Cabras algarvias ajudam a proteger o Parque da Pena contra incêndios
Três novos habitantes de quatro patas chegaram ao icónico monte sintrense. Conheça este projeto piloto sustentável que utiliza métodos biológicos tradicionais para limpar mato e defender a valiosa mancha vegetal.

Desfrutar da brisa fresca e húmida da Serra de Sintra é uma das melhores formas de escapar ao dias de maior calor. Se estiver pela região de Lisboa, aproveite estes dias para visitar o Parque Nacional da Pena e descobrir a floresta nativa portuguesa, lado a lado com coleções exóticas de sequoias americanas, cedros do Buçaco e as famosas camélias asiáticas introduzidas pelo rei D. Fernando II na década de 1840.
Se, durante a caminhada, se deparar com visitantes invulgares, não estranhe o inusitado encontro. Duas cabras e um bode da raça algarvia são os mais recentes residentes do parque. Desde meados de maio, este trio explora com curiosidade o território que passou a ser a sua nova casa.
O regresso da sabedoria ancestral na proteção da floresta
Longe de ser apenas mais uma atração no parque, o trabalho destes animais é muito sério. Integrada num projeto-piloto promovido pela Parques de Sintra, esta equipa ecológica ajuda os gestores florestais a preservar a paisagem e a biodiversidade locais.
A sua função ecológica é valiosa porque impulsiona a regeneração natural e reduz o risco de incêndio. O método, conhecido como herbivoria dirigida, tem ganhado força em toda a Europa.
Trata-se de uma prática com raízes ancestrais adaptada agora à gestão moderna do território. Ao contrário das alternativas mecânicas ou químicas, este processo evita o uso de herbicidas, reduz a mobilização do solo e dispensa a maquinaria pesada na limpeza florestal.

Além do impacto ambiental, a presença destes animais enriquece a experiência dos visitantes, que podem observá-los em plena atividade, testemunhando ao vivo a importância da biodiversidade.
Evolução genética adaptada à aridez das serras
Para compreender o sucesso desta missão, vale a pena conhecer as origens da raça, moldada para a sobrevivência em paisagens exigentes. A cabra algarvia surgiu entre os séculos XIX e XX, fruto de cruzamentos sucessivos em isolamento geográfico.
O seu património genético inclui ainda influências de caprinos do Norte de África e de raças espanholas (Alpina e Serrana Andaluza). Esta evolução dotou-a de uma morfologia única em Portugal, ideal para percorrer longas distâncias em terrenos áridos.
Por ser uma raça autóctone protegida e em risco de extinção, cada exemplar conta. Estima-se que existam cerca de 12 mil animais adultos, estando a grande maioria (10 mil) concentrada na região algarvia, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Ovinotecnia e Caprinotecnia.
Um modelo a replicar pela Serra de Sintra
Agora, o trio residente adapta-se ao novo habitat na Serra de Sintra. O bem-estar dos animais é assegurado diariamente por tratadores especializados, que garantem a sua alimentação complementar, vigilância sanitária e monitorização permanente, assegurando uma operação segura e controlada.

Caso este piloto atinja os resultados esperados, a Parques de Sintra planeia replicar progressivamente o modelo de herbivoria dirigida a outras áreas florestais sob a sua gestão, consolidando uma estratégia mais eficaz e sustentável na conservação da natureza.
Referência do artigo
Cabras algarvias ajudam a preservar o Parque da Pena através da gestão sustentável da vegetação. Parques Sintra
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