Segunda quinzena de março em Portugal: previsão de chuva com o padrão de bloqueio escandinavo

A segunda quinzena do mês de março poderá contar com valores de anomalia de precipitação abaixo da média em praticamente todo o país. Confira todos os pormenores aqui!

    Apesar da possibilidade de ocorrência de chuva já na próxima semana, a segunda quinzena do mês de Março deverá mais seca que o normal, segundo a atual previsão do ECMWF.
    Apesar da possibilidade de ocorrência de chuva já na próxima semana, a segunda quinzena do mês de Março deverá mais seca que o normal, segundo a atual previsão do ECMWF.

    Como mencionamos nas últimas previsões para o mês de Março, os mapas de anomalia são coincidentes com períodos de tempo predominantemente seco, resultando em anomalias negativas para praticamente todo o país.

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    Existem algumas diferenças entre a próxima semana e a última do mês, no entanto, ambas as semanas contarão com valores de precipitação abaixo da normal da climatológica.

    Influência da NAO+ e do bloqueio escandinavo

    Entre o dia 11 e o dia 17 de março, Portugal estará sob influência do índice NAO+. Tal como explicamos anteriormente, noutras previsões, a NAO+ contribui para um estado de tempo mais estável na Península Ibérica e, assim, para Portugal Continental.

    O tempo em Portugal deverá ser influenciado maioritariamente pelo anticiclone na próxima semana, não se descartando a possibilidade de ocorrência de precipitação, devido a um possível bloqueio escandinavo.
    O tempo em Portugal deverá ser influenciado maioritariamente pelo anticiclone na próxima semana, não se descartando a possibilidade de ocorrência de precipitação, devido a um possível bloqueio escandinavo.

    Esta estabilidade resulta do reforço da corrente de jato, que organiza o corredor das depressões em latitudes mais elevadas, reduzindo a sua progressão para sul. Este reforço ocorre devido ao aumento do gradiente de pressão no Atlântico Norte, associado à intensificação da depressão da Islândia e ao fortalecimento do anticiclone dos Açores. Sendo que desta forma, a probabilidade de chuva nesta latitude diminui, ainda que não seja impossível.

    No entanto, é provável que entre os dias 19 e 21 de Março, estejamos sob influência do bloqueio escandinavo, que consiste no estabelecimento de um anticiclone persistente sobre a Escândinávia, o que poderá contribuir para um desvio da trajetória das depressões. Geralmente, o seu impacto na Península Ibérica passa por um aumento da probabilidade de cavados ou depressões isoladas. Este bloqueio poderá regressar no dia 24 de março e permanecer até ao dia 4 de abril.

    Anomalias poderão ser mais vincadas na próxima semana e mais abrangentes na última semana do mês

    Em relação às anomalias negativas, para a semana de 16 a 23 de Março espera-se que estas possam ser até mais de 50 mm no noroeste do país, região com a anomalia mais vincada, abrangendo os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto, significando um valor bastante reduzido face à média.

    Tanto a próxima semana como a última deste mês (aqui representada), apresentam valores de anomalia de precipitação abaixo da média.
    Tanto a próxima semana como a última deste mês (aqui representada), apresentam valores de anomalia de precipitação abaixo da média.

    Os distritos de Vila Real, Aveiro, Viseu e Coimbra poderão contar com uma anomalia entre 30 a 50 mm e os distritos adjacentes a estes poderão contar com uma anomalia entre 20 a 30 mm. No Alto Alentejo esta anomalia torna-se mais baixa, podendo manter-se entre os 5 e 10 mm a menos que a média e no Baixo Alentejo e Algarve os valores serão nulos ou até 10 mm acima da média, no caso do Sotavento Algarvio.

    Já em relação à última semana, compreendida entre os dias 23 e 30 de Março, ilustrada acima, as anomalias negativas já poderão cobrir toda a geografia continental, mostrando valores de precipitação abaixo da média, com maior relevância no litoral Norte e Centro, mostrando anomalias entre os 30 e os 50 mm a menos que o normal. No entanto, e como frisamos sempre neste tipo de previsões, estas anomalias não indicam ausência de chuva, indicam apenas a diferença entre os valores previstos e os valores registados noutros anos.