedras. A Junta de Freguesia, promotora da candidatura, não tem dúvidas de que o cedro “merece afirmar-se como símbolo da aldeia”.

Cedro
Um cedro com 75 anos, plantado na década de 1950 em Runa, Torres Vedras, é a vencedora da Árvore do Ano 2026, anunciada nesta segunda-feira, 12 de janeiro, pela UNAC. Foto: UNAC

O Cedro da Igreja de Runa foi a única proposta da região Oeste de Portugal a chegar à fase final da votação nacional. E é a grande vencedora da edição de 2026 do concurso Árvore do Ano Portugal, foi anunciado nesta segunda-feira, 12 de janeiro.

A iniciativa em Portugal está integrada na competição europeia European Tree of the Year, que distingue árvores com histórias marcantes e promove a ligação entre a natureza e as comunidades locais.

Mais de 18 mil votos

O Cedro da Igreja de Runa, em Torres Vedras, superou o número de candidaturas da edição de 2025 - com um total de 51 árvores concorrentes de todo o país – e acabou por ter, também, uma maior participação do público, em relação ao ano passado, tendo ultrapassado os 18 mil votos, diz a organização.

Plantado no início dos anos 1950 pelo Senhor Alfredo, este cedro tornou-se, ao longo das décadas, parte essencial da história e da identidade da aldeia de Runa, refere a UNAC – União da Floresta Mediterrânica que representa em Portugal este concurso europeu.

“Inicialmente frágil e amarelado, foi cuidadosamente protegido pelo seu plantador, conseguindo sobreviver contra todas as expectativas”. É uma árvore que “testemunhou partidas e regressos, celebrações e silêncios, afirmando-se como ponto de encontro da saudade e dos abraços de gerações de runenses”, refere a UNAC, citando a Junta de Freguesia de Runa, promotora da candidatura. Para esta autarquia local, não há quaisquer dúvidas: “O cedro merece afirmar-se como símbolo da aldeia de Runa e do concelho de Torres Vedras”.

O género Cedrus é da família das pináceas, que atinge alturas significativas e é cultivado como planta ornamental, distinguindo-se também pela madeira de qualidade e muito resistente que produz, utilizada na carpintaria, marcenaria e na construção.

Madeira de cedro
O género Cedrus é da família das pináceas, que atinge alturas significativas e é cultivado como planta ornamental, distinguindo-se também pela madeira de qualidade e muito resistente que produz.

Na votação para Árvore do Ano 2026 a Árvore da Borracha Australiana, de Ponta Delgada, nos Açores, ficou classificada em segundo lugar.

Em terceiro lugar ficou a Canforeira da ESAC, de Bencanta, em Coimbra.

Concurso europeu em 15 países

Enquanto vencedora nacional, a Árvore de Runa, Torres Vedras, irá agora representar Portugal na fase europeia do concurso, que decorre em fevereiro, competindo com as árvores eleitas nos restantes 15 países participantes.

O concurso Árvore do Ano é dinamizado anualmente, desde 2011, pela Environmental Partnership Association (EPA) e tem como missão valorizar as árvores enquanto património natural e cultural da Europa, destacando os serviços de ecossistema que prestam.

Cedro da Igreja de Runa, Torres Vedras.
Plantado no início dos anos 1950 pelo Senhor Alfredo, este cedro tornou-se, ao longo das décadas, parte essencial da história e da identidade da aldeia de Runa, refere a UNAC. Foto: UNAC

A competição não distingue a árvore “mais bonita”, mas sim aquela cuja história está mais profundamente enraizada na comunidade onde se encontra e na vida dos seus habitantes.

UNAC organiza Árvore do Ano em Portugal

Em Portugal, o concurso é representado pela UNAC – União da Floresta Mediterrânica, que habilita a árvore portuguesa vencedora a concorrer à votação para a Árvore Europeia do Ano. Aderiu pela primeira vez à iniciativa como organizador em Portugal em 2018.

Este concurso teve a sua primeira edição em 2011, organizada pela Fundação de Parceria Ambiental Checa (Czech Environmental Partnership Foundation) e inspirada no popular concurso checo Árvore do Ano. O concurso europeu é uma final constituída pelos vencedores dos diferentes concursos nacionais.

O objetivo desta iniciativa europeia é destacar a importância das árvores antigas na herança cultural e natural das comunidades e dos países.

Ao contrário de outros concursos, a Árvore Europeia do Ano não se foca apenas na beleza, no tamanho ou na idade da árvore, mas sim na sua história e relações com as pessoas.

A árvore vencedora a nível europeu, em cuja votação entra o cedro português com 75 anos plantado na década de 1950 em Runa, Torres Vedras, será anunciada a 21 de março, Dia Internacional das Florestas.

Em 2025, venceu a Figueira dos Amores, em Santa Clara, Coimbra, e em 2024 a árvore vencedora foi a camélia-japoneira da Quinta de Margaride, em Mesão Frio, Guimarães.