Uma segunda ciclogénese explosiva atingirá a Irlanda a partir de segunda-feira: eis como afetará Portugal

Sem tréguas! Prevê-se que uma nova depressão sofra um processo de ciclogénese explosiva, dando origem ao segundo ciclone-bomba em pouco menos de 7 dias no Atlântico Norte. Eis como poderá afetar o tempo em Portugal.
Analisando os mapas meteorológicos da Meteored a curto e médio prazo, constata-se que após a depressão atlântica que está neste momento em processo de ciclogénese explosiva em pleno Atlântico Norte e que se irá posicionar a sul da Islândia, será apenas uma “questão de poucos dias” até que outra, ainda mais profunda e intensa, cave rapidamente, em latitudes algo mais a sul, dando origem ao segundo ciclone-bomba a formar-se no Atlântico Norte em menos de 1 semana.
Entre Açores e Irlanda ocorrerá um segundo processo de ciclogénese explosiva
Tal como referido anteriormente em previsões da Meteored Portugal, a segunda depressão a sofrer processo de ciclogénese explosiva em pleno Atlântico Norte e a formar-se em menos de 7 dias, passará ainda como uma depressão atlântica “normal” muito perto do arquipélago dos Açores entre domingo e segunda-feira, dias 27 e 28 de setembro.

Deixará chuva e vento fortes neste território insular português, antes de cavar e intensificar de forma vertiginosa à medida que o seu centro for rodopiando para norte, o que fará aumentar consideravelmente o gradiente de pressão e consequentemente intensificar os ventos associados.
Devido à trajetória que o centro de baixas pressões descreverá rumo a nordeste pelo Atlântico fora, percebe-se nos mapas que a Irlanda poderá ser a terra firme sob maior risco de tempo severo.
Quando já tiver alcançado um forte grau de intensificação - núcleo muito profundo e isóbaras muito estreitas e aproximadas, com gradiente de pressão elevado e ventos muito fortes em seu redor - o “ciclone-bomba” ‘ameaçará’ a Irlanda com chuva abundante, fortes rajadas de vento e risco de inundações e danos em infraestruturas entre segunda (28) e terça-feira (29).
Porém, antes de atingir este grau de desenvolvimento, ainda passará pelos Açores - na categoria de uma típica depressão atlântica - entre domingo (27) e segunda-feira (28).

De facto, entre domingo e segunda-feira, dias 27 e 28 de setembro, os mapas de referência da Meteored, baseados no modelo ECMWF, estimam uma queda acentuada da pressão central mínima da depressão (superior a 24 hPa em 24 horas, ultrapassando o limite considerado para a designação de ciclogénese explosiva).
Às 22 horas de domingo (27) prevê-se que a depressão registe no seu núcleo uma pressão mínima de 1002 hPa - estando nessa altura centrada ligeiramente a norte do arquipélago dos Açores, mas suficientemente perto para gerar efeitos adversos - enquanto que às 22 horas de segunda-feira (28) a pressão mínima central já terá baixado drasticamente para 957 hPa.
Antes de se transformar em ciclone-bomba, a depressão provocará estes efeitos nos Açores
A partir do meio da manhã de domingo (27) espera-se que os primeiros pingos de chuva gerados por linhas de instabilidade associadas à depressão atlântica, ainda numa fase perfeitamente normal, comecem a cair sobre o Grupo Ocidental dos Açores. Durante a tarde e noite de domingo (27), conforme a baixa for avançando para leste, a precipitação deverá progredir para as restantes ilhas, condicionando sobretudo o Grupo Central e de forma mais residual as ilhas mais orientais.

Tanto no domingo (27) como na segunda-feira (28) o vento, inicialmente de Sudoeste e posteriormente de Noroeste, produzirá rajadas muito fortes, especialmente no Grupo Ocidental (até 90 km/h no domingo) e Central (entre 50 e 85 km/h em ambos os dias). No Grupo Oriental o vento forte só se deverá fazer sentir na segunda-feira (28), estando previstas rajadas desde 50 até 75 km/h, especialmente na primeira metade do dia.
Importa, contudo, esclarecer que, fruto da incerteza que ainda persiste face à trajetória exata da depressão, os valores previstos de intensidade e distribuição da precipitação e do vento ainda poderão sofrer ajustes, algo que é perfeitamente normal dado que nos referimos a um horizonte temporal de 4-5 dias. Isto aplica-se tanto ao prognóstico traçado para os Açores e Irlanda, como para Portugal continental.
Portugal continental também estará na rota desta potente perturbação atlântica
Importa salientar, desde já, que Portugal continental não será “apanhado” diretamente por esta poderosa depressão atlântica - plenamente transformada em ciclone-bomba já na segunda-feira, 28 de setembro quando estiver na iminência de atingir em cheio território irlandês, algo que deverá acontecer de forma mais agreste na terça-feira (29).
Contudo, os mapas revelam que uma ou mais frentes frias associadas a este potente sistema de baixas pressões terão capacidade para se organizarem e esticarem o suficiente para sul, alcançando Portugal continental. Prevê-se que uma primeira frente possa gerar vastos períodos de chuva fraca a pontualmente moderada ou forte na terça-feira (29), e que, logo de seguida, já na quarta-feira (30), uma segunda frente associada possa provocar novos períodos de instabilidade.

De momento, os mapas sugerem a possibilidade da totalidade da geografia continental portuguesa ser afetada por estas áreas de instabilidade, embora os nossos mapas revelem que as Regiões Norte, Centro e quiçá Lisboa e Vale do Tejo e Alto Alentejo estejam particularmente mais expostos à ocorrência de chuva abundante.
Ainda é cedo para perceber se a precipitação será acompanhada por vento forte, uma vez que ainda não há dados suficientes para perceber o possível impacto deste último elemento climático no nosso território.